O que é disfunção sexual? Causas e como afeta homens e mulheres
Falar em disfunção sexual feminina ou em disfunção sexual masculina não é a mesma coisa. As diferenças de género são relevantes e importantes para entender o que é mesmo isso da disfunção sexual.
Quando falamos em disfunção sexual, estamos a referir, de forma genérica, uma alteração persistente ou recorrente na resposta sexual que interfere no prazer, na intimidade ou na qualidade de vida da pessoa.
Portanto, é um tipo de problema que pode afetar qualquer pessoa, independentemente do género, da idade ou da orientação sexual, e que está profundamente ligada à saúde física, emocional e relacional.
E, por vezes, mais do que um diagnóstico clínico, a disfunção sexual deve levar-nos a “ouvir” o nosso corpo, bem como a compreender os nossos limites e a valorizar o prazer como parte essencial da saúde integral.
Mas o que é disfunção sexual? É mais do que um mero problema físico
Falar sobre o que é disfunção sexual é abrir espaço para uma conversa honesta sobre saúde sexual – e isso pode ser logo um problema para algumas pessoas mais fechadas e menos dispostas a encararem a sua intimidade.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a sexualidade como um aspeto central do ser humano, que envolve prazer, afeto, intimidade e expressão.
Portanto, a disfunção sexual não é apenas uma questão física. É também emocional, relacional e, muitas vezes, social, envolvendo:
- Expectativas irrealistas sobre o sexo
- Falta de educação sexual
- Tabus culturais e religiosos
- Medo de julgamento ou rejeição.
Reconhecer o que é disfunção sexual como parte da experiência humana é um primeiro passo fundamental para resolver os problemas que possam surgir neste âmbito.
Por vezes, existe a tentação de catalogar as disfunções sexuais como uma “coisa da cabeça”, retirando-lhes importância. Mas são, realmente, problemas reais e sinais de que algo precisa de ser cuidado.
Disfunção sexual feminina: quando o corpo pede atenção
A disfunção sexual feminina pode manifestar-se de várias formas, nomeadamente as que vamos falar de seguida…
Desejo sexual hipoativo
O desejo sexual hipoativo é caracterizado pela ausência ou diminuição persistente do interesse sexual.
Mas não se trata de uma simples “falta de vontade”. É uma condição que pode afetar profundamente a autoestima, os relacionamentos e o bem-estar emocional de quem sofre com ela.
As causas mais comuns para esta disfunção sexual feminina são:
- Alterações hormonais (menopausa, pós-parto, TPM)
- Uso de antidepressivos ou contracetivos hormonais
- Stress crónico, burnout, depressão
- Relações afetivas conflituosas ou pouco estimulantes
- Traumas sexuais ou experiências negativas.
Quando enfrentam esta disfunção sexual, muitas mulheres sentem culpa ou medo de dececionar x parceirx, o que pode agravar ainda mais o bloqueio do desejo.
A resolução do problema pode passar por uma abordagem terapêutica com avaliação hormonal e psicoterapia. Em alguns casos, pode ser necessária medicação adaptada.

Anorgasmia
A anorgasmia é a dificuldade ou impossibilidade de atingir o orgasmo, mesmo com estimulação adequada.
Esta é uma disfunção sexual que pode ter vários níveis. Pode ser primária, ou seja, quando a mulher nunca teve um orgasmo, ou secundária, isto é, registar-se após uma fase de orgasmos normais.
As causas possíveis para esta disfunção sexual feminina são as seguintes:
- Falta de conhecimento sobre o próprio corpo
- Ansiedade de desempenho ou medo de “falhar”
- Traumas emocionais ou sexuais
- Medicação (antidepressivos, ansiolíticos)
- Falta de estimulação adequada ou comunicação íntima.
É importante entender que o orgasmo feminino não é automático nem obrigatório numa relação sexual.
Cada mulher tem um ritmo, uma linguagem corporal e uma história próprias. A anorgasmia não define a capacidade de sentir prazer.
Dispareunia
A dispareunia é a dor persistente durante o ato sexual, que pode ocorrer na entrada da vagina, durante a penetração ou após o contacto íntimo.
