Saltar para o conteúdo principal

Reduzir Riscos

pessoa com endometriose sentada na cama com as pernas dobradas e agarrada à barriga

Endometriose: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamentos

Saúde Reprodutiva

Endometriose

O que é, sintomas, diagnóstico e tratamentos — guia completo para compreender, identificar e gerir uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

A endometriose é uma doença que provoca muita dor física e, em alguns casos, é incapacitante. Na maioria dos casos não tem cura e o diagnóstico precoce é essencial para travar a sua progressão. Apesar disso, e de todo o sofrimento que causa, o diagnóstico é, muitas vezes, lento, causando frustração nas pessoas que sofrem com esta doença, até porque a dor passa a ser normalizada (quando nunca o deveria ser).

Estima-se que 1 em cada 10 pessoas com útero em idade reprodutiva sofram de endometriose — o que se traduz em cerca de 350 mil pessoas em Portugal (embora algumas fontes, como o Hospital da Luz, refiram um número bem superior) e mais de 190 milhões em todo o mundo.

De acordo com o Estudo VivEndo, realizado em Portugal com o apoio da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG) e da Associação MulherEndo, o atraso médio no diagnóstico da endometriose no nosso país é de 8 anos. Durante este tempo, quem sofre da doença ouve repetidamente que "as dores menstruais são normais", adiando o tratamento e permitindo que a doença progrida silenciosamente.

É importante dizer que a dor nunca pode ser normalizada. Não é normal sentir dor e, quando existe, deve ser investigada a sua causa. Se este é o teu caso, continua a ler este artigo. A informação é fundamental para saberes se algo não está bem no teu corpo.  

Endometriose: o que é

A endometriose é uma doença inflamatória crónica e estrogénio-dependente, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio (a mucosa que reveste a parede interna do útero) fora da cavidade uterina.

O endométrio normal cresce e espessa-se para preparar o útero para uma possível gravidez. Quando a gravidez não ocorre, este tecido descama e é expulso sob a forma de menstruação.

O problema da endometriose é que o tecido "ectópico" (fora do seu local normal) responde exatamente às mesmas flutuações hormonais. Ou seja, durante o ciclo, cresce, inflama e sangra. No entanto, como está localizado fora do útero, este sangue e tecido não têm como sair do corpo — ficam retidos, desencadeando uma resposta inflamatória local que resulta na formação de tecido cicatricial (fibrose), aderências (que "colam" os órgãos uns aos outros) e lesões ou quistos.

As localizações mais comuns destas lesões são na região pélvica, afetando:

  • Ovários (onde frequentemente formam quistos, conhecidos como endometriomas);
  • Trompas de Falópio;
  • Vagina;
  • Útero (adenomiose);
  • Áreas ao redor do útero;
  • Ligamentos uterossacros (que suportam o útero);
  • Bexiga e ureteres;
  • Intestino grosso (especialmente o reto e o cólon sigmoide).

Em casos mais raros, a endometriose pode atingir o umbigo, cicatrizes de cesarianas, o diafragma e até os pulmões.

Endometriose profunda e as suas implicações

Existem vários tipos de endometriose, os quais são baseados na profundidade e na localização das lesões. A endometriose profunda (ou endometriose infiltrativa profunda) é a forma mais grave da doença.

Estamos perante um quadro de endometriose profunda quando as lesões ou nódulos penetram mais de 5 mm abaixo da superfície do peritoneu (revestimento da pelve). Estas lesões são densas, duras e têm uma tendência grande para invadir órgãos vitais, como:

  • Intestino;
  • Bexiga; 
  • Ureteres;
  • Vagina;
  • Ligamentos uterossacros.

Sintomas da endometriose profunda

Os sintomas da endometriose profunda são muito severos (normalmente) e estão associados geralmente ao órgão que está a ser invadido. Assim:

  • Se atinge o intestino — dor muito forte ao defecar, cólicas intestinais violentas, episódios de diarreia alternados com obstipação severa, inchaço na barriga, e, em casos avançados, sangramento retal (retorragia);
  • Se atinge a bexiga ou ureteres — dor intensa quando a bexiga está cheia, dor ao urinar, idas mais recorrentes à casa de banho para urinar, presença de sangue na urina (hematúria) durante o período e infeções urinárias de repetição sem presença de bactérias nas análises;
  • Se atinge os nervos pélvicos (como o nervo ciático) — dor que irradia para as nádegas, pernas ou região lombar, agravando-se com a menstruação;

Outros sintomas comuns na endometriose profunda:

  • Dor pélvica crónica severa — dor constante e intensa no fundo da barriga, que não cede com analgésicos e anti-inflamatórios comuns;
  • Dispareunia profunda — dor muito intensa durante as relações sexuais, a ponto de impossibilitar a vida sexual.

Endometriose profunda pode matar?

A endometriose é uma doença benigna, ou seja, as suas células não são cancerígenas. No entanto, o seu comportamento pode ser extremamente agressivo, uma vez que pode invadir outros órgãos que são vitais.

Embora seja muito raro a doença ser diretamente fatal, a endometriose profunda não tratada pode trazer complicações graves, as quais podem pôr a vida ou a função de órgãos em risco. Por exemplo:

  • A infiltração profunda nos ureteres pode bloqueá-los de forma silenciosa. Sem dor aparente, a urina acumula-se no rim (hidronefrose), podendo levar à perda total e irreversível da função renal;
  • A invasão severa do intestino pode causar uma obstrução intestinal aguda, uma emergência médica que requer cirurgia imediata para evitar a perfuração do intestino;
  • Existe também uma associação entre endometriomas (quistos de endometriose nos ovários) e um tipo raro de cancro do ovário (carcinoma de células claras).

A endometriose profunda pode causar danos graves e irreversíveis. Por isso, esta doença requer um acompanhamento médico rigoroso e multidisciplinar, e o diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para garantir o bem-estar e a qualidade de vida de pacientes com endometriose.

Adenomiose e endometriose: qual a diferença?

A adenomiose é uma doença muito similar à endometriose. A diferença é que, enquanto na endometriose o tecido cresce fora do útero, na adenomiose o tecido cresce e infiltra-se dentro da parede muscular do útero (miométrio).

Principais diferenças entre adenomiose e endometriose:

Endometriose

Adenomiose

Localização

Fora do útero (ovários, intestino, bexiga, etc.)

Dentro da parede muscular do útero

Sintomas principais

Dor pélvica, dispareunia, sintomas intestinais/urinários

Menstruações muito abundantes, útero aumentado, dor pélvica

Diagnóstico

Ecografia, ressonância magnética, laparoscopia

Ecografia transvaginal, ressonância magnética

Tratamento

Hormonal ou cirúrgico

Hormonal, DIU ou histerectomia (em casos graves)

Fertilidade

Pode reduzir a fertilidade

Pode reduzir a taxa de implantação embrionária

A adenomiose e a endometriose coexistem, muitas vezes, na mesma pessoa, o que agrava a severidade dos sintomas e torna o tratamento mais complexo.

O que causa endometriose

Ainda não se encontrou uma causa direta para a endometriose, e existem várias teorias médicas para esta doença que ainda estão em cima da mesa. Uma das mais debatidas é a da menstruação retrógrada (também conhecida como teoria de Sampson): durante a menstruação, parte do fluxo menstrual retrocede pelas trompas de Falópio em direção à cavidade pélvica (onde as células endometriais se implantam e crescem).

Contudo, a menstruação retrógrada ocorre em 76 a 90% das pessoas com útero, mas apenas uma pequena percentagem desenvolve endometriose, o que indica que outros fatores estão presentes, como:

  • Predisposição genética — se alguém da família próxima tem endometriose, o risco de se desenvolver a doença aumenta;
  • Disfunção do sistema imunitário — o sistema imunitário pode não reconhecer e destruir o tecido endometrial fora do útero;
  • Metaplasia do epitélio celómico — células normais que revestem os órgãos abdominais transformam-se em células endometriais por estímulos inflamatórios ou hormonais;
  • Fatores ambientais — a exposição a desreguladores endócrinos, como as dioxinas, tem sido associada a um maior risco;
  • Fatores reprodutivos — menarca precoce, ciclos menstruais curtos, menstruações abundantes e prolongadas, e nunca ter tido filhos estão associados a risco mais elevado.

Quais os sintomas e sinais de endometriose?

A endometriose é frequentemente chamada de "doença camaleão", porque os seus sintomas variam muito de pessoa para pessoa e podem confundir-se com os de outras condições, como a síndrome do intestino irritável ou a doença inflamatória pélvica (DIP).

O sintoma central (e o mais debilitante) é a cólica menstrual muito intensa (dismenorreia severa) que começa dias antes da menstruação e pode durar vários dias (muitas vezes, a dor não alivia com analgésicos ou anti-inflamatórios). Se a tua dor te impede de fazer atividades rotineiras ou de trabalhar, é um sinal de alerta.

A intensidade da dor não é proporcional à extensão da doença. Podes ter dores incapacitantes com uma endometriose ligeira, assim como não ter praticamente sintomas nenhuns com uma endometriose grave.

Outros sintomas comuns incluem:

  • Dispareunia profunda — dor intensa e profunda durante e/ou após as relações sexuais com penetração;
  • Dor pélvica crónica — dor constante e persistente (que dura há mais de 6 meses) no fundo da barriga ou na região lombar (independentemente do ciclo menstrual);
  • Problemas digestivos — dor aguda ao evacuar (disquesia), obstipação, diarreia, cólicas intestinas ou náuseas (quadro que se agrava durante a menstruação);
  • Disúria — dor ou ardor ao urinar, sensação de bexiga pesada ou necessidade frequente de ir à casa de banho (especialmente durante a menstruação);
  • Fadiga crónica — cansaço extremo e inexplicável, exaustão, que piora na menstruação;
  • Alterações no fluxo menstrual — menstruação muito abundante (menorragia) ou perdas de sangue de cor escura fora do período menstrual (spotting);
  • Infertilidade ou dificuldade em engravidar — em algumas pessoas, este pode ser o primeiro sinal detetado.

