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Equipa do Projeto Red Light da Associação Positivo durante o Seminário PAR 2025 no Porto.

“Trabalho Sexual é um trabalho de cariz social muito grande"

Entrevista com o coordenador do Projeto Red Light, da Associação Positiva, que apoia quem faz Trabalho Sexual. André Santos defende que esta é "uma profissão necessária".

A Associação Positivo, que apoia quem faz Trabalho Sexual, foi distinguida com uma Menção Honrosa no Prémio AproXima-Te 2025. É um reconhecimento que é dado, essencialmente, ao seu Projeto Red Light, criado em 2003, para trabalhar em proximidade com trabalhadorxs do sexo que vivam ou não com a infeção HIV/SIDA.

Este projeto atua na zona de Lisboa, mas também apoia pessoas de outras zonas do país, sempre que é preciso  já recebeu utentes de Guimarães, Guarda e Coimbra, por exemplo.

O principal objetivo do Red Light é prestar apoio médico, psicológico e social a todxs xs que ainda são vistxs, socialmente, como “pessoas não gratas pelo trabalho que fazem”, como vinca o coordenador do Projeto, André Santos.

Este técnico superior em Serviço Social e Desenvolvimento Comunitário trabalha no apoio a trabalhadorxs do sexo há vários anos e sublinha, nesta entrevista, a importância de reconhecer o “cariz social muito grande" que o Trabalho Sexual tem, apesar de isso não ser socialmente aceite.

Plano AproXima  A Positivo foi distinguida com uma Menção Honrosa no Prémio AproXima-Te 2025. O que significou para a associação esta distinção?

André Santos — O prémio foi uma grande surpresa para nós! Não sabíamos e não estávamos à espera. Ficámos muito surpreendidos, ainda por cima, sabendo que tinham sido as pessoas que vinham cá à Associação, os utilizadores dos programas onde fazemos apoio, que tinham dado a informação e o parecer. Isso foi muito importante, mais o reconhecimento do trabalho que nós fazemos com xs trabalhadorxs do sexo do que propriamente o valor monetário que veio do prémio. É lógico que facilita sempre, porque nós nunca temos dinheiro para tudo!

"Prémio AproXima-te vem-nos aconchegar mais, para ficarmos um bocadinho mais à vontade, em vez de estarmos sempre a olhar para as mãos, a pensar como é que vamos fazer com as luvas que não cabem lá dentro."

Plano AproXima  Como é que o prémio vos ajuda a reforçar ou expandir o apoio às pessoas que fazem Trabalho Sexual?

André Santos — Vai dar mais alguma elasticidade para podermos dar resposta e pagar algumas das coisas que fazemos com xs trabalhadorxs do sexo, como os [exames médicos] Papanicolau. O projeto de apoio que foi criado em 2003  em 2013 é que começou efetivamente , contemplava mais coisas, mas depois foi revisto pela Direção-Geral da Saúde (DGS). Cortaram tudo um pouco pela metade.

Plano AproXima  Que custos é que isso teve para o Projeto Red Light?

André Santos  Levou a não podermos ter enfermeira, retiraram também a médica... Conseguimos ter um preço mais económico nas despesas com a médica e com os Papanicolau, com a empresa que faz os exames, que não cobra o dinheiro que o Estado normalmente leva, e que depois temos de pagar. Temos valores mais baixos. No entanto, devido ao elevado número de pessoas que aqui vêm para fazer, acaba por ser uma despesa substancial.

Plano AproXima — Então, o Prémio AproXima-te dá algum conforto, de certa forma...

André Santos  Vem-nos aconchegar mais, para ficarmos um bocadinho mais à vontade, em vez de estarmos sempre a olhar para as mãos, a pensar como é que vamos fazer com as luvas que não cabem lá dentro.

Plano AproXima — Em que medida é que a parceria com o Plano AproXima é importante para o vosso trabalho?

