
Síndrome do choque tóxico: o que é, causas e sintomas comuns
A síndrome do choque tóxico (SCT) é uma condição de saúde rara, mas grave, que exige cuidados médicos imediatos. É essencial reconhecer os sinais de alerta desta síndrome, pelo seu desenvolvimento rápido, assim como pelas suas potenciais complicações (podendo mesmo ser fatal).
A SCT é uma doença sistémica grave, provocada pela libertação de toxinas bacterianas na corrente sanguínea. Se não for tratada imediatamente, pode ser fatal.
Aqui, vamos mostrar-te o que é a síndrome do choque tóxico, quais são as suas principais causas, os sintomas mais comuns e como podes prevenir o seu aparecimento.
O que é a síndrome do choque tóxico (SCT)?
A síndrome do choque tóxico é uma doença sistémica grave, potencialmente fatal, provocada pela libertação de toxinas bacterianas (produzidas, essencialmente pelas bactérias Staphylococcus aureus, Clostridium sordelli ou Streptococcus pyogenes) na corrente sanguínea.
Quando estas toxinas são libertadas, o sistema imunitário reage de forma intensa, desencadeando uma inflamação generalizada, a qual pode evoluir muito rápido, afetando vários órgãos.
A SCT é frequentemente classificada em dois tipos principais:
- Estafilocócica — pode ser menstrual ou não-menstrual; pessoas com vagina pré-colonizada por estafilococos e que deixam tampões ou outros dispositivos (como copos menstruais, dispositivos intrauterinos, contracetivos internos — diafragma) na vagina têm maior risco de desenvolver este tipo de SCT; tem uma incidência de 0,03 a 0,5 casos por 100 000 pessoas saudáveis (incluindo pessoas que não usam tampões); a mortalidade foi estimada em menos de 1% neste tipo de SCT.
- Estreptocócica — geralmente está associada a uma maior taxa de mortalidade (20 a 60%) (em crianças é de, aproximadamente, 28%); maior probabilidade de síndrome da angústia respiratória; fatores de risco deste tipo de SCT são:
- Pequeno trauma;
- Infeção viral (varicela, por exemplo);
- Procedimentos cirúrgicos;
- Diabetes;
- Uso de anti-inflamatórios não-esteroides (AINE);
- Idade (crianças e idosos).
Causas e fatores de risco
A síndrome do choque tóxico é provocada pelas bactérias Staphylococcus aureus, Clostridium sordelli ou Streptococcus pyogenes.
Estas bactérias estão naturalmente presentes no ambiente e, muitas vezes, na nossa pele e mucosas, sem que elas causem qualquer dano. No entanto, em algumas circunstâncias, encontram uma porta de entrada para o organismo, onde se multiplicam e libertam toxinas perigosas.
Síndrome do choque tóxico menstrual: os riscos de usar tampão
A associação mais conhecida desta doença é a síndrome do choque tóxico menstrual, que ocorre quando o Staphylococcus aureus se multiplica num ambiente propício, como aquele criado pelo uso prolongado de tampões.
Os riscos aumentam quando:
- Usa tampões superabsorventes, especialmente quando o fluxo menstrual é pouco;
- Usa o mesmo tampão por mais de 8 horas;
- Há microlesões na parede vaginal, facilitando a entrada das bactérias na corrente sanguínea.
O uso de outros dispositivos intravaginais, como o copo menstrual ou o diafragma, por exemplo, também aumentam o risco de desenvolver SCT, principalmente se não higienizar corretamente.
Sintomas de tampão esquecido
Um dos fatores de risco diretos para o desenvolvimento desta síndrome é a presença de um corpo estranho na vagina por muito tempo. Assim, esqueceres-te de tirar o tampão é, sem dúvida, motivo suficiente para desenvolveres SCT.
Os sintomas de tampão esquecido podem preceder a SCT e incluem:
- Odor vaginal muito forte e desagradável;
- Corrimento anormal;
- Comichão;
- Dor ou desconforto pélvico.
Causas e fatores de risco não-menstruais
A síndrome do choque tóxico não afeta apenas pessoas durante a menstruação. Como já dissemos, cerca de metade dos casos ocorre noutros contextos e pode afetar qualquer pessoa, independentemente do sexo biológico (incluindo crianças).
