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pessoa intersexo a olhar para a direita sob fundo laranja e roxo

Pessoas intersexo: que é, desafios médicos e sociais, e direitos

| Sara Paiva | LGBTQIAPN+

A diversidade humana vai muito além das noções tradicionais binárias de masculino e feminino. Pessoas intersexo não encaixam no binarismo, uma vez que nascem com características sexuais que não se encaixam nas definições típicas de corpos masculinos e femininos.

Segundo a ONU, 1,7% da população mundial nasce com características intersexo.

A intersexualidade é uma expressão natural da diversidade e não uma doença. Aqui, vamos descobrir o que significa ser uma pessoa intersexo, os desafios que essas pessoas enfrentam e a importância da luta pelos seus direitos.

Pessoa intersexo: o que é

Ser uma pessoa intersexo significa que essa pessoa nasceu com características sexuais que não se encaixam nas características binárias (masculinas e femininas). Quando falamos de características sexuais, não falamos só dos órgãos genitais, mas também de padrões cromossómicos e de hormonas.  

Estas variações podem manifestar-se:

  • No nascimento — apresenta características físicas visíveis, como genitais atípicos;
  • Na puberdade — o corpo não passa pelas mudanças esperadas para o sexo que foi atribuído à nascença;
  • Na idade adulta — muitas vezes descobre-se ao tentar engravidar ou durante exames médicos.
A intersexualidade diz respeito apenas a características biológicas. Não define orientação sexual ou identidade de género.

Qual a diferença entre pessoa intersexo e hermafrodita?

Durante muito tempo, usou-se o termo “hermafrodita” para descrever pessoas com variações nas características sexuais. Contudo, esse termo é limitador e (muitas vezes) considerado pejorativo.

Na biologia, um organismo hermafrodita consegue produzir tanto óvulos como espermatozoides, o que não acontece nos seres humanos. Nesse sentido, o termo “intersexo” é mais correto e respeitoso, uma vez que engloba as diversas variações genéticas, hormonais e anatómicas.

Quais os desafios médicos e sociais enfrentados pelas pessoas intersexo?

O desconhecimento e o preconceito fazem com que pessoas intersexo enfrentem uma série de desafios ao longo da vida.

Durante muito tempo, a medicina e a sociedade tentaram “corrigir” estas variações para que as pessoas se encaixassem num padrão binário, muitas vezes logo após o nascimento.

Ainda hoje, muitas crianças e bebés passam por cirurgias estéticas e tratamentos hormonais sem o seu consentimento. Estes procedimentos são irreversíveis e podem causar traumas físicos e psicológicos.

Atualmente, várias organizações de direitos humanos, como a ONU, já classificam estas cirurgias precoces e não consentidas como violações dos direitos humanos. Defende-se, hoje, que as intervenções devem ser adiadas até que a pessoa tenha capacidade para decidir sobre o próprio corpo.

Esta “necessidade de fazer cumprir” normas binárias arrasta as pessoas intersexo para a invisibilidade, pois a sociedade tenta ignorar que existem estas variações, agravando, também, o preconceito.

Ora, o estigma, o preconceito e a discriminação dificultam o acesso à educação, à saúde e ao emprego das pessoas intersexo, as quais acabam por desenvolver baixa autoestima e vergonha do seu próprio corpo (que é natural).

Luta pelos direitos das pessoas intersexo

Antes de qualquer outra coisa, as pessoas intersexo lutam pelo direito à autonomia do seu próprio corpo. É fundamental assegurar que ninguém é forçado a alterar o seu corpo apenas para cumprir normas e expectativas sociais.

Assim, o movimento pelos direitos das pessoas intersexo reivindica:

  • Fim das cirurgias genitais e dos tratamentos médicos não vitais em bebés e crianças intersexo;
  • Reconhecimento legal;
  • Acesso a cuidados de saúde afirmativos;
  • Apoio psicológico adequado e livre de julgamentos;
  • Facilidade na alteração do registo civil;
  • Maior visibilidade da intersexualidade para combater a discriminação.

A diversidade humana devia ser celebrada (não castrada), até porque a diversidade não é um problema que tenha de ser resolvido. Todas as pessoas têm o direito de existir de forma autêntica e plena, mas a verdade é que muitas não o conseguem fazer.