André Santos  A mais-valia é o que vocês fazem nas vossas formações e a experiência que têm nesta vertente com trabalhadorxs do sexo. Do lado de cá, podemos pensar que já sabemos tudo, porque já lemos ou já vimos, mas as coisas estão a evoluir de uma forma tão rápida... E a partilha do conhecimento que existe nas várias organizações é uma mais-valia para que a gente também se enriqueça dentro deste campo.

Plano AproXima — Participou no último Seminário PAR organizado pelo Plano AproXima no Porto. O que retira de positivo deste tipo de eventos?

André Santos  Foi ótimo! Foi interessante perceber que há gente mais nova a querer agarrar neste tipo de trabalho e a ajudar as outras pessoas. A sensação que se tem, às vezes, é que parece que a causa por que andámos a lutar vai cair pelo caminho, porque não há mais gente nova que queira continuar a fazer o mesmo trabalho, não é? Está tudo mais virado para coisas mais facilitadoras e mais fáceis de ver, e que são mais visíveis. E não há uma preocupação evidente com o social e com nada, e muito menos com estas mulheres!

"Esta é uma profissão que é necessária  quer se queira, quer não"

Plano AproXima  O Projeto Red Light surgiu em 2003  era um contexto muito diferente do atual?

André Santos  Quando começámos em 2003, não havia mais ninguém a fazer! Era um projeto, essencialmente, para trabalhadoras do sexo na zona do Cais do Sodré, que era onde estávamos sediados. Depois, mudámos para outro sítio, dentro da cidade, perto do Campo Pequeno, e as pessoas vieram todas atrás! Na altura da Covid, passámos a contactar as pessoas através do computador, dos contactos antigos. Inicialmente, começámos com as mulheres de rua e depois avançámos para xs trabalhadorxs que faziam publicidade nos jornais e nos sites.

Plano AproXima — E como é que o financiamento público tem acompanhado estas mudanças no Trabalho Sexual?

André Santos  Ao longo destes anos, tem havido um estacionar do dinheiro que é dado pela DGS. Ou seja, o dinheiro que vem é praticamente o mesmo. Na altura da Troika, foi reduzido em 20% e nunca mais voltou a ser reposto. Normalmente, não são revistos os valores para terem em conta todo o aumento dos custos de vida, das despesas dos materiais...

Plano AproXima — Recebem apoio da sociedade civil e de empresas privadas, por exemplo, da indústria farmacêutica?

André Santos  A indústria farmacêutica tem alguma dificuldade em apoiar estes tipos de projetos. Não se sente confortável com esta população, mesmo que a gente lhes diga que são mulheres que podem estar eventualmente infetadas com VIH. Muitas das vezes, tem de haver esta coisa do VIH por trás. Portanto, isso condiciona-nos com base onde é que vamos ganhar mais dinheiro para conseguir dar mais respostas  e andamos a tirar o dinheiro de um lado para o outro.

"Clientes vão descarregar das frustrações e do vazio emocional”

Plano AproXima  O Trabalho Sexual é uma área desconfortável para quase todos os setores. Acha que seria importante haver mudanças, em termos de políticas públicas, relativamente à forma como se encara esta atividade?

André Santos  O importante seria reconhecer que esta é uma profissão que é necessária  quer se queira, quer não. Em termos sociais, é uma zona de escape para, se calhar, não termos tantas pessoas a serem tão agressivas socialmente  conseguem, muitas vezes, diminuir a sua frustração e o seu desconforto no dia a dia, psicológico e emocional.

Plano AproXima — Portanto, é uma atividade que envolve mais do que apenas serviços sexuais?

André Santos  Muitas vezes, não é propriamente de coito que estamos a falar. É um estar ao lado de alguém, que se sente bem... São acariciadxs, têm conversas que não conseguem ter com outras pessoas. Alguns não conseguem ter umx psicólogx com quem falar, têm dificuldade em procurar umx, porque acham que vai dizer que são taradxs sexuais, e, portanto, não vão à procura. E não falam com xs parceirxs de vida, não falam com xs amigxs, que não sabem como lidar com isso. E vão ali porque sabem que são aceites e não são julgadxs.