Barriga de endometriose: o que é

Outro dos sintomas comuns da endometriose é o inchaço abdominal. É tão frequente que foi apelidado de “barriga de endometriose” ou “endo belly”.

Durante as crises, a barriga pode inchar de tal forma que a pessoa parece estar grávida de vários meses. O inchaço pode surgir de repente, ao longo do dia, e é frequentemente acompanhado de dor e desconforto intensos. Geralmente, o inchaço ocorre na segunda metade do ciclo menstrual (à medida que as alterações hormonais fazem aumentar os sintomas).

A barriga de endometriose pode ser causada pela inflamação sistémica gerada pelas lesões, associada à retenção de líquidos na cavidade pélvica, ao envolvimento do intestino pela doença e à disbiose intestinal (desequilíbrio da flora intestinal).

Como diminuir a barriga de endometriose?

Para diminuir a barriga de endometriose, é essencial fazer alterações no estilo de vida e na alimentação (sempre complementar ao tratamento médico). Se sofres com este sintoma, deves:

  • Adotar uma dieta anti-inflamatória — ingere mais alimentos ricos em ómega-3 (sementes de linhaça e chia, peixes gordos), antioxidantes (frutos vermelhos, gengibre, entre outros) e vegetais. Reduz, também, o consumo de alimentos processados, açúcar refinado, álcool e gorduras saturadas;
  • Eliminar alimentos prejudiciais — muitas pessoas com endometriose sentem o sintoma agravar-se com alimentos específicos, como aqueles com glúten, carne vermelha e laticínios. Faz um diário alimentar para te ajudar a identificar os alimentos que agravam os teus sintomas;
  • Aumentar o consumo de fibras e água — uma boa hidratação e uma alimentação rica em fibras evita a obstipação;
  • Ingerir chás digestivos — experimenta beber infusões de gengibre, funcho ou hortelã-pimenta;
  • Fazer fisioterapia pélvica — pode ajudar a relaxar os músculos do pavimento pélvico, reduzir as aderências superficiais e melhorar a mobilidade abdominal;
  • Fazer exercício físico moderado — atividades como pilates, ioga ou natação podem reduzir a inflação e melhorar o bem-estar geral.
Estas medidas são complementares ao tratamento, mas não o substituem. Procura ajuda médica e segue o tratamento prescrito.

Como saber se tenho endometriose?

Se reconheces em ti algum dos seguintes sinais, é importante procurar ajuda médica especializada. É importante teres acompanhamento precoce, pois, quanto mais cedo tiveres o diagnóstico, menos a doença progride. Não esperes que a dor se torne insuportável para procurar ajuda.

Sinais de alerta:

  • Dores menstruais que não melhoram com ibuprofeno ou outros analgésicos comuns;
  • Dor durante ou após as relações sexuais com penetração;
  • Dor ao urinar ou ao evacuar, especialmente durante o período;
  • Menstruações muito abundantes ou com coágulos grandes;
  • Fadiga extrema associada ao ciclo menstrual;
  • Dificuldade em engravidar após 6 a 12 meses de tentativas;
  • Inchaço abdominal persistente ou cíclico (barriga de endometriose);
  • Dor pélvica crónica que dura mais de 6 meses.

No já mencionado estudo VivEndo, 80,4% das pessoas com endometriose em Portugal afirmam que, pelo menos, umx dxs médicxs que as viu afirmou que as dores que sentem são normais.

Não são!

Se as tuas dores não são consideradas, procura outra opinião médica. A dor merece ser investigada e tratada.

Como diagnosticar endometriose?

O diagnóstico da endometriose é feito a partir da história clínica (histórico familiar e sintomas), exame físico e exames de imagem. Em alguns casos, pode fazer-se um procedimento cirúrgico para confirmar a suspeita da doença.

Exames de imagem para diagnosticar endometriose

Apesar da grande evolução dos exames de imagem, a eficácia ainda depende muito da experiência da pessoa que os realiza. A verdade é que uma ecografia “normal” não exclui endometriose. É fundamental que esta seja feita por uma pessoa especialista em endometriose.

A ecografia pélvica transvaginal ainda é o exame preferido para o diagnóstico, uma vez que é eficaz na deteção de endometriomas e de lesões de endometriose profunda no intestino, bexiga e ligamentos.

Quando a ecografia não é conclusiva, faz-se uma ressonância magnética pélvica. Este exame de imagem permite mapear com precisão lesões de endometriose profunda muito complexas, além de ser útil para planear uma cirurgia.

Laparoscopia para diagnosticar endometriose

A laparoscopia é uma cirurgia minimamente invasiva, em que se introduz uma câmara minúscula através do umbigo. Desta forma, é possível visualizar diretamente toda a cavidade pélvica, avaliar a extensão da doença e recolher biópsias do tecido para confirmar o diagnóstico de endometriose.

A grande vantagem da laparoscopia é que permite diagnosticar e remover as lesões no mesmo momento.

Geralmente é um procedimento rápido, mas, dependendo da extensão da doença, pode durar algumas horas.

Tipos de lesões de endometriose

As lesões de endometriose não têm todas o mesmo aspeto e variam muito de acordo com o tipo de lesão:

Lesões superficiais, peritoneais

As lesões superficiais, peritoneais, são as mais comuns e estão localizadas no peritoneu. São lesões pequenas e superficiais, cuja invasão não ultrapassa os 5 mm.

Estas podem assumir diferentes aspetos:

  • Vermelhas ou rosadas — são lesões ativas, altamente vascularizadas, que se assemelham ao endométrio. Estas são frequentemente hemorrágicas, rodeadas por reação inflamatória;
  • Acastanhadas ou negras — lesões antigas apresentam uma cor acastanhada ou um aspeto de microcistos negros;
  • Esbranquiçadas —indicam um processo de cicatrização.

Endometriomas ováricos

As lesões quísticas dos ovários, ou endometriomas ováricos, são lesões hemorrágicas que podem variar entre alguns mm e vários cm. Elas encistam sob o parênquima ovárico e deslocam-no progressivamente.

Resultam da invaginação intraovariana de uma lesão na superfície do ovário, ou seja, a lesão inicia na superfície do ovário e infiltra-se no interior do ovário progressivamente.  

Lesões profundas, subperitoneais

São lesões duras e fibrosas que penetram mais de 5 mm no peritoneu e tendem a infiltrar-se nos órgãos circundantes (intestino, bexiga, ureteres), comportando-se de forma agressiva.

Qual o tratamento para a endometriose?

Não existe um tratamento único para a endometriose, devendo este ser personalizado, dependendo da intensidade da dor, da localização das lesões, da idade, do desejo de engravidar e dos efeitos secundários dos medicamentos.

Sabendo que a endometriose se “alimenta” de estrogénios e se agrava com a menstruação, uma das principais indicações para todas as pessoas com endometriose é suspender a menstruação (induzir a amenorreia) e bloquear as flutuações hormonais. Desta forma, conseguem controlar-se as lesões e reduzir a inflamação.

Sendo assim, é comum ser prescrita a pílula combinada (contínua) para pessoas com dor moderada e que não desejem engravidar no curto prazo.

Progestativos, como o Dienogest/Visanne, são recomendados para pessoas com dor moderada a severa. É um tratamento a longo prazo que inibe o crescimento do endométrio.

Pessoas com dor pélvica e adenomiose associada podem ver melhorias com o DIU hormonal. Já aquelas com dor severa ou em fase pré-cirúrgica podem beneficiar com análogos da GnRH (induz menopausa temporária).

Qual a melhor pílula para endometriose em Portugal?

A pílula Dienogest (comercializada como Dimetrum, Visanne, Zafril, entre outros) é uma das opções médicas para a endometriose, como mencionado no artigo Dienogest in endometriosis treatment: A narrative literature review. Este progestativo revelou grande eficácia na redução da dor pélvica, assim como na atrofia das lesões de endometriose.

Embora tenha excelentes resultados, a melhor pílula é aquela que se adequa melhor ao perfil clínico da pessoa com endometriose. O tratamento deve ser individualizado e, assim, não há uma solução igual para todas as pessoas.

Na escolha da pílula, deve ter-se em conta:

  • História clínica;
  • Sintomas;
  • Desejo (ou não) de engravidar;
  • Tolerância a possíveis efeitos secundários;
  • Custo e disponibilidade do medicamento.

Como complemento a outros tratamentos, podem ser prescritos analgésicos e anti-inflamatórios para alívio sintomático da dor (ligeira a moderada).

Cirurgia para tratar endometriose

A cirurgia para tratar a endometriose está indicada quando os tratamentos não conseguem controlar a dor, em casos de endometriose profunda que ameaça o funcionamento de órgãos (como o intestino e os rins), quando existem quistos ováricos muito grandes, ou para melhorar a fertilidade.

Geralmente, esta cirurgia é feita por videolaparoscopia, em que x cirurgiãx remove todas as lesões visíveis de endometriose, liberta aderências e restaura a anatomia normal da pelve.

A cirurgia:

  • É feita sob anestesia geral;
  • Tem uma duração variável, podendo ir de 1 hora a 5 ou mais horas, dependendo das lesões e do envolvimento de outros órgãos;
  • Pode requerer ressecção intestinal, com participação de cirurgiãx colorretal, em casos de endometriose profunda com envolvimento intestinal;
  • Tem uma recuperação relativamente rápida (entre 1 e 4 semanas, dependendo da complexidade).

Regra geral, recomenda-se manter o tratamento hormonal após a cirurgia, para prevenir a recorrência de lesões.

