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| Sara Paiva | Saúde mental

Trauma sexual: quais os sintomas e como superar?

Muitas pessoas enfrentam, mesmo que de forma silenciosa, o trauma sexual. Pessoas trabalhadoras do sexo estão mais vulneráveis a sofrer desde trauma, devendo agir para superá-lo adequadamente.

Experiências de abuso, assédio e violência sexual, independentemente da altura da vida em que ocorra, deixa marcas profundas na saúde física, mas também emocional e mental das vítimas.

Aqui, vamos falar um pouco sobre o que é o trauma sexual, como ele se manifesta e o que deves fazer para superá-lo.

Que é o trauma sexual?

O trauma sexual diz respeito às experiências emocionais e físicas relacionadas a abusos e agressões de caráter sexual. Estas podem ocorrer:

  • Durante a infância, geralmente envolvendo abuso por parte de pessoas adultas e/ou próximas;
  • Na adolescência, através de assédios ou ameaças por parte de namoradxs, professorxs, ou outras figuras de autoridade;
  • Na idade adulta, por meio de violações ou agressões, podendo ser levadas a cabo por desconhecidxs, pelxs companheirxs, por pessoas que lideram cargos de chefia no trabalho, por clientes, entre outras.

Vivenciar estes momentos pode, certamente, comprometer a perceção do próprio corpo, além de afetar a autoconfiança e o bem-estar psicológico.

Facto é que o trauma sexual se apresenta como uma experiência que provoca um impacto emocional profundo, fazendo com que a vítima sofra de alterações na autoestima, na perceção do mundo, tal como na própria capacidade de estabelecer relações saudáveis.

O trauma sexual não se restringe ao momento da agressão. Este alarga-se às consequências emocionais de longo prazo sofridas pelas vítimas.

Sintomas de trauma sexual

Cada pessoa, na sua individualidade, vive e sente as experiências traumáticas de forma única. Contudo, há alguns sintomas comuns que podem indicar que alguém sofre de trauma sexual, entre eles:

Emocionais e comportamentais

Impactos na saúde mental

Físicos

Dificuldade em confiar nxs outrxs

Dificuldade em impor limites

Desconforto físico sem motivo aparente

Alterações de humor, como tristeza profunda ou irritabilidade

Depressão

Alterações no sono, como acordares noturnos e/ou insónias

Ansiedade e/ou ataques de pânico

Transtornos de ansiedade

Alterações no apetite

Falta de autoestima

Autoimagem negativa e insegura

Dores inexplicáveis

Reviver o evento em pesadelos, pensamentos obsessivos ou flashbacks

Perturbação de Stress Pós-Traumático (PSPT)

Problemas de saúde decorrentes do stress prolongado

Isolamento social

Dificuldade em ter relacionamentos saudáveis

Sentimento de culpa ou vergonha

Identificar o trauma sexual é o primeiro passo para a recuperação

jovem tapa a boca com a mão na qual tem escrito silêncio é violência

Reconhecer os sintomas de trauma sexual é essencial para identificar o problema. Não raras são as vezes que as vítimas nem sequer sabem que estão traumatizadas. Outras, por vergonha e medo de falar, permanecem em silêncio por anos, tendo de viver com o trauma e com todas as consequências deste. Nesse sentido, é crucial detetar os sinais o quanto antes e procurar ajuda

O silêncio prolongado pode agravar o trauma e as suas consequências, dificultando a recuperação.

Reconhecer que vives um trauma sexual permite-te:

  • Prevenir o agravamento de problemas físicos e emocionais;
  • Intervir precocemente, melhorando o prognóstico de recuperação;
  • Lutar contra o estigma social associado ao abuso sexual;
  • Apoiar outras pessoas vítimas de abuso e violência sexual.

Como superar o trauma sexual?

Qualquer pessoa que vive, ou viveu, uma experiência traumática, incluindo abuso ou violência sexual, demora o seu tempo para recuperar. Procurar ajuda profissional (psicólogx e/ou psiquiatra) mostra-se essencial.

Se sofres de trauma sexual:

  • Procura apoio psicológico — a terapia cognitivo-comportamental mostra-se muito eficaz na gestão dos efeitos do trauma, assim como na reestruturação de pensamentos negativos;
  • Participa de grupos de apoio — a partilha de experiências com outras pessoas que passaram pela mesma situação, ou semelhantes, vai ajudar-te a sentir maior conforto e esperança;
  • Dedica tempo ao autocuidado — faz atividades que te façam sentir bem e que promovam o teu bem-estar físico e emocional, como meditação, exercício físico e passatempos);
  • Respeita os teus limites — aceita que a recuperação é um percurso longo e que não é igual para todos;
  • Pratica mindfulness e outras técnicas de gestão de stress — técnicas de respiração, relaxamento e mindfulness vão ajudar a diminuir a ansiedade;
  • Reconhece o teu esforço — o processo de recuperação é lento, cheio de altos e baixos, mas é importante que reconheças cada passo que dás a caminho do teu bem-estar emocional.

Sabemos que podes estar a sentir muita vergonha e culpa neste momento. Mas lembramos que a vítima, independentemente da sua profissão, nunca tem culpa de um abuso.

Procura ajuda sem medo de seres julgadx.

Como apoiar uma pessoa com trauma sexual?

Se conheces alguém que passou por uma experiência de abuso ou violência sexual e desconfias que sofra de trauma sexual, o melhor que podes fazer é oferecer um espaço seguro e de aceitação.

  • Oferece colo e empatia — escuta ativamente, demonstra disponibilidade para ouvir sem julgar. Respeita o ritmo que a pessoa leva para desabafar e processar as informações no cérebro. Nunca uses expressões que possam fazer a pessoa sentir-se culpada ou envergonhada;
  • Cria um ambiente seguro e de confiança — mantém sempre uma atitude de aceitação e compreensão. Nunca minimizes o impacto do trauma na pessoa;
  • Respeita a privacidade — não divulgues a situação a outras pessoas. A privacidade da vítima é sempre uma prioridade. Não a pressiones a falar mais do que ela quer e oferece ajuda sem impor responsabilidades;
  • Incentiva a procurar apoio profissional — motiva a pessoa a procurar ajuda de uma pessoa profissional em Psicologia, Psiquiatria ou a frequentar centros de apoio.

A luta contra o trauma sexual, o assédio e a violência sexual

Lutar contra o trauma sexual é combater o assédio e a violência sexual. Este é um compromisso que deve ser assumido por toda a sociedade. É responsabilidade de cada um de nós contribuir para criar ambientes mais seguros, onde os abusos e as agressões não têm espaço para existir.

Assim, é fundamental educar a todxs sobre limites e consentimento. Da mesma forma que devemos impor limites, temos obrigação de respeitar os limites das outras pessoas. Ensinar, também sobre consentimento é passo fulcral para acabar com o abuso e a violência.

Não é não, sempre e em qualquer circunstância.

Em ambientes familiares, escolares e profissionais, deve promover-se a comunicação e o respeito corporal. Campanhas educativas e corporativas podem ajudar a sensibilizar sobre este tema.

É importante que seja, igualmente, fomentada uma cultura de apoio às vítimas, sem estigmas associados.

A culpa é sempre do agressor, nunca da vítima.

Se te sentes vítima, ou conheces alguém que possa estar nesta situação, lembra-te que procurar ajuda é um ato de coragem e esperança. Ninguém deve enfrentar o trauma sexual sozinhx. Juntxs seremos, sempre, mais fortes.