Esta disfunção sexual feminina pode ter causas físicas como:
- Infecções urinárias ou vaginais
- Endometriose, miomas ou alterações anatómicas
- Secura vaginal (devido à menopausa ou amamentação)
- Pós-parto ou pós-cirurgia ginecológica.
Mas também pode ser provocada por causas emocionais, nomeadamente:
- Ansiedade, medo ou tensão muscular
- Relações sem consentimento ou com pressão
- Falta de preparação emocional ou física.
Independentemente das causas, a dispareunia pode gerar uma “fuga” constante ao sexo, medo da intimidade e uma sensação de inadequação.
Tudo isso tem um impacto psicológico significativo no bem-estar de uma pessoa. Portanto, é uma dor que precisa de ser devidamente validada.
Os tratamentos passam por fazer avaliação ginecológica, fisioterapia pélvica, terapia sexual e, em alguns casos, por usar lubrificantes ou suplementos naturais.
Vaginismo
O vaginismo é uma contração involuntária dos músculos do pavimento pélvico que impede a penetração vaginal.
Esta disfunção sexual feminina pode ocorrer mesmo quando há desejo e excitação, e apresenta alguns sinais típicos, como:
- Impossibilidade de introduzir tampões, dedos ou objetos
- Medo intenso da penetração
- Sensação de “barreira” ou “fecho” na entrada vaginal.
As causas mais frequentes para este problema são experiências traumáticas ou medo da dor, e uma educação sexual repressiva ou ausência de informação.
Mas também pode ser provocada por ansiedade, fobia sexual ou hipervigilância corporal.
É importante entender que o vaginismo não é uma escolha. É uma resposta involuntária do corpo que precisa de ser acolhida com respeito e cuidado.
O tratamento desta disfunção sexual feminina pode passar por fisioterapia especializada, terapia sexual e técnicas de relaxamento.
Disfunção sexual masculina: para além da performance
A disfunção sexual masculina é frequentemente reduzida à disfunção erétil, mas abrange outras dificuldades, como vamos ver de seguida…
Ejaculação precoce
A ejaculação precoce ocorre quando o orgasmo e a ejaculação acontecem mais cedo do que o desejado, geralmente com mínima estimulação e antes ou logo após a penetração.
É uma das disfunções sexuais masculinas mais comuns e que tem como causas possíveis as seguintes:
- Ansiedade de desempenho ou medo de falhar
- Primeiras experiências sexuais marcadas por pressa ou vergonha
- Hipersensibilidade peniana
- Desequilíbrios neuroquímicos (como baixos níveis de serotonina)
- Relações com pouca comunicação ou intimidade emocional.
Esta disfunção sexual pode ter um grande impacto emocional, gerando frustração e vergonha. E isso pode levar até a evitar o contacto íntimo.
Muitos homens com ejaculação precoce sentem-se “inadequados” ou “fora de controlo”, o que agrava ainda mais a ansiedade e o problema.
A abordagem terapêutica a estes casos inclui técnicas de controlo da excitação, terapia sexual e exercícios de respiração. Mas também pode ser preciso apoio farmacológico.
Ejaculação retardada
A ejaculação retardada é a dificuldade persistente em atingir o orgasmo, mesmo com estimulação adequada.
É uma disfunção sexual masculina que pode ocorrer de forma generalizada, ou apenas em certas situações, por exemplo, com a penetração, sem que aconteça durante a masturbação.
As causas mais comuns são as seguintes:
- Uso de antidepressivos
- Consumo excessivo de álcool
- Ansiedade, culpa ou repressão sexual
- Estímulo sexual condicionado (por exemplo, masturbação com pressão intensa ou em segredo)
- Problemas neurológicos ou hormonais.
Embora algumas pessoas tendam a dar-lhe pouca importância, a ejaculação retardada pode gerar frustração no casal, bem como uma sensação de “desligamento” emocional e dúvidas sobre a atração pelx parceirx.
O tratamento envolve “reeducação” sexual, técnicas de relaxamento, ajuste de medicação (quando aplicável) e, sobretudo, escuta emocional. A confiança e o tempo são aliados preciosos.

Desejo sexual reduzido
O desejo sexual reduzido é a diminuição ou ausência persistente de interesse por qualquer atividade sexual. Não se trata de “preguiça” ou “desinteresse pelx parceirx”, mas de um sintoma que pode ter múltiplas origens.