Riscos da cirurgia para tratar a endometriose

Todas as cirurgias, por muito simples que sejam, têm riscos, e a laparoscopia para o tratamento da endometriose não é exceção. Assim, é possível haver:

  • Hemorragia;
  • Infeção;
  • Lesão de órgãos adjacentes;
  • Complicações decorrentes da anestesia.

Cirurgias de endometriose profunda complexa acarretam riscos mais altos, pelo que devem ser feitas em centros especializados com equipas multidisciplinares.

Endometriose tem cura? Como curar endometriose?

Não há cura definitiva para a endometriose, mas é uma doença tratável. O tratamento não pretende curar, mas:

  • Eliminar ou reduzir significativamente a dor;
  • Travar a progressão das lesões;
  • Evitar danos nos órgãos;
  • Preservar ou restaurar a fertilidade;
  • Devolver qualidade de vida e bem-estar.

Uma pessoa com endometriose pode engravidar?

Muitas pessoas com endometriose enfrentam dificuldades em engravidar. O Estudo VivEndo revelou que 77,7% das pessoas que tentaram engravidar tiveram dificuldades, e 51,4% recorreram a tratamentos para conseguir uma gravidez.

Existem várias razões para a fertilidade ser prejudicada pela doença, entre as quais destacamos:

  • As aderências severas podem bloquear as trompas de Falópio, impedindo que o espermatozoide alcance o óvulo;
  • Os endometriomas ováricos podem, igualmente, danificar o tecido saudável do ovário e reduzir a quantidade de óvulos disponíveis;
  • A inflamação resultante da endometriose torna o ambiente pélvico tóxico para os espermatozoides, para os óvulos e para a implantação do embrião no útero;
  • Quando a endometriose coexiste com adenomiose, a implantação embrionária é ainda mais difícil. De acordo com o estudo Impact of adenomyosis and endometriosis on IVF/ICSI pregnancy outcome in patients undergoing gonadotropin-releasing hormone agonist treatment and frozen embryo transfer, pessoas com endometriose e adenomiose apresentam uma taxa de gravidez clínica significativamente inferior (22,72%) à de pessoas apenas com endometriose (36,62%).

Apesar da maior dificuldade, quem tem endometriose pode engravidar. Pessoas com formas ligeiras a moderadas da doença conseguem engravidar com mais facilidade.

Pessoas com muitas dificuldades em engravidar podem beneficiar da cirurgia para remoção das lesões, uma vez que melhora a taxa de gravidez espontânea. Quando a cirurgia não resolve ou quando a reserva de óvulos já está comprometida, pode optar-se por tratamentos de fertilidade.

Se sofres de endometriose, discute a preservação da fertilidade com x médicx que te acompanha.

Qual o impacto da endometriose na qualidade de vida?

A endometriose tem impacto físico, emocional e social profundo, principalmente porque a dor é tamanha que impossibilita viver normalmente e manter rotinas.

Assim, a doença interfere em:

  • Trabalho e estudos — a dor crónica e a fadiga levam a que pessoas com endometriose faltem ao trabalho/escola e vejam a sua produtividade baixar;
  • Saúde mental — a demora do diagnóstico, a dor constante e a não valorização da dor por parte dxs profissionais de saúde podem gerar ansiedade, isolamento social e depressão.
  • Sexualidade e relacionamentos — a dor sentida durante as relações sexuais (dispareunia) gera medo, evitamento da intimidade e, consequentemente, tensão nos relacionamentos conjugais. De acordo com o Estudo VivEndo, o impacto na vida sexual e o impacto psicológico são os fatores que mais afetam a vida das pessoas com endometriose;
  • Vida social — uma pessoa com endometriose não sabe quando as crises de dor surgem. Muitas evitam viagens, passeios ou convívios fora de casa pela imprevisibilidade das crises.

Perguntas frequentes sobre endometriose (FAQ)

Dores menstruais intensas são normais?

Não. Não é normal ter dores menstruais que incapacitam e que não passam com analgésicos.

Todas as pessoas com endometriose sentem dor?

Não. Algumas pessoas não apresentam sintomas, descobrindo a doença durante exames de fertilidade (muitas vezes pela dificuldade em engravidar).

A endometriose pode ser confundida com outras doenças?

Sim. Os sintomas da endometriose sobrepõem-se frequentemente aos da síndrome do intestino irritável (SII), da doença inflamatória pélvica (DIP), dos miomas uterinos e de outras condições ginecológicas. Esta sobreposição é uma das principais razões para o atraso no diagnóstico.

A endometriose é uma doença rara?

Não. Esta doença afeta 1 em cada 10 pessoas com útero em idade reprodutiva.

A endometriose só afeta pessoas adultas?

Não. A doença pode surgir desde a primeira menstruação.

Existe relação entre endometriose e cancro?

A endometriose é uma doença benigna. No entanto, vários estudos científicos, como o de Yue Sun e Guoyan Liu ou o de K.S. Kim et al., apontam uma forte associação entre a endometriose e o aumento do risco de cancro do ovário.

Engravidar cura a endometriose?

Não. A gravidez até pode suprimir os sintomas, mas é algo temporário e não cura a doença. Os sintomas regressam após o parto.

A histerectomia cura a endometriose?

Sim, se a endometriose estiver restrita ao útero. Caso existam lesões fora do útero, estas podem persistir após a remoção do útero.

A pílula cura a endometriose?

Não. A pílula controla os sintomas, mas não remove as lesões causadas pela endometriose.

A endometriose melhora com a menopausa?

Na maioria dos casos, sim. Como a endometriose é dependente dos estrogénios, a menopausa natural (que reduz drasticamente os níveis de estrogénio) tende a levar à regressão das lesões e ao alívio dos sintomas. No entanto, em mulheres que fazem terapia hormonal de substituição após a menopausa, a doença pode reativar-se.

Posso fazer exercício físico com endometriose?

Sim, e é altamente recomendado. O exercício físico moderado e regular tem efeitos anti-inflamatórios e pode ajudar a reduzir a dor crónica. Opta por atividades de baixo impacto, como ioga, pilates, natação e caminhada. Evita exercícios de alto impacto durante as crises de dor.

A endometriose afeta apenas pessoas com útero?

Não. A endometriose afeta principalmente pessoas com útero, mas a evidência científica documenta a sua ocorrência noutras populações. De acordo com o estudo Endometriosis in Transgender Men: Bridging Gaps in Research and Care—A Narrative Review, em homens trans (pessoas designadas do sexo feminino à nascença que se identificam como homens), a prevalência estimada é de cerca de 25%, sendo que 32% dos que reportam dor pélvica recebem um diagnóstico de endometriose.

Em homens cisgénero, a endometriose é muitíssimo rara, como refere o estudo Endometriosis in a Man as a Rare Source of Abdominal Pain: A Case Report and Review of the Literature, estando apenas documentados 16 casos na literatura médica mundial, a maioria associada a terapia prolongada com estrogénios (por exemplo, no tratamento do cancro da próstata), cirrose hepática ou, mais raramente, a alterações hormonais secundárias à obesidade.

A dor não deve ser desvalorizada: procura ajuda

A endometriose é uma doença que pode condicionar a tua vida. A dor não deve ser desvalorizada (nem por ti nem pelxs profissionais de saúde). Com o diagnóstico certo e o tratamento adequado, a dor associada à doença pode ser gerida com eficácia.

Se sentes dor e reconheces em ti os sintomas descritos acima, procura ajuda médica especializada. Quanto mais cedo tiveres o diagnóstico, menos a doença progride e mais rápido recuperas a tua qualidade de vida.

Continuar a ler

Preservativos

Reduzir Riscos

Preservativos

O preservativo ou camisinha é um dos métodos contracetivos mais conhecidos em todo o mundo e dos mais eficazes para prevenir infeções transmitidas pela via sexual, mas também para evitar uma gravidez não planeada.

Aprende a escolher o melhor para ti, a colocar e o que deves fazer se rebentar.

O preservativo é um método de barreira eficaz na prevenção de infeções sexualmente transmissíveis. Além disso, é um material a que, normalmente, consegues aceder de forma fácil e gratuita. No território nacional existem algumas equipas que distribuem preservativos –  podes consultá-las neste mapa.

parede com folhas

Como surgiu o preservativo?

Existem relatos da existência do primeiro preservativo na Idade Média, altura em que estes protetores sexuais eram feitos de linho, tripas de animais ou até de bexigas de peixe.

Desde essa altura, muitas coisas evoluíram e, desde que se tornou possível produzir látex – por volta de 1920 – que surgiram os primeiros preservativos, mais confortáveis, finos e moldáveis.

Apesar de não ter tido grande impacto nos hábitos da época, com o aparecimento do fenómeno da SIDA, a implementação do uso do preservativo e a perceção dos seus benefícios na proteção contra o VIH foram inegáveis.

Nos dias de hoje, é possível encontrar preservativos de diferentes materiais, tamanhos, lubrificação diversa e até formas e cores que se adaptam a todas as situações.

Há vários métodos preventivos que podes usar para prevenires uma infeção. O preservativo externo (ou masculino) é o mais utilizado, mas existem outras opções, tais como o preservativo interno, por exemplo.

Escolhe o melhor preservativo para ti

O preservativo que usas deve ser uma questão de escolha pessoal. É importante que te faça sentir confortável e protegidx durante a relação sexual.

Existem algumas opções mais viáveis para certas práticas:

  • Por exemplo, no sexo anal é importante que uses um preservativo extra-forte, porque é uma prática mais vigorosa e, por isso, requer um material mais resistente. O mesmo pode aplicar-se com umX parceirx sexual com um pénis grande.
  • No sexo vaginal ou anal é recomendado que não uses preservativos de sabores, porque podem criar irritação nessas zonas.
  • Por outro lado, usar um preservativo de sabores no sexo oral pode tornar a experiência mais agradável.

