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5 Medicamentos que cortam o efeito da pílula

A pílula contracetiva é um dos métodos de contraceção mais utilizados pelas mulheres em Portugal e no mundo. E é fácil perceber porquê, dada a sua grande eficácia. Mas há medicamentos que cortam o efeito da pílula, afetando os resultados na proteção contra uma gravidez indesejada.

Este é um dos métodos contracetivos mais práticos e acessíveis, e que, quando usado corretamente, apresenta uma eficácia superior a 99%. No entanto, existem fatores que podem comprometer essa eficácia, nomeadamente alguns medicamentos que cortam o efeito da pílula.

As interações medicamentosas estão entre as principais causas para os casos de gravidez indesejada em mulheres que tomam a pílula, a par dos esquecimentos.

Aproveita para ler: Esqueci-me de tomar a pílula - o que devo fazer?

Neste artigo, vamos explorar em detalhe quais são os medicamentos que cortam o efeito da pílula, como funcionam essas interações, que cuidados se deve ter e quais são  as alternativas disponíveis.

Como funciona a pílula?

A pílula contracetiva surgiu nos anos 1960, e revolucionou a vida das mulheres! Pela primeira vez, foi possível controlar de forma eficaz a fertilidade, permitindo maior autonomia e liberdade.

Hoje, existem diferentes tipos de pílulas — combinadas (com estrogénio e progesterona) e de progesterona apenas , mas todas podem ser afetadas por determinados medicamentos.

Vê que a pílula atua através de hormonas sintéticas que imitam o estrogénio e a progesterona. O seu efeito principal é:

  • Inibir a ovulação;
  • Espessar o muco cervical, dificultando a entrada dos espermatozoides;
  • Alterar o endométrio, tornando-o menos propício à implantação.

Para que este mecanismo funcione, é essencial que os níveis hormonais se mantenham estáveis no organismo. E é aqui que entram os medicamentos que cortam o efeito da pílula, pois podem reduzir esses níveis.

Mas quais são os medicamentos que cortam o efeito da pílula?

Vamos, então, ver que medicamentos é que podem interferir na eficácia da pílula.

1. Antibióticos

Nem todos os antibióticos interferem com a pílula, mas alguns são conhecidos por reduzir a sua eficácia, como é o caso de vários antibióticos que podem causar diarreia ou vómitos, afetando indiretamente a absorção dos hormonas.

Também medicamentos como rifampicina e rifabutina, que são usados no tratamento da tuberculose e de algumas infeções graves, podem comprometer a eficácia da pílula.

2. Anticonvulsivantes

Medicamentos utilizados para o tratamento da epilepsia e de outras condições neurológicas podem acelerar o metabolismo dos hormonas, tais como fenitoína, carbamazepina, barbitúricos e topiramato.

Estes fármacos induzem enzimas hepáticas que degradam as hormonas contracetivas.

3. Antivirais

Alguns antivirais usados no tratamento do HIV ou da hepatite podem interagir com a pílula, reduzindo a sua eficácia.

4. Antifúngicos

Certos antifúngicos, como o griseofulvina, também podem comprometer a forma como a pílula previne uma gravidez indesejada, diminuindo o seu grau de eficácia.

5. Produtos naturais e fitoterápicos

Existem ainda alguns produtos naturais que podem interferir com o funcionamento da pílula. Um dos exemplos mais conhecidos de planta que corta o efeito da pílula é o da erva de São João (Hypericum perforatum) que é muito utilizada para tratar sintomas de depressão ligeira.

A erva de São João é um indutor enzimático e reduz os níveis hormonais da pílula.

Como saber se um medicamento corta o efeito da pílula?

Sempre que lhe for prescrito um novo medicamento, deve ter os seguintes cuidados:

  • Informar o médico ou farmacêutico de que toma a pílula;
  • Perguntar se existe risco de interação;
  • Ler atentamente a bula do medicamento, onde geralmente consta a informação sobre interações com contracetivos.

Outros fatores que reduzem a eficácia da pílula

Além dos medicamentos, existem situações que podem também comprometer a eficácia deste método contracetivo, tais como:

  • Vómitos ou diarreia intensa nas primeiras horas após a toma;
  • Esquecimento da toma: falhar uma ou mais doses consecutivas aumenta o risco de gravidez;
  • Consumo excessivo de álcool: não corta diretamente o efeito, mas pode levar ao esquecimento da toma.

Estratégias para prevenir falhas na contraceção

Também podes seguir algumas estratégias para evitares quaisquer falhas na toma da tua contraceção regular, nomeadamente se precisares mesmo de tomar um medicamento que corta o efeito da pílula. 

Nesse caso, deves agir da seguinte forma para evitares riscos indesejados:

  • Utiliza métodos de barreira (como preservativo) durante o tratamento e até 7 dias após terminar;
  • Considera métodos alternativos de contraceção, como o DIU (Dispositivo Intrauterino), que não sofre interferência com medicamentos.
  • Mantém a toma da pílula mesmo durante o uso do medicamento, para não desregular o ciclo.

Alternativas à pílula em casos de interação medicamentosa

Quando a utilização da pílula não é recomendada devido a interações, existem outras alternativas seguras, além do já mencionado DIU de cobre ou hormonal, tais como:

  • Implantes subcutâneos que libertam hormonas de forma contínua e que não são afetados por interações gastrointestinais motivadas por medicamentos;
  • Injeções contracetivas que são eficazes e independentes da absorção intestinal.

Posso tomar antibióticos e continuar com a pílula?

Depende do antibiótico. Já referimos alguns medicamentos que cortam o efeito da pílula, mas existem outros antibióticos que também podem afetar indiretamente a sua eficácia.

O melhor é informares-te junto do teu médico — e nunca te automediques!

E se me esquecer de uma toma durante o tratamento com outro medicamento?

Neste caso, o risco de gravidez aumenta. Deves, então, usar preservativo e seguir as instruções da bula da pílula.

Para evitar surpresas, é essencial consultar sempre o médico ou farmacêutico e adotar medidas adicionais de proteção quando necessário.

Uma gravidez é um passo muito importante na vida de uma mulher, que leva a significativas mudanças para as quais é preciso estar preparada. Então, fica atentx aos medicamentos que cortam o efeito da pílula e a outros fatores, como vómitos, diarreia ou esquecimentos, que podem comprometer a sua eficácia.