Alguns dos fatores envolvidos são:
- Stress crónico, burnout ou depressão
- Problemas de autoestima ou imagem corporal
- Relações afetivas desgastadas ou sem intimidade emocional
- Alterações hormonais (como défice de testosterona)
- Efeitos secundários de medicamentos.
Mas é importante perceber que o desejo sexual é cíclico e influenciado por fatores internos e externos. Não é constante nem igual para todos.
Quando estamos realmente perante uma disfunção sexual, algumas das soluções possíveis de tratamento são a terapia sexual e a avaliação hormonal.
Mas também se podem implementar práticas de autocuidado e reconexão com o prazer não genital (toque, afeto, fantasia). Porque, afinal, o desejo pode ser cultivado - com tempo, segurança e curiosidade.
Disfunção erétil
A disfunção erétil é a dificuldade em obter ou manter uma ereção suficiente para a atividade sexual.
É uma disfunção sexual masculina que pode ser ocasional (por cansaço ou stress) ou persistente, afetando a qualidade de vida e a autoestima da pessoa.
As causas físicas associadas a este problema são:
- Doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão
- Tabagismo, sedentarismo ou excesso de álcool
- Alterações hormonais (défice de testosterona).
Mas a disfunção erétil também pode ter causas emocionais, tais como:
- Ansiedade de desempenho
- Medo de falhar ou de não satisfazer o parceiro
- Depressão ou traumas sexuais.
Muitos homens associam a ereção à sua identidade masculina, o que pode gerar vergonha e isolamento. E até podem evitar a intimidade, o que releva o impacto emocional significativo desta disfunção sexual.
Quanto ao tratamento, deve ser personalizado e integrativo. Pode incluir avaliação médica e exames laboratoriais, mudanças no estilo de vida (exercício, alimentação, sono), terapia sexual e de casal, e suplementação ou medicação.
Caminhos para o bem-estar sexual
Apesar dos impactos significativos que uma disfunção sexual pode ter na vida de uma pessoa, a boa notícia é que pode ser tratada, compreendida e transformada.
Se estás a viver algum destes problemas, ou outros relacionados, eis algumas sugestões práticas…
1. Escuta ativa do corpo
Observa os sinais que o corpo te dá. Dor, desconforto, ausência de prazer ou ansiedade são alertas que merecem atenção.
2. Comunicação íntima
Falar sobre desejos, medos e limites com x parceirx fortalece a confiança e a conexão. Lembra-te de que a comunicação é uma parte fundamental na relação sexual.
3. Apoio especializado
Médicxs, terapeutas sexuais e psicólogxs podem ajudar-te a identificar causas e a propor soluções personalizadas para o teu problema.
Se já não estás a conseguir lidar com a disfunção sexual, nem sabes o que mais fazer, o melhor é procurar ajuda especializada.
4. Educação sexual
Conhecer o próprio corpo, os ciclos de resposta sexual e os fatores que influenciam o prazer é essencial para uma sexualidade consciente.
Então, trata de te tocar, de explorar as zonas erógenas que melhor funcionam para ti, para depois, poderes guiar x parceirx numa viagem de prazer satisfatório.
5. Suplementação e autocuidado
Em alguns casos, suplementos naturais podem ajudar a equilibrar hormonas, a reduzir o stress e a melhorar a resposta sexual.
Mas atenta que a escolha deve ser feita com orientação profissional.
Disfunção sexual e saúde emocional: uma ponte invisível
A sexualidade está profundamente ligada à saúde emocional. Assim, problemas como ansiedade, depressão, traumas ou baixa autoestima podem afetar a resposta sexual.
Da mesma forma, as disfunções sexuais podem gerar frustração, culpa ou afastamento emocional.
Por isso, cuidar da sexualidade é também cuidar da saúde mental. Terapias integrativas, práticas de mindfulness, movimento corporal e expressão emocional são aliados poderosos neste processo.
Então, a disfunção sexual não é um fim. É um convite à reconexão com o corpo, com o prazer e com a própria história. Cada pessoa merece viver a sua sexualidade com dignidade, liberdade e alegria.
Se sentes que algo não está bem e se te debates com alguma disfunção sexual, procura apoio. A tua saúde sexual é parte essencial do teu bem-estar e merece ser cuidada.