Dicas para garantir que o preservativo está em boas condições

  • Verifica sempre a data de validade.
  • Averigua o estado da embalagem: aperta-a para perceberes se tem ar. Se não tiver ar, é sinal de que a embalagem está perfurada, tal como pode, igualmente, estar perfurado o preservativo. Nesse caso, aconselhamos-te a usar outro.
  • Os preservativos ficam em más condições com a exposição ao calor e à luz solar. É importante que os guardes num local fresco. O porta-luvas do carro e a tua carteira não são os melhores locais para o fazeres.

O preservativo pode ser externo (mais conhecido como masculino) ou interno (usualmente chamado de preservativo feminino).

Embora seja mais comum o uso do preservativo externo, o interno pode ser uma mais-valia em certas situações:

  • Pode ser colocado até 8 horas antes de a relação sexual começar, enquanto que, para usares o preservativo externo, o pénis tem de estar ereto. Imagina que x teu/tua parceirx sexual tem dificuldades em manter a ereção no momento em que vais colocar o preservativo externo – tens aqui uma boa opção para contrariar isso.
  • Pode ser utilizado para proteger o sexo oral tanto na zona vaginal como na zona anal.
  • No caso das infeções que se transmitem pelo contacto, como o HPV e a sífilis, é mais seguro, porque protege uma área que o preservativo externo não cobre.
  • Se estiveres com o período, também é uma ótima opção, porque impede que o fluxo menstrual passe para a relação sexual.

Regras para evitares que o preservativo rebente

  • Nunca usar dois preservativos ao mesmo tempo (mesmo que sejam um interno e outro externo), porque estes roçam um no outro, o material aquece e há maior risco de rebentar.
  • Nunca uses lubrificantes gordurosos como a vaselina, óleos de massagens ou outros. Os lubrificantes devem ser compatíveis com o látex. Lubrificantes gordurosos fazem com que o látex aqueça, aumentando o risco de o preservativo rebentar.
  • Se usares produtos de base oleosa para massagem, antes da colocação do preservativo retira a gordura das tuas mãos.
  • Evita abrir a embalagem com os dentes, unhas ou outros objetos cortantes, para não danificares o preservativo.
  • Garante sempre que não fica ar na ponta e que o preservativo não fica todo puxado para trás. Durante a penetração, o pénis precisa de espaço para deslizar e no momento da ejaculação é necessário um reservatório para o esperma.
  • Se a relação sexual for duradoura, o ideal será substituíres o preservativo. Caso não seja possível, utiliza bastante lubrificante.

Como usar o preservativo durante o teu trabalho?

  • Não uses um preservativo que x cliente traga, a não ser que verifiques atentamente em que condições está. Além disso, é importante que sejas tu a colocar-lhe o preservativo, para evitar que haja alguma tentativa de sabotagem da prática segura.
  • Espera que o pénis esteja ereto para colocares o preservativo externo – caso contrário, não conseguirás desenrolar corretamente o preservativo, podendo este facilmente sair durante a penetração.
  • Se o cliente for não circuncisado, terás de puxar o prepúcio para trás antes de colocares o preservativo.
  • Se vais usar um preservativo externo, não uses lubrificante diretamente no pénis, porque pode fazer com que o preservativo escorregue e saia, aumentando o risco de ficar dentro de ti.
  • Se vais usar um preservativo interno, vai colocando lubrificante dentro do preservativo ou diretamente no pénis para tornar a relação mais confortável.
  • Se sentires que alguma coisa não correu bem na colocação do preservativo, retira-o e coloca outro. Leva o tempo que precisares e confia na tua intuição.
  • Se mudares de zona de penetração, tenta mudar de preservativo. Evita ao máximo passar do sexo anal para o vaginal ou oral sem trocares de preservativo.
  • O preservativo interno também pode ser utilizado na prática de fisting (penetração com mão e antebraço) e feeting (penetração com pé).
  • Usa sempre preservativo nos brinquedos sexuais e não os partilhes.

Preservativo feminino versus masculino

O preservativo feminino ou interno é um método contracetivo de barreira que foi inicialmente pensado para ser introduzido no interior da vagina, impedindo a troca de fluidos. No entanto, a sua utilização tem sido popularizada com sucesso entre a comunidade de homens que têm sexo com homens.

O preservativo interno possui algumas vantagens relativamente ao preservativo masculino ou externo.

O principal benefício é a possibilidade de ser colocado minutos ou até 8 horas antes da relação sexual. Desta forma, não é necessário esperar que o pénis esteja ereto, nem há necessidade de existir uma quebra para a colocação do preservativo.

Para as pessoas que sentem o pénis apertado ou algum desconforto ao usar o preservativo externo, o preservativo feminino pode ser uma excelente solução.

Muitas pessoas questionam-se sobre como colocar o preservativo feminino, mas, apesar da sua forma menos convencional, a maioria dos modelos consiste num tubo com um anel flexível em cada uma das extremidades: um dos anéis permite a inserção do tubo e impede que este saia do lugar, enquanto o anel da outra extremidade impede que o preservativo seja empurrado para dentro durante a relação sexual – o que o torna muito seguro.

Além disso, o facto de ser de poliuretano faz com que seja perfeito para as pessoas que são alérgicas ao látex.

O preservativo masculino, por outro lado, está mais popularizado e é mais fácil de colocar, desde que o pénis esteja devidamente ereto, mas também pode ser desconfortável e romper mais facilmente.

Quanto custa o preservativo feminino?

São poucas as farmácias que vendem este preservativo, mas encontra-se normalmente disponível nas sex shop.

Porém, o seu preço – que costuma variar entre os 2 e os 5€ – faz com que muitas pessoas não o utilizem, sendo muito mais caro do que o masculino.

O que recomendamos é que te dirijas a uma das associações e ONGs que se encontram no nosso mapeamento, porque a maioria distribui este material preventivo de forma gratuita, tal como acontece nos Centros de Saúde.

Como colocar o preservativo corretamente?

O ideal será treinares a colocação do preservativo num ambiente mais confortável, como, por exemplo, com alguma pessoa da tua confiança ou com um brinquedo sexual.

Passos recomendados para a colocação do preservativo externo:

etapa 1 colocação preservativo

1 – Abre a embalagem pela abertura fácil e NÃO uses os dentes, as unhas ou outros objetos cortantes.

etapa 2 colocação preservativo

2 – Verifica o lado correto do preservativo de forma a que, depois de desenrolado, a borda fique para cima.

etapa 3 colocação preservativo

3 – Aperta a ponta do preservativo com uma mão e desenrola-o com a outra, para que não fique com ar na ponta.

etapa 4 colocação preservativo

4 – Depois da ejaculação, segura o preservativo na base para evitar que fique dentro de ti.

etapa 5 colocação preservativo

5 – Retira-o cuidadosamente para evitar vazamentos.

etapa 6 colocação preservativo

6 – Dá um nó e coloca no caixote do lixo.

Passos recomendados para a colocação do preservativo interno:

etapa 7 colocação preservativo

1 – Abre a embalagem pela abertura fácil e NÃO uses os dentes, as unhas ou outros objetos cortantes.

etapa 8 colocação preservativo

2 – Aperta o anel interno ou esponja do preservativo, coloca-te numa posição confortável, introduz na vagina ou no ânus e empurra o mais fundo possível. O anel externo deve ficar fora do corpo.

etapa 9 colocação preservativo

3 – Na primeira penetração ou quando mudas de posição, guia o pénis para que entre no sítio certo.

etapa 10 colocação preservativo

4 – Depois da ejaculação, torce o anel externo (com, pelo menos, duas voltas) e puxa o preservativo para fora.

etapa 11 colocação preservativo

5 – Dá um nó e coloca no caixote do lixo.

O preservativo rebentou – e agora?

Quando o preservativo rebenta ou sai, ficas expostx a diferentes infeções que são transmitidas pela via sexual, mas também corres o risco de ter uma gravidez indesejada.

Primeiro, tanto tu como x cliente devem manter a calma. A boa notícia é que, agindo rapidamente, este risco pode ser reduzido e algumas infeções evitadas.

preservativo rebentou- cato com um preservativo

O ideal é que exista uma relação de confiança entre ti e x cliente. Se sim, podes perguntar abertamente se costuma ter relações de risco com outrxs parceirxs e se está disponível para fazer um teste de rastreio para infeções sexualmente transmissíveis.

Tenta saber o máximo de informação sobre as práticas dx cliente, porque, quando te dirigires ao hospital, o ideal é que expliques tudo ao/à médicx infeciologista, para que te possa ajudar da melhor maneira e indicar a PPE  ou a toma de um anticoncecional de emergência.

Quando o preservativo rebenta, é importante encontrares um local de rastreio, perto de ti, o mais rápido possível – vê o nosso mapa para descobrires onde podes receber apoio e fazer os testes.

O que não deves fazer quando o preservativo rebenta

Não laves, de imediato, a zona genital, anal ou oral. Apesar de ser uma atitude comum, tem mais riscos do que imaginas:

  • O jato de água pode criar microfissuras na pele, fazendo com que os microrganismos entrem mais facilmente no teu organismo e causem infeções;
  • As lavagens internas com jatos de água ou outros líquidos podem fazer feridas na mucosa vaginal ou anal, além de que empurram mais o sangue e o esperma para dentro, em direção ao útero, aumentando o risco de infeção;
  • Lavar os dentes pode criar fissuras na gengiva, fazendo com que bactérias ou vírus entrem no teu corpo.