As causas e os fatores de risco mais comuns são:
- Feridas, cortes e/ou queimaduras na pele que não foram desinfetadas e tratadas adequadamente;
- Incisões cirúrgicas infetadas;
- Complicações após o parto;
- Aborto;
- Infeções cutâneas preexistentes (erisipela, por exemplo);
- Infeções respiratórias, sinusite ou mastite;
- Uso de tampão nasal para hemorragias.
Sintomas da SCT: sinais de alerta
O tratamento imediato da síndrome de choque tóxico é vital para um bom resultado. Assim, deves prestar atenção aos primeiros sinais (aparecem de forma súbita e agravam-se com rapidez):
- Febre alta e repentina (normalmente é superior a 39°C);
- Hipotensão (tensão muito baixa) — pode causar tonturas, desmaios e confusão mental;
- Erupção cutânea generalizada (parecida com uma queimadura do sol) — afeta, frequentemente, as palmas das mãos e as plantas dos pés;
- Descamação da pele das mãos e pés;
- Náuseas e vómitos;
- Diarreia;
- Vermelhidão intensa nas mucosas (olhos, boca, garganta, vagina);
- Dores musculares fortes (mialgias);
- Dores de cabeça;
- Dificuldade respiratória;
- Taquicardia.
Consequências e diagnóstico
Quando a síndrome do choque tóxico não é tratada rapidamente, a infeção pode evoluir para um choque séptico. A descida abrupta da pressão arterial compromete a irrigação sanguínea dos órgãos vitais, podendo levar à falência múltipla de órgãos, afetando os rins, o fígado, o coração e os pulmões.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseando-se na avaliação dos sintomas e no exame físico. Para confirmar a presença da infeção e identificar a bactéria responsável, são feitas:
- Análises ao sangue;
- Análises à urina;
- Culturas de tecidos infetados (como secreções vaginais ou exsudado de feridas);
- Exames de imagem (se necessário).
Como tratar a síndrome do choque tóxico (SCT)
Por ser muito grave e com evolução rápida do quadro clínico, o tratamento da SCT exige internamento hospitalar, frequentemente numa Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), onde se faz:
- Remoção imediata da fonte de infeção: retirada de tampão, diafragma ou outro dispositivo, e limpeza de feridas cirúrgicas ou cutâneas;
- Antibióticos intravenosos: administração de antibióticos de largo espetro para combater a infeção bacteriana;
- Estabilização hemodinâmica: administração de fluidos por via intravenosa e medicamentos para aumentar a pressão arterial;
- Suporte de órgãos vitais: pode ser necessário o uso de ventilação mecânica para ajudar a respiração ou de diálise (em caso de falência renal);
- Imunoglobulina intravenosa: em casos graves, pode ser administrada para reforçar a resposta imunitária e neutralizar as toxinas.
Como prevenir a SCT
A prevenção é sempre a melhor estratégia. Com algumas medidas simples no teu dia a dia, podes reduzir significativamente os riscos associados a esta condição.
Assim sendo, deves:
- Trocar o tampão regularmente — substitui o tampão a cada 4 a 8 horas, no máximo. Nunca deixes o mesmo tampão por mais tempo;
- Adequar a absorção ao fluxo — usa tampões com o menor nível de absorção necessário para o teu fluxo menstrual. Evita os tampões superabsorventes quando o fluxo é ligeiro;
- Alternar métodos — intercala o uso de tampões com pensos higiénicos ou cuecas menstruais, principalmente durante a noite;
- Lavar sempre as mãos — lava bem as mãos com água e sabão antes de inserir e após tirar qualquer dispositivo intravaginal;
- Cuidar das feridas — desinfeta cortes, arranhões e queimaduras de imediato. Mantém as feridas limpas e cobertas até cicatrizarem totalmente;
- Vigiar o pós-operatório — se fizeste uma cirurgia recentemente, segue as indicações médicas para o cuidado da incisão e fica atentx a sinais de vermelhidão, calor ou inchaço.
A síndrome do choque tóxico é uma emergência médica. Ao estares informadx sobre os riscos e os sintomas, podes agir rapidamente e proteger a tua saúde. Procura ajuda médica imediata se tiveres algum sinal de alerta de SCT.