Plano AproXima — É esse o feedback que têm dxs trabalhadorxs do sexo?

André Santos  Nas conversas com [trabalhadoras do sexo], dizem que os homens, muitas vezes, vão lá para descarregar da adrenalina que têm no dia a dia, das suas frustrações e do seu vazio emocional.

Plano AproXima — Está a dizer que quem faz Trabalho Sexual cumpre um papel social importante?

André Santos  Eu sempre disse isso! Sempre cumpriram ao longo dos anos, ao longo dos séculos. Havia marcas de um pé nos portos gregos, nos degraus das pedras, para dizer como é que se podiam dirigir aos lupanares [termo que designava os bordéis ou locais associados ao comércio sexual na Antiguidade e na Idade Média]. No tempo dos romanos, também existiam os lupanares e não havia esta consternação moral que criámos com o cristianismo, onde passou a ser pecado e levou a uma exclusão social.

"O Trabalho Sexual é um trabalho de cariz social muito grande, porque faz com que esta gente toda que vai lá se relaxe, se descomprima."

“Trabalhadorxs do sexo são pessoas não gratas pelo que fazem”

Plano AproXima — O estigma continua a marcar a atividade — de que modo é que isso pode dificultar o acesso dxs profissionais do sexo a direitos e serviços?

André Santos  A maior preocupação é que, se precisarem de um médico de família, por exemplo, se tiverem uma infeção, vão dizer-lhes: traga cá o seu marido para a gente também o tratar. E aquilo cria um certo embaraço. Nós sabemos, que em termos de saúde pública, tem de se tratar da pessoa infetada e das pessoas com quem teve contacto. Mas não é fácil para elas dizerem que são trabalhadoras do sexo porque vão ser automaticamente discriminadas  são consideradas pessoas não gratas pelo trabalho que fazem.

Plano AproXima — E é difícil mudar as mentalidades...

André Santos  É muito difícil implementar a ideia de que o Trabalho Sexual é um trabalho de cariz social muito grande, porque faz com que esta gente toda que vai lá se relaxe, se descomprima.

Plano AproXima — É também por isso que o trabalho do Projeto Red Light é tão importante? Porque há uma abordagem mais humanista...

André Santos  É mais fácil. Não há esse bloqueio da moralidade. Nós sabemos o que é e, portanto, não questionamos. Tratamos e acabou.

Plano AproXima — Acha que se houvesse a regulamentação ou a descriminalização do Trabalho Sexual em Portugal, como aconteceu noutros países, isso ajudaria a reduzir o estigma?

André Santos  Não, porque não vai haver nunca uma mudança social. Nós somos católicos! E, portanto, temos o problema do pecado. Enquanto na Bélgica, na Nova Zelândia, na Holanda, eles têm uma maneira de ver estas coisas muito, muito diferente. Não há uma moralidade, há uma resposta de que as pessoas precisam, que é muito o que vem escrito no Evangelho  dá-me a tua mão para ajudar, e não com julgamento. É o dar sem julgar. Nós, católicos, latinos, estamos sempre a fazer um julgamento prévio das coisas.

Plano AproXima — Somos também um país demasiado conservador…

André Santos  Só nos falta estar em lata como as sardinhas!

"Senhora veio de Guimarães para a consulta da médica"

Plano AproXima — O Projeto Red Light está no terreno há muitos anos. Como é que conseguiu afirmar-se e ganhar a confiança das pessoas?

André Santos  O Cais do Sodré era uma zona muito de final de carreira para trabalhadoras do sexo. Eram pessoas com 60 anos, 50 e tal anos, e até 80 anos. Apanhámos uma senhora com 82 anos que ainda tinha os seus clientes. Inicialmente, começámos por ir à rua, por agradar, dando-lhes pequenas coisas que elas gostavam de ter, como ofertas de perfumes que pedimos a várias empresas de perfumaria. Os pós para a cara, os cremes, as sombras, os batons... Isso foi um enorme sucesso na altura, para as cativar para o que estávamos a fazer.