O que deves fazer quando o preservativo rebenta

  • Em vez de lavar a zona genital, deves urinar logo após a situação de risco, porque a urina retira o esperma que possa estar perto da uretra.
  • Na sanita, bidé ou banheira, coloca-te de cócoras e faz força com os músculos pélvicos ou anais para expulsar todos os fluidos e o máximo de esperma. Não faças lavagens vaginais ou anais (duchas). Em vez disso, lava a parte exterior dos lábios vaginais e o ânus com água e sabão.
  • Cospe ou engole qualquer esperma que tenhas na boca. Manter esperma na zona bocal apenas aumenta o contacto deste com a mucosa e a probabilidade de infeção é maior. Se sentires necessidade, bochecha a boca com um elixir suave (sem álcool) ou água, apenas para refrescar.
  • Assim que possível (nunca após 48 horas), procura uma urgência hospitalar para fazeres os exames necessários e avaliarem a possibilidade de fazeres a PPE ou uma contraceção de emergência.

Continuar a ler

Lubrificantes e outras proteções

Reduzir Riscos

Lubrificantes e outras proteções

Para além dos métodos contracetivos, deves considerar ainda outros procedimentos adicionais para a tua proteção durante o ato sexual, que englobam produtos como lubrificantes, bandas e luvas de látex. Descobre abaixo como podes utilizá-los corretamente e para que servem.

Engrenagens que simbolizam os procedimentos que têm que acontecer para o ato sexual

Lubrificantes

O uso de lubrificante é extremamente importante, porque, para além de tornar a relação sexual mais confortável e prazerosa, também diminui o risco de que o preservativo escorregue e saia.

Deves optar por um lubrificante que seja compatível com o preservativo que vais utilizar e que não te provoque irritação.

Não te esqueças de guardar o lubrificante num local que não esteja exposto ao sol ou ao calor, tal como os preservativos. Podes optar por guardá-los juntos.

Os lubrificantes à base de água são os mais aconselhados. Lubrificantes gordurosos, como a vaselina, os óleos de massagem e os cremes ou loções hidratantes aquecem o látex e podem comprometer a eficácia do preservativo.

É sempre importante que uses lubrificante. Mas há situações em que o seu uso é quase indispensável:

  • Se começas a relação pelo sexo oral, a saliva vai retirar o lubrificante que já vem com o preservativo. Nesse caso, e se não tens oportunidade de substituir o preservativo para mudar de zona de penetração, deves colocar bastante lubrificante para garantires que o preservativo não enfraquece.
  • Numa relação sexual mais longa é compreensível que o preservativo perca lubrificante e fique mais desgastado. Aqui o ideal seria, também, trocar de preservativo. Mas como nem sempre é possível, abusa do lubrificante.
  • Numa relação sexual anal o lubrificante é imprescindível. O ânus é uma zona sem lubrificação natural e o sexo anal é uma prática mais vigorosa. Não usar lubrificante nesta prática sexual não só torna a relação sexual menos confortável (ou até dolorosa) como aumenta o risco de o preservativo rebentar. É importante relembrar que a prática anal é a prática com mais riscos na transmissão de infeções se não for devidamente protegida. Por isso mesmo, no sexo anal usa sempre um preservativo extra-forte e um bom lubrificante compatível.

Outros

Existem outros materiais que podem ser utilizados para a tua proteção.

Bandas de látex

As bandas de látex são retângulos de látex usados para proteger o sexo oral na vagina e/ou no ânus.

Estas funcionam como uma barreira entre a boca e a vagina e/ou o ânus, impedindo a transmissão de infeções como o herpes, o HPV, clamídia, gonorreia, entre outras.

Dificilmente encontrarás bandas de látex à venda nas farmácias e poucas equipas de distribuição de preservativos têm bandas para te dar. Podes fazer a aquisição de bandas de látex, por encomenda, através da internet.

Também podes fazer a tua própria banda de látex a partir de um preservativo externo ou interno:

bandas de latex 1

1 – Desenrola o preservativo e corta a ponta com uma tesoura esterilizada.

bandas de latex 2

2 – De seguida, corta o preservativo na vertical.

bandas de latex 3

3 – Abre e já tens a tua banda de látex.

Para as usares, basta colocares lubrificante na zona onde queres que adiram e colocas a banda por cima. Se tu és x recetorx do sexo oral, certifica-te que a banda está sempre no sítio certo.

Luvas de látex

As luvas de látex também são um material importante para a tua proteção em certas situações da vida sexual.

Por exemplo, no caso da introdução de dedos ou fisting (penetração com a mão e antebraço) a luva protege a zona de penetração ao evitar o contacto direto da mão e das unhas com as paredes da vagina ou do ânus.

Para estas situações e para o footing (penetração com o pé) também pode ser usado o preservativo interno.

Máscaras e viseiras

Atualmente enfrentamos outras preocupações que podem justificar o uso de máscara facial ou viseira durante a prestação de serviços sexuais.

O combate à pandemia COVID-19 e a prevenção da sua transmissão não é garantida, por si só, pelo uso destes materiais de proteção.

Outros cuidados são igualmente importantes, tais como a higienização das mãos, das roupas e de todos os espaços expostos ao vírus.

máscara viseira combatente ao virus

Continuar a ler

PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)

Reduzir Riscos

PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)

Uma das formas de reduzir o risco de se adquirir uma infeção é recorrer à PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), que é uma medicação que se toma antes da exposição ao vírus.

A PrEP é uma arma eficaz contra o HIV e permite prevenir esta infeção com a toma de um comprimido por dia.

Para além da PrEP, existe ainda a PPE (Profilaxia Pós-Exposição). No entanto, nenhuma destas formas te protege de outras infeções, por isso o ideal é que uses  outro método preventivo, tal como o preservativo interno ou o externo.

Pernas com galochas na relva que representa a Profilaxia Pré-Exposição

Profilaxia Pré-Exposição

Existem vários estudos que garantem a eficácia da PrEP na redução do risco de infeção pelo VIH.

Esta medicação antirretroviral só deve ser tomada por pessoas seronegativas, isto é, não infetadas pelo vírus e antes do comportamento de risco.

Após uma avaliação, x médicx define o nível de risco de infeção por VIH, sendo que as pessoas que detenham um risco elevado são aconselhadas a tomar a PrEP de forma programada.

A PrEP em Portugal é já utilizada como um instrumento essencial para eliminar a transmissão do VIH.

Seguindo as orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde), esta medicação deve ser aplicada nas situações em que existam relações sexuais anais recetivas desprotegidas, em casais serodiscordantes para infeção por VIH, pessoas com um elevado número de parceirxs, mas também em homens e mulheres transgénero.

No entanto, na maioria dos hospitais centrais, qualquer pessoa, independentemente da sua etnia, género ou orientação sexual, pode aceder a consultas de avaliação para a PrEP HIV através do Sistema Nacional de Saúde.

Precisas de saber onde podes aconselhar-te para tomar a PrEP? Consulta o nosso mapeamento.

Como podes tomar a PrEP?

Existem diferentes formas de tomar a Profilaxia Pré-Exposição dependendo das práticas sexuais:

  • Toma diária: é aconselhada a pessoas que têm relações sexuais frequentes e permite assegurar um nível de medicação mais constante e protetor no sangue, sendo indicada para quem pratica sexo vaginal e anal.
  • Toma intermitente: é feita durante períodos de risco e consiste na toma de 2 comprimidos antes da relação sexual (preferencialmente 24 horas antes), 1 comprimido 24 horas depois e outro comprimido 48 horas depois, estando aconselhada a pessoas que fazem apenas sexo anal.

Riscos e efeitos secundários da PrEP

Se estás a pensar iniciar a toma da PrEP, deves optar por recorrer a umx médicx, para que possas fazer análises de sangue, verificar a saúde dos teus rins e se tens alguma infeção sexualmente transmissível, incluindo o VIH.

Esta medicação pode causar alguns efeitos secundários durante o primeiro mês de utilização, tais como:

  • Febre;
  • Náuseas ou vómitos;
  • Diarreia e dores de estômago;
  • Dores musculares e articulares;
  • Dores de cabeça;
  • Aumento da transpiração;
  • Gânglios linfáticos inchados.

Estes efeitos devem ser avaliados pelx médicx acompanhante e podem ser tratados com medicamentos.

Também há relatos de pessoas com alterações na função dos rins, fígado e redução da densidade óssea. No entanto, estas mudanças são reversíveis quando se suspende a toma da Profilaxia Pré-Exposição para o HIV.

As pessoas que relatam estes efeitos mais severos podem ser aconselhadas a fazer a toma da PrEP de forma intermitente.

Continuar a ler

PPE (Profilaxia Pós-Exposição)

Reduzir Riscos

PPE (Profilaxia Pós-Exposição)

A Profilaxia Pós-Exposição (PPE) é um tratamento antirretroviral que pode aplicar-se em caso de emergência após a exposição a situações de risco (tais como quando há relações sexuais sem proteção ou se houver um rebentamento do preservativo).

É importante relembrar que esta profilaxia, tal como a PrEP, não deve substituir comportamentos preventivos e deve ser utilizada como recurso de emergência.

Extintor numa parede vermelha que representa a Profilaxia Pós-Exposição

Profilaxia Pós-Exposição

A Profilaxia Pós-Exposição (PPE) é um tratamento com medicamentos antirretrovirais que deve ser iniciado imediatamente após uma exposição ao VIH, seja quando há relações vaginais ou anais desprotegidas ou quando o preservativo rebenta ou sai. 

Esta medicação de emergência pode evitar que o VIH, ao entrar no organismo, se multiplique e se instale, causando infeção.

Como funciona a PPE?

A PPE faz parte da estratégia de combate à infeção por VIH da Coordenação Nacional para a Infeção VIH/Sida. Esta profilaxia pode ser administrada quando existe uma possibilidade de infeção com VIH em âmbito ocupacional, tal como nos seguintes casos:

  • Profissionais da área da saúde que sofrem ferimentos de picada de agulha ou outros objetos corto-perfurantes potencialmente infetados com fluidos infetantes (como sangue, sémen, secreções vaginais e/ou outros líquidos como o cefalorraquidiano);
  • Mordedura que cause sangramento, por parte de doentes infetados com VIH, em que existe sangue visível na boca;
  • Projeção de sangue numa superfície mucosa como olhos, boca e nariz;
  • Contacto de pele gretada com ferida aberta ou abrasão, com sangue infetado.

