Trauma sexual: quais os sintomas e como superar?
Muitas pessoas enfrentam, mesmo que de forma silenciosa, o trauma sexual. Pessoas trabalhadoras do sexo estão mais vulneráveis a sofrer desde trauma, devendo agir para superá-lo adequadamente.
Experiências de abuso, assédio e violência sexual, independentemente da altura da vida em que ocorra, deixa marcas profundas na saúde física, mas também emocional e mental das vítimas.
Aqui, vamos falar um pouco sobre o que é o trauma sexual, como ele se manifesta e o que deves fazer para superá-lo.
Que é o trauma sexual?
O trauma sexual diz respeito às experiências emocionais e físicas relacionadas a abusos e agressões de caráter sexual. Estas podem ocorrer:
- Durante a infância, geralmente envolvendo abuso por parte de pessoas adultas e/ou próximas;
- Na adolescência, através de assédios ou ameaças por parte de namoradxs, professorxs, ou outras figuras de autoridade;
- Na idade adulta, por meio de violações ou agressões, podendo ser levadas a cabo por desconhecidxs, pelxs companheirxs, por pessoas que lideram cargos de chefia no trabalho, por clientes, entre outras.
Vivenciar estes momentos pode, certamente, comprometer a perceção do próprio corpo, além de afetar a autoconfiança e o bem-estar psicológico.
Facto é que o trauma sexual se apresenta como uma experiência que provoca um impacto emocional profundo, fazendo com que a vítima sofra de alterações na autoestima, na perceção do mundo, tal como na própria capacidade de estabelecer relações saudáveis.
Sintomas de trauma sexual
Cada pessoa, na sua individualidade, vive e sente as experiências traumáticas de forma única. Contudo, há alguns sintomas comuns que podem indicar que alguém sofre de trauma sexual, entre eles:
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Emocionais e comportamentais |
Impactos na saúde mental |
Físicos |
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Dificuldade em confiar nxs outrxs |
Dificuldade em impor limites |
Desconforto físico sem motivo aparente |
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Alterações de humor, como tristeza profunda ou irritabilidade |
Depressão |
Alterações no sono, como acordares noturnos e/ou insónias |
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Ansiedade e/ou ataques de pânico |
Transtornos de ansiedade |
Alterações no apetite |
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Falta de autoestima |
Autoimagem negativa e insegura |
Dores inexplicáveis |
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Reviver o evento em pesadelos, pensamentos obsessivos ou flashbacks |
Perturbação de Stress Pós-Traumático (PSPT) |
Problemas de saúde decorrentes do stress prolongado |
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Isolamento social |
Dificuldade em ter relacionamentos saudáveis |
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Sentimento de culpa ou vergonha |
Identificar o trauma sexual é o primeiro passo para a recuperação

Reconhecer os sintomas de trauma sexual é essencial para identificar o problema. Não raras são as vezes que as vítimas nem sequer sabem que estão traumatizadas. Outras, por vergonha e medo de falar, permanecem em silêncio por anos, tendo de viver com o trauma e com todas as consequências deste. Nesse sentido, é crucial detetar os sinais o quanto antes e procurar ajuda
Reconhecer que vives um trauma sexual permite-te:
- Prevenir o agravamento de problemas físicos e emocionais;
- Intervir precocemente, melhorando o prognóstico de recuperação;
- Lutar contra o estigma social associado ao abuso sexual;
- Apoiar outras pessoas vítimas de abuso e violência sexual.
Como superar o trauma sexual?
Qualquer pessoa que vive, ou viveu, uma experiência traumática, incluindo abuso ou violência sexual, demora o seu tempo para recuperar. Procurar ajuda profissional (psicólogx e/ou psiquiatra) mostra-se essencial.
Se sofres de trauma sexual:
- Procura apoio psicológico — a terapia cognitivo-comportamental mostra-se muito eficaz na gestão dos efeitos do trauma, assim como na reestruturação de pensamentos negativos;
- Participa de grupos de apoio — a partilha de experiências com outras pessoas que passaram pela mesma situação, ou semelhantes, vai ajudar-te a sentir maior conforto e esperança;
- Dedica tempo ao autocuidado — faz atividades que te façam sentir bem e que promovam o teu bem-estar físico e emocional, como meditação, exercício físico e passatempos);
- Respeita os teus limites — aceita que a recuperação é um percurso longo e que não é igual para todos;
- Pratica mindfulness e outras técnicas de gestão de stress — técnicas de respiração, relaxamento e mindfulness vão ajudar a diminuir a ansiedade;
- Reconhece o teu esforço — o processo de recuperação é lento, cheio de altos e baixos, mas é importante que reconheças cada passo que dás a caminho do teu bem-estar emocional.
Sabemos que podes estar a sentir muita vergonha e culpa neste momento. Mas lembramos que a vítima, independentemente da sua profissão, nunca tem culpa de um abuso.
Como apoiar uma pessoa com trauma sexual?
Se conheces alguém que passou por uma experiência de abuso ou violência sexual e desconfias que sofra de trauma sexual, o melhor que podes fazer é oferecer um espaço seguro e de aceitação.
- Oferece colo e empatia — escuta ativamente, demonstra disponibilidade para ouvir sem julgar. Respeita o ritmo que a pessoa leva para desabafar e processar as informações no cérebro. Nunca uses expressões que possam fazer a pessoa sentir-se culpada ou envergonhada;
- Cria um ambiente seguro e de confiança — mantém sempre uma atitude de aceitação e compreensão. Nunca minimizes o impacto do trauma na pessoa;
- Respeita a privacidade — não divulgues a situação a outras pessoas. A privacidade da vítima é sempre uma prioridade. Não a pressiones a falar mais do que ela quer e oferece ajuda sem impor responsabilidades;
- Incentiva a procurar apoio profissional — motiva a pessoa a procurar ajuda de uma pessoa profissional em Psicologia, Psiquiatria ou a frequentar centros de apoio.
A luta contra o trauma sexual, o assédio e a violência sexual
Lutar contra o trauma sexual é combater o assédio e a violência sexual. Este é um compromisso que deve ser assumido por toda a sociedade. É responsabilidade de cada um de nós contribuir para criar ambientes mais seguros, onde os abusos e as agressões não têm espaço para existir.
Assim, é fundamental educar a todxs sobre limites e consentimento. Da mesma forma que devemos impor limites, temos obrigação de respeitar os limites das outras pessoas. Ensinar, também sobre consentimento é passo fulcral para acabar com o abuso e a violência.
Em ambientes familiares, escolares e profissionais, deve promover-se a comunicação e o respeito corporal. Campanhas educativas e corporativas podem ajudar a sensibilizar sobre este tema.
É importante que seja, igualmente, fomentada uma cultura de apoio às vítimas, sem estigmas associados.
Se te sentes vítima, ou conheces alguém que possa estar nesta situação, lembra-te que procurar ajuda é um ato de coragem e esperança. Ninguém deve enfrentar o trauma sexual sozinhx. Juntxs seremos, sempre, mais fortes.