Plano AproXima — Mas também tinham apoio psicológico, não é?

André Santos  Era uma coisa que, na altura, não existia com ninguém, nem ninguém queria fazer nada, e isso foi uma coisa bastante importante. A partir de certa altura, começaram a ir ao nosso espaço e foi uma mais-valia, porque se tornou um hábito para elas. Algumas já saíram desta vida, outras faleceram, e outras ainda continuam por aí  já deixaram essa profissão, mas continuam a vir cá ter connosco, a falar e a ver-nos. E há também todo um novo tipo de pessoas que vêm, que estão no ativo. A maior parte delas não está na rua, agora estão quase todas em apartamentos.

Plano AproXima — Já não têm utentes que trabalhem na rua, neste momento?

André Santos  Aqui, em Lisboa, não há. Há um trans ou outro, mas é muito pouco, muito pouco.

Plano AproXima — O Red Light só atua na zona de Lisboa?

André Santos  Temos gente que nos telefona e nós, às vezes, vamos levar preservativos e material preventivo aqui à volta de Lisboa, aos concelhos de Odivelas e de Loures.

Plano AproXima — Em termos geográficos, qual é a vossa área de atuação?

André Santos  Lisboa, Odivelas, Loures, Vila Franca de Xira, Oeiras, Sintra, Mafra. Mas temos tido pessoas que vêm de outros lados, por exemplo, de Coimbra. No outro dia, esteve aqui uma senhora que veio propositadamente de Guimarães para a consulta da médica, fazer os testes de despistagem e levar material de prevenção. 

Plano AproXima — Há várias associações que prestam esse tipo de apoio na zona norte. Terá ido a Lisboa devido à questão do estigma, com medo de ser associada ao Trabalho Sexual? Guimarães é uma cidade pequena...

André Santos  Acho que talvez... Não se expor mais do que aquilo que é necessário. Mas só temos de abrir a porta e dar resposta.

Plano AproXima — Mas, portanto, apoiam qualquer pessoa, independentemente da proveniência geográfica?

André Santos  Sim, sim.

Projeto Red Light  Associação Positivo
* Rua David Sousa, 13 R/C A-B, 1000-105 Lisboa
* Horário de Funcionamento: 2.ª a 6.ª feira  10h-13h / 14h-20h
* Tel.: 960 238 712 / 211 929 925
* Email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ter o JavaScript autorizado para o visualizar.

"Apoio psicológico é fundamental"

Plano AproXima — Como é que funciona a consulta de ginecologia? Como se pode ter acesso e marcar uma consulta?

André Santos  Normalmente, elas falam com aquelas pessoas que já conhecem o serviço. E telefonam para cá a dizer que precisam de uma consulta.  Às vezes, há lista de espera, outras vezes não há. A médica, normalmente, vem de 15 em 15 dias, e fica cá toda a tarde. Começa às 3 da tarde e vai até às 7 da noite  às vezes, um bocadinho mais para dar resposta.

Plano AproXima — Há um dia fixo para as consultas?

André Santos  A médica define em função das possibilidades dela  ela é médica no Centro de Saúde. Nós recebemos o pedido de consulta, anotamos o número de telefone e o nome com que a pessoa se identifique  pode não ser o nome próprio, pode ser o "nome de guerra". E, depois, telefonamos a dizer que vai ter a sua consulta com a médica no tal dia. 

Plano AproXima — E que necessidades são mais frequentes entre as pessoas que acompanham?

André Santos  O que elas gostariam é uma coisa que nós não conseguimos ter  e já apelámos a muitas instituições  que são apoios alimentares. Por vezes, não ganham o suficiente, ganham pouco e ficam com pouco, porque têm de pagar toda uma quantidade de coisas, e têm alguma dificuldade em termos alimentares, que é a parte mais difícil  como é que vão comer! Andam ali só a comer farinhas lácteas, às vezes com água. Não todas, mas há uma parte delas que não tem tantos clientes, até porque há uma enorme oferta e depois, o preço baixa.