A PPE pode também ser administrada no contexto não ocupacional, isto é, em qualquer incidente esporádico e acidental em que há contacto com sangue, sémen ou secreções vaginais, incluindo-se:

  • Práticas sexuais desprotegidas ou em que o preservativo rebentou acidentalmente;
  • Situações em que há partilha de material usado no consumo de drogas endovenosas ou material perfurante, como agulhas, em procedimentos estéticos ou tratamentos hormonais;
  • Picadas acidentais com agulhas e mordeduras.

Onde podes ter acesso à PPE?

Para ter acesso a esta medicação deves dirigir-te a um Serviço de Urgência de um hospital central próximo de ti, no qual serás encaminhadx para umx médicx infecciologista que avaliará a situação e que te poderá indicar a toma desta medicação. Para isso, deves fazer um relato com o máximo de informação possível sobre o que aconteceu.

Se tens dúvidas sobre como aceder ao SNS, consulta esta nossa página.

Para a PPE ser eficaz, deves ter alguns cuidados:

  1. Ir a um hospital com o máximo de urgência. Esta medicação deve ser iniciada o quanto antes e até 48 horas após a situação de risco;
  2. Seguir a indicação médica e respeitar a toma do medicamento até ao fim. Normalmente, este medicamento é tomado durante um mês;
  3. Respeitar as datas dos exames complementares. x médicx vai prescrever análises no final da toma da medicação para comprovar que não foste infetadX pelo VIH e verificar se o fígado e os rins estão a funcionar corretamente.

Riscos e efeitos secundários da PPE

Tal como muitos medicamentos, a PPE pode ter efeitos paralelos ligeiros e passageiros, principalmente na fase inicial do tratamento, podendo estes ser:

  • Diarreia e dores de estômago;
  • Dores de cabeça;
  • Náuseas e vómitos;
  • Cansaço.

Em alguns casos, estes efeitos prologam-se até ao final do tratamento e podem vir a ser mais severos. Nestas situações, x médicx deve ser informado, porque pode receitar medicamentos que atenuem alguns dos sintomas.

É importante respeitar a toma do medicamento até ao fim e a horas certas, para que não se desenvolvam resistências à medicação e se reduza a eficácia do tratamento.

Continuar a ler

Vacinas essenciais para trabalhadorXs do sexo

Reduzir Riscos

Vacinas essenciais para trabalhadorxs do sexo

Existem vacinas que, para além de serem importantes para a população em geral, tornam-se essenciais para trabalhadorxs do Sexo, como é o caso das da Hepatite B e do HPV.

imagem preta com um arame de tricô com linhas que representam as vacinas

Vacinas

As vacinas são cada vez mais importantes no nosso dia-a-dia, porque previnem de forma segura inúmeras doenças através da imunização coletiva.

 

Quando o nosso corpo é atacado por um microrganismo, o sistema imunitário combate a infeção através da produção de anticorpos específicos para cada agente infecioso.

Após a infeção, o organismo consegue desenvolver células de memória que atuam mais rápida e eficazmente sempre que esse agente infecioso ataca.

As vacinas são produzidas utilizando os próprios microrganismos que causam as doenças, mas mortos ou inativos, por isso são seguras. Desta forma, ao serem injetadas estimulam a produção de anticorpos e de células de memória que atacam os agentes e nos tornam imunes à doença.

Vacina contra HPV

A melhor forma de prevenção para o HPV é a vacina que cobre as estirpes mais virulentas e que causam mais comummente cancro. Esta vacina já está disponível de forma gratuita para raparigas e adolescentes até aos 18 anos.  Apesar de existir indicação para a vacinação dos rapazes, ainda não está em vigor em Portugal.

As mulheres adultas não vacinadas, mesmo que já tenham tido alguma infeção por HPV, são aconselhadas a fazer a vacina, mas sem comparticipação do estado.

Existem 2 tipos de vacina:

  • Bivalente: cobre apenas os tipos de HPV 16 e 18.
  • Nonavalente: protege contra os tipos de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58 e está disponível em Portugal desde 2017.

Vacina contra Hepatites

A vacina contra Hepatite B é a forma mais eficaz de prevenção desta hepatite. Esta vacina faz parte do Programa Nacional de Vacinação Português e de outros países como o Brasil.

Podem ser vacinadas pessoas de todas as faixas etárias mediante receita médica.

Devem ser vacinadas:

  • Todas as crianças recém-nascidas e outras que não foram vacinadas ao nascer.
  • Pessoas com vida sexual ativa.
  • Pessoas que consomem drogas injetáveis.
  • Trabalhadorxs do sexo.
  • Pessoas que convivem com pessoas que manifestem a doença.

Se és trabalhadorx do sexo e não foste vacinadx contra a Hepatite B contacta-nos para saber de que forma podes obter a vacina.

Existe também a vacina contra a Hepatite A que está recomendada a pessoas que viagem para locais com elevada probabilidade da doença, pessoas que consomem drogas, pessoas com doença hepática crónica e pessoas que têm praticas de sexo oral-anal.

Continuar a ler

Segurança pessoal

Reduzir Riscos

Segurança pessoal

Encontra aqui algumas estratégias para lidares com as diferentes situações de risco que podem surgir no Trabalho Sexual. Reduzir riscos nesta atividade não está só relacionado com prevenir infeções. A tua saúde física e mental depende das tuas condições de trabalho.

Todxs xs trabalhadorxs do sexo têm o direito de se sentirem segurXs no trabalho. Uma vez que o Trabalho Sexual não é reconhecido como profissão em Portugal, xs seus/suas profissionais podem estar mais expostxs a atos de violência.

Autocarros vermelhos

Rua ou Apartamento?

Acreditamos que a violência não tem de fazer parte do teu trabalho. Por essa razão consideramos importante abordar algumas estratégias que podes adotar para reduzir os riscos de violência no teu trabalho, seja este prestado em contextos de interior (apartamentos, hotéis, …) ou na rua.

Se passares por alguma situação de violência, não hesites em procurar auxílio que garanta a tua segurança e que te ajude a denunciar a situação pela qual passaste.

Intuição, assertividade, limites e como agir num momento de violência

Qualquer cliente pode tornar-se violentx em algum momento.

Mesmo que x conheças há bastante tempo nunca deves baixar a tua guarda.

É importante que demonstres que estás no controlo das situações, fazendo da forma mais politicamente correta, assertiva e agradável possível.

  • Trata x teu/tua cliente com o máximo respeito, mas não permitas que ultrapasse os limites que tu impuseste desde o momento da negociação do serviço sexual a ser prestado. Negoceia o serviço sexual e o valor correspondente antes de aceitares o trabalho.
  • Não atendas clientes que te pareçam demasiado embriagadxs ou sob o efeito de outras drogas. Isso pode aumentar a tensão entre vocês.
  • Se o combinado foi prestares o serviço sexual apenas a umx cliente, antes de entrares numa casa, quarto ou carro tenta perceber se elx está efetivamente sozinhx.
  • Se houver algum objeto que consideres estranho ou que possa ser usado contra ti, podes sempre colocar uma peça de roupa sobre o mesmo.
  • Diz ao/à cliente se elx está a sair dos limites. Está atentx se elx parece gostar de te fazer sentir desconfortável, se te tenta bloquear a saída, agarrar-te e puxar-te para elx.
  • Segue os teus instintos. Se a tua intuição diz que estás a ser pressionadx a fazer o que não queres, confia nesse feeling e pára o trabalho. Avisa-x de que está a ultrapassar esses limites. Caso continue a insistir fazer alguma coisa que tu não queres fazer, o melhor será parares o trabalho. Se puderes deixa o dinheiro para trás, podes inventar uma desculpa para ires embora mais cedo do que o previsto e, caso não resulte, apenas sai.
  • Se x cliente se torna efetivamente violentx, fugir é a melhor opção. Não tentes mudar a situação porque será em vão. Faz o máximo barulho possível para atrair atenção, como gritar “fogo” por exemplo. Se tiveres um assobio contigo usa-o no ouvido delx e corre.
  • Partilha com outrxs trabalhadorxs do sexo, equipas de apoio a trabalhadorxs do sexo e polícia a má experiência que tiveste e o máximo de dados descritivos possíveis dx cliente para que possam estar alerta. Em conjunto podem criar uma lista de maus clientes.

Cuidados com roupa e adereços

Não uses nada que possa ser usado contra ti:

  • Peças de roupa que te dificultem a corrida (como saias demasiado curtas ou demasiado compridas, saltos altos, entre outros).
  • Cabelo solto caso seja comprido (podes prendê-lo ou usar uma peruca).
  • Brincos grandes, colares grossos, lenços ou xailes em torno do pescoço.
  • Algemas verdadeiras.
  • Objetos para te defenderes de um ataque que possam ser usados contra ti (por exemplo, uma faca ou outros objetos cortantes).

Dicas de segurança para quando trabalhas em apartamentos

  • Se x cliente visita o teu apartamento não lhe forneças o endereço completo logo no primeiro contacto. Dá-lhe um ponto de referência e depois guia o percurso delx até chegar a ti.
  • Podes ter um sistema de vigilância montado, com câmaras e alarme, e dar a entender ao/à cliente isso mesmo, para que perceba que está a ser vigiadx.
  • O ideal seria teres sempre alguém da tua confiança no teu apartamento quando recebesses algumx cliente. Se isso não for possível, dá a entender que existe mais alguém na casa. Podes deixar uma televisão ligada noutra divisão da casa para parecer mais real.
  • Deixa sempre um telefone/telemóvel noutra divisão para onde possas fugir caso alguma coisa não corra como desejado e contactar as autoridades.
  • Não deixes chaves nos armários e nas portas para que não corras o risco de seres trancadx em alguma divisão.
  • Combina com x teu/tua colega de casa um tempo máximo para atenderes umx cliente e sinais de emergência.

