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vacina contra HIV

Vacina contra a SIDA: já há cura para o HIV?

O HIV continua a ser um dos grandes desafios da ciência moderna, mas os avanços recentes, como a injeção semestral com lenacapavir, trazem uma esperança redobrada. Neste Dia Mundial da Vacina contra a SIDA, celebrado a 18 de maio, deixamos-te aqui o estado atual da investigação científica e quais as ferramentas que tens para prevenir a infeção.

Apesar dos grandes avanços na prevenção e na contenção do HIV, este é ainda um dos vírus mais temidos em todo o mundo.

Antes de qualquer alarmismo, sabe que é possível viver bem e por muitos anos com o vírus, desde que se faça o tratamento adequado. Então, antes de pensares que um teste positivo é uma sentença de morte, tranquiliza-te, pois é possível ter uma vida com qualidade.

Qual a origem do Dia Mundial da Vacina Contra a SIDA?

O Dia Mundial da Vacina Contra a SIDA (HIV Vaccine Awareness Day) é celebrado desde 1998, um ano após Bill Clinton (o então Presidente dos Estados Unidos da América) ter afirmado que apenas uma vacina preventiva eficaz podia limitar e eliminar a ameaça da SIDA.

Desde então, a data assinala-se com conferências científicas, campanhas de informação pública, debates sobre saúde e iniciativas de angariação de fundos para investigação, sendo um momento propício para agradecer a todas as pessoas que tornam a investigação possível, como:

  • Cientistas e investigadorxs;
  • Profissionais de saúde que acompanham ensaios clínicos;
  • Comunidades afetadas;
  • Voluntárixs que participam dos ensaios clínicos.

Ativistas e a luta contra o HIV

A luta contra o HIV não se prende apenas à investigação científica. Ela é uma luta por direitos humanos, por dignidade e por equidade — até porque há grupos que estão desproporcionalmente expostos ao risco de infeção por HIV, como pessoas trabalhadoras do sexo, pessoas que usam drogas injetáveis, homens que fazem sexo com homens e pessoas transgénero.

Estas comunidades enfrentam inúmeras barreiras de acesso à saúde, assim como estigma e discriminação. Ainda assim, elas são, muitas vezes, as primeiras a participar em ensaios clínicos e a exigir que os tratamentos cheguem a todas as pessoas e que estes sejam mais acessíveis.

Existe cura para a SIDA? O estado atual da investigação

Ainda não existe cura para a SIDA ou para a infeção pelo HIV. Contudo, há grande esperança! Os tratamentos antirretrovirais já permitem que uma pessoa com HIV viva uma vida saudável, com qualidade e longa, além de ficar com carga viral indetetável, ou seja, não transmite o vírus a outras pessoas.

Porque é tão difícil criar uma vacina contra o HIV?

A criação de uma vacina que impeça a infeção pelo HIV tem sido falada há décadas, mas a verdade é que este é um vírus particularmente desafiante, com características que tornam o desenvolvimento da vacina difícil:

  • Alta mutabilidade — o vírus sofre mutações rapidamente, escapando às defesas do sistema imunitário. Esta característica significa que uma vacina que funcione hoje, pode não funcionar amanhã;
  • Diversidade genética — há vários subtipos de HIV com grande divergência genética. Para que uma vacina seja eficaz, ela precisa ser ampla o suficiente para proteger contra todas as variantes;
  • Integração no ADN — o HIV integra-se no ADN das células da pessoa infetada, o que o torna invisível ao sistema imunitário.

Tecnologia mRNA na vacina contra o HIV

A tecnologia mRNA (permite “ensinar” o sistema imunitário a reconhecer e combater o vírus de forma mais eficaz) ficou amplamente conhecida no desenvolvimento das vacinas contra a COVID-19 e é, hoje, uma das abordagens mais promissoras na investigação de uma vacina contra o HIV.

Duas novas vacinas contra o HIV com tecnologia mRNA apresentaram excelentes resultados nos testes — 80% dos imunizados produziram anticorpos contra o vírus.

Na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, o grupo de investigação "HIV evolution, epidemiology, and prevention" está a desenvolver uma vacina baseada na tecnologia de self-amplifying RNA (saRNA) — o RNA que codifica o gene do HIV é amplificado dentro da célula, podendo tornar a expressão das proteínas mais duradoura.

A principal dificuldade é identificar um imunogénio que gere anticorpos neutralizantes de amplo espectro e que sejam duradouros, de modo que a vacina se torne universal.

Lenacapavir e o seu papel na prevenção do HIV

Se é certo que ainda não temos uma vacina eficaz contra o HIV, também é verdade que a prevenção do HIV tem tido avanços fabulosos. Exemplo disso é o medicamento lenacapavir — muitas vezes confundido com uma vacina, é um antirretroviral usado na Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).

Este medicamento, aconselhado pela OMS, é administrado através de uma injeção subcutânea apenas duas vezes por ano (a cada seis meses) e, nos ensaios clínicos, o lenacapavir demonstrou uma eficácia de quase 100% na prevenção da infeção pelo HIV por via sexual em adultos e adolescentes.

Atualmente, este medicamento é a melhor alternativa para nos protegermos do HIV. É um antirretroviral de longa duração e já demonstrou prevenir quase todas as infeções por HIV entre pessoas em risco.

Lenacapavir: qual o preço em Portugal?

A Agência Europeia de Medicamentos já aprovou o lenacapavir, mas ainda não foi incorporado no SNS, uma vez que ainda estão em fase de negociações de preços.

Nos Estados Unidos da América, o tratamento anual pode custar cerca de 40 000 dólares, o que se traduz num obstáculo significativo à prevenção da doença. Contudo, existe uma pressão para que as farmacêuticas cedam a patente e permitam a produção de versões genéricas a custos reduzidos.

PrEP: a prevenção do HIV que já existe em Portugal

Enquanto se espera que o lenacapavir seja uma realidade acessível a todas as pessoas, vale a pena ressaltar que em Portugal temos a PrEP oral incluída no SNS e é gratuita.

A PrEP é destinada a pessoas que não têm HIV, mas que estão em situação de maior risco de exposição, como é o caso das pessoas trabalhadoras do sexo.

Nota que nenhuma medida funciona sozinha em todas as situações. É importante que, a par da PrEP, faças uso recorrente de preservativo e que faças testes de rastreio a IST regulares.

Se tens dúvidas sobre a PrEP, o lenacapavir ou a tua saúde sexual, fala com umx profissional de saúde ou contacta uma organização de apoio. Lembra-te sempre de que não estás sozinhx (nem precisas de estar).