Plano AproXima — Isso é bastante impactante. Geralmente, acha-se que se ganha muito dinheiro no Trabalho Sexual.

André Santos  Há quem ganhe, mas não são todas! É como nós: há uns que ganham muito, muito dinheiro, e outros que não ganham nada...

"Por vezes, não ganham o suficiente, ganham pouco e ficam com pouco, porque têm de pagar toda uma quantidade de coisas, e têm alguma dificuldade em termos alimentares, que é a parte mais difícil  como é que vão comer!"

Plano AproXima — E o que é que xs trabalhadorxs do sexo mais procuram quando vos contactam?

André Santos  A maior parte quer acesso ao material preventivo, senão vão ter de o comprar e é mais dinheiro que estão a gastar. Depois, é o apoio psicológico  é fundamental.

Plano AproXima — Também proporcionam consultas de psicologia?

André Santos Temos dois psicólogos. As consultas são marcadas com o psicólogo, e são de 8 em 8 dias. Umas são presenciais e outras, por vezes, são via internet, quando elas não estão cá e querem.

Plano AproXima — Também apoiam pessoas de todo o lado nestas consultas de psicologia?

André Santos  Já estivemos a trabalhar com uma pessoa da zona da Guarda que foi apoiada aqui pelo psicólogo [em consultas online] e foi muito gratificante. A pessoa melhorou substancialmente, e isto é uma coisa que não se pode esquecer, porque fomos a única associação, das várias que contactaram, que lhes deu uma resposta positiva.

“Falta aceitar as pessoas como elas são”

Plano AproXima — No vosso trabalho diário, conseguem ter essa perceção de melhoria na vida das pessoas que acompanham?

André Santos  Quando vêm cá pelas primeiras vezes, estão reticentes em relação a nós, a pensar o que é que vamos pensar delas  como é perfeitamente normal, porque é o que elas sentem no social. Mas, depois, passado um tempo connosco, começa a haver uma certa familiaridade e percebem que isto é um sítio agradável, onde podem vir, se quiserem beber um café ou tomar um chá. Às vezes, temos uns bolinhos caseiros ou umas bolachinhas. Isto acaba por dar um bocado de... um retornar a casa, a alguma coisa mais familiar. Tentamos sempre fazer com que isto seja muito, muito, muito amigável.

Plano AproXima — Quais são as vossas prioridades, e o que vos falta concretizar, nos próximos anos?

André Santos  Gostaríamos de ter verbas para poder fazer despistagem de outras infeções sexualmente transmissíveis, como, por exemplo, o HPV, e termos aqui uma médica ou uma enfermeira que possa aplicar a vacina do HPV e outras vacinas. E também conseguir dar resposta a mais pessoas  a médica que vem de 15 em 15 dias poder vir mais vezes, termos verba para lhe poder pagar mais e fazer mais testes.

Plano AproXima — Que recursos adicionais seriam necessários para ampliar o vosso impacto?

André Santos  O dinheiro é importante para poder dar mais resposta. A médica vir mais vezes, ou arranjar um segundo médico, também não é fácil... E depois, também voltar a ter o projeto que tínhamos de apoio a pessoas com VIH com dificuldades financeiras. Era um projeto de apoio social com um Banco Alimentar, e abrangia também medicação e apoio na compra de óculos, em parceria com outras associações, e até para arranjar as placas dentárias de alguma utente que pudesse estar mais aflita.

Plano AproXima — Para terminar, o que gostaria que o público entendesse sobre o Trabalho Sexual que ainda é frequentemente mal compreendido?

André Santos  O reconhecimento deste trabalho como uma forma social de descompressão emocional e psicológica ainda não é compreendido, não é aceite, e seria uma mais-valia que isso acontecesse. Falta-nos um trabalho muito grande, socialmente, para aceitar as pessoas como elas são, independentemente do tipo de trabalho que façam, enquanto pessoas com direitos humanos.