Dicas de segurança para quando fazes deslocações

  • Tenta sempre ser tu a escolher o hotel/motel.
  • Sempre que fazes uma deslocação deixa o máximo de informações possível com alguém da tua confiança e a tua localização através de aplicações como o whatsapp. Se não tens ninguém em quem confies para passares essas informações deixa anotado num papel em casa para que alguém encontre se te for procurar.
  • Se a deslocação for para um hotel/motel, pede o nome dx cliente e o nome do local para onde será feita a deslocação. Avisa x cliente de que irás confirmar a reserva do quarto e que irás deixar essas informações com alguém da tua confiança.
  • Se vais a casa de umx cliente, antes de entrares tenta perceber se à volta existe algum local com câmaras que possam captar a tua entrada na casa. Isso pode servir de prova a teu favor caso alguma coisa não corra bem.
  • Quando entrares na casa dx cliente, atenta a pormenores como a existência de janelas por onde possas fugir, se há algum telefone que possas utilizar para fazer uma chamada de emergência, entre outros que possam servir para a tua segurança.

Dicas de segurança para quando trabalhas na rua

  • Antes de ires para o teu local de trabalho confirma sempre se tens o material preventivo suficiente para o tempo que vais estar a trabalhar.
  • Tenta fazer-te acompanhar de outros objetos além do material preventivo, como, uma lanterna para veres xs clientes, um alarme pessoal, um apito e um telemóvel com saldo e marcação rápida para um contacto da tua confiança, caso seja necessário pedir auxílio.
  • Tenta não trabalhar num local onde estejas sozinhx. Além disso, é importante que te coloques numa posição em que seja impossível alguém te atacar pelas costas. Podes sempre optar por trabalhar numa rua onde exista um café/bar com pessoas da tua confiança ou uma rua onde há espaços destinados a trabalhadorxs do sexo abertos nessa altura.
  • Antes de entrares em qualquer carro: negoceia o serviço sexual que será prestado; verifica se está mais alguém lá dentro; verifica se existe algum objeto estranho que possa ser usado contra ti e onde se destrancam as portas; observa bem x cliente, deixa-x falar, para tentares perceber que tipo de pessoa é e as suas intenções.
  • Aponta a marca, modelo, matrícula do veículo, assim como outras características que possam ajudar a identificá-lo facilmente – cor, existência de amolgadelas ou riscos; aponta algumas características que possam, também, descrever x teu/tua cliente – cor de cabelo, olhos, presença de cicatrizes, entre outras; deixa estas informações com alguém da tua confiança. Se estás a trabalhar num local com outrXs trabalhadorxs podem apontar essas informações acerca dxs clientes umxs dxs outrxs.
  • Deixa as tuas impressões digitais fora e dentro do carro. Uma boa estratégia é passares as mãos debaixo do banco e/ou até deixares lá uma pastilha elástica colada. Quase ninguém lembrar-se-ia de limpar debaixo do banco.
  • Combina com xs teus/tuas colegas de trabalho um tempo máximo de chegada de um serviço para que possam avisar a polícia.

Antidepressivos e Ansiolíticos

Os principais organismos de saúde salientam que a abordagem de primeira linha a perturbações como a ansiedade e a depressão deva ser o apoio psicológico por parte de umx profissional com competências para isso.

No entanto, continuamos a assistir à toma de antidepressivos e ansiolíticos indiscriminada e, muitas vezes, num registo de automedicação, o que torna o cenário ainda mais perigoso.

pessoa sentada na janela a ver a vista representando a depressão

Qualquer atividade profissional pode prejudicar a tua saúde mental, por variadíssimas razões. O Trabalho Sexual não é exceção. Aliás, o preconceito e a discriminação que, muitas vezes, xs trabalhadorxs do sexo experienciam afetam a sua saúde mental, pelo que é necessário tomar bastante atenção aos primeiros sinais e agir o quanto antes.

Se te sentires ansiosx ou deprimidx a melhor opção será procurares a ajuda de umx profissional que te possa prestar o apoio necessário. A maior parte das equipas que dá apoio a trabalhadorxs do sexo também disponibiliza apoio psicológico.

Alguns sinais de cansaço emocional no teu trabalho

  • Dificuldade em dormir.
  • Mau humor e irritação com toda a gente, especialmente com xs clientes.
  • Não suportar o toque dxs clientes.
  • Necessidade de recompensar a ida para o trabalho, como, por exemplo, com a compra de alguma coisa que gostes (roupa, cremes, perfumes, etc.).
  • Dificuldade em gerir o estado emocional.
  • Adoção de comportamentos autodestrutivos.
  • Sensação de depressão, frustração e baixa autoestima.

Algumas estratégias para lidar com o cansaço emocional no teu trabalho

  • Limita os teus horários. Faz horas extra apenas se te sentires bem para o fazer. Coloca-te sempre em primeiro lugar. Horas extra e/ou períodos muito grandes de trabalho nem sempre são sinónimos de mais dinheiro, especialmente se estás cansadx e realmente queres estar noutro lugar qualquer.
  • Tira folgas e férias, tal como xs profissionais de outras atividades.
  • Cria uma poupança. Protegermos a nossa saúde mental é uma tarefa difícil. Mais difícil ainda é não termos a capacidade para tirar uma pausa muito necessária. Faz uma estimativa da percentagem que podes tirar por mês para um fundo poupança, e tenta regrar-te todos os meses para acrescentares esse valor. Assim, caso tenhas uma emergência ou quando quiseres tirar férias já consegues parar de trabalhar durante algum tempo sem preocupações adicionais.
  • Cuida do teu corpo com investimentos de qualidade como massagens, comer bem (comida de qualidade), usar produtos de qualidade para o teu cabelo e para a tua pele. Faz exercício físico, entra num ginásio, faz aulas de yoga ou pilates, opta por uma arte marcial, tens imensas opções. Também podes optar por umas caminhadas ou corridas, caso não queiras gastar dinheiro nessas atividades.
  • Expande a tua mente. Faz coisas para além do trabalho que ajudem no teu desenvolvimento pessoal e profissional. Tira um curso, lê bons livros, arranja um ou mais hobbies. Tu não és apenas trabalhadorx do sexo, tens muitas outras dimensões na tua vida às quais deves dar reconhecimento e investir para que se desenvolvam. Podes espreitar a nossa secção Emprego e Formação.
  • Cuida do teu interior. Dá atenção às tuas emoções e expressa-as. Nunca faças nada para o qual não te sintas confortável. Dinheiro nenhum pode ser mais importante do que manteres o teu bem-estar emocional. Os teus valores não estão à venda. Confia nos teus instintos e nunca trabalhes com ou para ninguém que não dá valor e respeita o teu trabalho. Se não o fazem com o teu trabalho é porque também não o fazem contigo.
  • Se não gostas do teu trabalho, se basta pensares em ires para o trabalho que te sentes mal emocional e fisicamente, então este trabalho não é para ti. Se precisares de ajuda para redefinires o teu percurso profissional, consulta a nossa página sobre Emprego e Formação ou contacta-nos diretamente.

Estimulantes sexuais

Xs trabalhadorxs do sexo recorrem por vezes a estes estimulantes, porque a performance sexual é uma das bases do seu trabalho. Antes de recorrer a estes estimulantes é importante saber quais os efeitos positivos do seu uso, mas também os riscos associados.

boca de incêndio na parede que representa os estimulos sexuais

Os estimulantes sexuais são muito procurados por pessoas cis e trans, sejam homens ou mulheres. O objetivo é sempre o mesmo, manter a atividade sexual por mais tempo e com maior vigor.

O pénis tal como a vagina, é um órgão vascularizado e depende da saúde circulatória para funcionar corretamente. Uma ereção ocorre por estímulos sexuais físicos ou mentais e resulta no aumento do fluxo sanguíneo no pénis ou no clitóris. É verdade! Na vagina também ocorre uma ereção semelhante à do pénis.

A ereção pode ser condicionada por diversos fatores, e tudo o que cause diminuição de fluxo sanguíneo nas artérias que irrigam o pénis pode causar disfunção erétil:

  • Doenças do foro psicológico.
  • Distúrbios hormonais.
  • Doenças vasculares (diabetes, hipertensão arterial, aterosclerose).
  • Danos no sistema nervoso.
  • Consumo de drogas, álcool ou tabaco.

Se tens problemas de ereção ou precisas de manter uma boa performance sexual, podes usar estimulantes sexuais, mas é importante que fales com umx médicox para utilizares este tipo de tratamento com eficácia, mas com o mínimo de riscos.

O pénis tal como a vagina, é um órgão vascularizado e depende da saúde circulatória para funcionar corretamente. Uma ereção ocorre por estímulos sexuais físicos ou mentais e resulta no aumento do fluxo sanguíneo no pénis ou no clitóris. É verdade! Na vagina também ocorre uma ereção semelhante à do pénis.

A ereção pode ser condicionada por diversos fatores, e tudo o que cause diminuição de fluxo sanguíneo nas artérias que irrigam o pénis pode causar disfunção erétil:

  • Doenças do foro psicológico.
  • Distúrbios hormonais.
  • Doenças vasculares (diabetes, hipertensão arterial, aterosclerose).
  • Danos no sistema nervoso.
  • Consumo de drogas, álcool ou tabaco.

Se tens problemas de ereção ou precisas de manter uma boa performance sexual, podes usar estimulantes sexuais, mas é importante que fales com umx médicox para utilizares este tipo de tratamento com eficácia, mas com o mínimo de riscos.

O “comprimido azul”

O medicamento químico mais utilizado para tratar a disfunção erétil é o Viagra e tem como princípio ativo o sildenafil. O sildenafil aumenta a ereção porque tem uma ação vasodilatadora e de relaxamento dos músculos penianos. Este medicamento demora em média 30 a 60 minutos a atuar e tem uma ação até aproximadamente 4 horas.

Em geral, os efeitos secundários associados à toma de sildenafil são:

  • Dor nos músculos.
  • Dor de cabeça.
  • Indigestão e diarreia.
  • Visão dupla ou cegueira temporária.
  • Diminuição da pressão arterial.
  • Congestão/Hemorragia nasal.
  • Insónia.

Quando a dose recomendada é ultrapassada podem ocorrer casos de ereção prolongada que dura mais de 4 horas, acompanhada de batimentos cardíacos rápidos e suores frios.

Em pessoas com doenças cardíacas ou vasculares, ou pessoas que tomam vasodilatadores coronários, este medicamento está desaconselhado por causar efeitos mais severos.

O uso de Viagra e outros medicamentos similares ainda não está aconselhado a mulheres cis, apesar de alguns estudos mais recentes revelarem que a sildenafil pode melhorar disfunções sexuais femininas, como a falta de excitação, e a dificuldade em atingir orgasmos.

Estimulantes sexuais naturais

Existem no mercado várias misturas de compostos naturais que podem melhorar o teu desempenho sexual, mas estes medicamentos podem conter vestígios de compostos como os que existem no Viagra.

Deixamos aqui alguns exemplos de substâncias naturais que podem melhorar ao teu desempenho sexual com menos riscos.

Maca peruana – tem um efeito vasodilatador e melhora a circulação sanguínea na zona pélvica.

Ginseng – facilita a ereção e aumenta a libido. Esta raiz aumenta a dilatação dos vasos sanguíneos e a circulação contribuindo para reduzir os sintomas de impotência sexual.

Tribulus terrestris – tem um efeito vasodilatador e contribui para uma ereção mais longa e duradoura. É também uma alternativa natural para aumentar a libido em ambos os sexos porque contribui para a produção de testosterona.

Exercícios pélvicos

Porque é que exercitamos todo o nosso corpo exceto os órgãos sexuais? Estes órgãos são compostos por músculos que podem ser trabalhados, aumentados e fortalecidos de igual forma.

Os exercícios pélvicos, conhecidos como exercícios de Kegel, são bons para melhorar a qualidade da relação sexual, tanto em homens como em mulheres.

Para teres consciência da localização do músculo pélvico faz o seguinte teste:

  • Ao urinar retém a urina durante cerca de 10 segundos. Repete 3 vezes. Os músculos que usas para travar a saída de urina são os mesmos que deves contrair nos exercícios.

Para exercitar estes músculos deves fazer repetições de contrações do músculo pélvico cerca de 30 vezes. Podes alternar séries lentas com sequências aceleradas. O importante é que alternes a contração com o relaxamento. Repete durante 5 a 10 minutos por dia.

Os músculos penianos também podem ser exercitados ao praticar o adiamento do orgasmo durante a masturbação. Estas técnicas não curam a disfunção erétil, mas podem complementar o uso de estimulantes.

Hormonas

As pessoas trans conhecem bem o mundo dos tratamentos hormonais e devem ter acesso a informações claras sobre os benefícios e os riscos associados à automedicação com elevadas doses hormonais.

boneco de madeira

Com os tratamentos hormonais tanto os homens como as mulheres trans conseguem obter a aparência que consideram ser mais adequada ao seu género.

Em Portugal podes aceder a consultas para mudança de sexo em Clínicas Privadas ou através do Sistema Nacional de Saúde, onde o processo pode ser mais demorado, mas é gratuito.

As hormonas afetam a vida sexual?

O estrogénio e a testosterona são hormonas sexuais que regulam as características sexuais, mas também atuam ao nível psicológico.

A testosterona aumenta a libido, e a vontade de ter relações sexuais será maior e a experiência mais intensa.

Se és mulher trans e trabalhadora do sexo, a toma de estrogénios pode trazer-te complicações, porque diminui a intensidade da ereção e diminui o tamanho do pénis. Também podes ficar mais suscetível a descargas emocionais, choros e ter outros sentimentos mais amplificados. Evita tomar doses elevadas de estrogénio com estimulantes sexuais porque podem causar distúrbios hepáticos.

Se és mulher trans a toma de estrogénio pode causar as seguintes alterações:

  • Aumento da gordura corporal.
  • Diminuição da massa muscular.
  • Enfraquecimento dos pelos faciais e corporais.
  • Diminuição da perda de cabelo.
  • Diminuição do tamanho do pénis e dos testículos.
  • Diminuição da ereção.
  • Aumento dos seios e da sensibilidade mamária.

O estrogénio pode ser tomado pela via injetável, pela via transdérmica através de adesivos ou pela via oral.

Os principais efeitos colaterais associados ao uso desta hormona incluem:

  • Trombose.
  • Embolia pulmonar (bloqueio de um vaso sanguíneo nos pulmões).
  • Alteração da função hepática.

De forma geral podemos dizer que a testosterona nos homens trans tem os seguintes efeitos:

  • Crescimento dos pelos da faciais e do corpo.
  • Aumento da massa muscular.
  • Perda de cabelo.
  • Aumento do tamanho do clitóris.
  • Aumento da libido.
  • Perda de menstruação.
  • Aumento da acne.

Os suplementos de testosterona podem ser tomados pela via injetável, pela via transdérmica através de adesivos ou gel, ou pela via oral.

Os principais efeitos colaterais associados ao uso desta hormona incluem:

  • Hipertensão arterial.
  • Aumento do risco de enfarte agudo do miocárdio.
  • Aumento do risco de cancro da próstata.
  • Hepatite medicamentosa.
  • Atrofia testicular.

A toma de esteroides para tonificar o corpo, também pode trazer alguns problemas.

Os esteroides podem causar:

  • Aumento de colesterol.
  • Distúrbios intestinais.
  • Diminuição dos genitais.
  • Problemas hepáticos, reais e cardíacos.
  • Dificuldade em dormir.
  • Perda de cabelo.
  • Irritabilidade extrema.
  • Depressão.

A injeção de qualquer material deve ser feita por pessoal especializado e com material esterilizado e dentro do prazo. Não partilhes material injetável porque existe o risco de infeção por VIH, hepatite C e B.

Existem consultas no Hospital Júlio de Matos e no Hospital de Santa Maria em Lisboa, no Serviço de Psiquiatria dos Hospitais de Coimbra, e no Porto no Hospital de São João, no Hospital de Santo António ou no Hospital de Magalhães Lemos. Descobre, no nosso mapa, quais as associações que te podem ajudar.

Trabalhar com o período

Durante o período menstrual pode ser difícil trabalhar em qualquer indústria, mas como trabalhadorx do sexo esta altura do mês pode ser especialmente complicada porque para além das dores existe a necessidade de ocultar a perda de sangue, evitar sujar a cama e lençóis.

Descobre como podes ultrapassar estes problemas.

Gelado vermelho a derreter representando o período menstrual

Adapta o teu ritmo de trabalho

Como trabalhadorx do sexo, se tens períodos muito dolorosos e com elevadas perdas de sangue o ideal é parares de trabalhar durante uns dias, mas nem sempre é possível. Sem apoios sociais nem todxs xs trabalhadorxs podem parar de trabalhar uma semana por mês.

Para contornar esta situação podes tentar adaptar o teu ritmo de trabalho e fazer menos marcações para que esta fase seja o mais confortável possível. Podes também marcar programas que não incluam sexo vaginal.

É sempre importante respeitares o teu corpo e mente e manteres a tua saúde.

Como ocultar perdas de sangue?

Um dos métodos mais comuns para evitar perdas de sangue durante a relação sexual é o uso de esponjas.

A alternativa pode ser o uso do diafragma. Este é um método menos comum, mas com menos riscos e que pode até ser mais eficaz.

Esponjas

Uma das formas mais utilizadas para conter o fluxo sanguíneo é o uso de esponjas que podem ser inseridas na vagina antes do programa com umx cliente. Desta forma o sangue é absorvido e praticamente indetetável.

Evita o uso de esponjas de limpeza do corpo ou de limpeza da casa, porque não são seguras e podem causar infeções graves. Existem esponjas de diferentes marcas, formas e tamanhos, mas o mais importante é que sejam vendidas de forma estéril e de preferência que contenham alguma lubrificação.

Sempre que possível tenta ter alguns cuidados no uso da esponja. Nomeadamente:

  • Usa uma esponja por turno ou dia de trabalho.
  • Lava sempre as mãos antes e depois de colocar a esponja.
  • Se a esponja não for lubrificada, molha-a ou coloca algum lubrificante. Retira depois o excesso de líquido.
  • Insere a esponja de cócoras ou sentada.
  • Quando atenderes um cliente, deves no final, retirar a esponja. Podes usar 1 ou 2 dedos tendo o cuidado de não arranhar as paredes vaginais com as unhas.
  • Lava muito bem com água corrente e depois espreme para eliminar qualquer líquido. A maioria das esponjas pode ser reutilizada até 8 horas no máximo.
  • Se tiveres outro cliente, insere a esponja antes de ele chegar.
  • Se o preservativo rebentar, segue os passos necessários para reduzir os riscos de uma infeção e substitui a esponja.

Este método pode trazer alguns riscos. As esponjas têm como função absorver o sangue menstrual, mas acabam por absorver a humidade natural da vagina que se torna mais seca e sensível aumentando o risco de irritação. A secura vaginal pode também levar a que o preservativo rebente ou estoure. Para reduzir este risco e tornar a relação mais confortável, deves aumentar o uso de lubrificante durante esta fase, reaplicando sempre que necessário.

Como retirar a esponja

A esponja pode ser difícil de retirar, porque após a relação sexual há tendência para que esta seja empurrada mais para cima.

Costumas ter dificuldade em retirar a esponja? Experimenta estas dicas:

  • Primeiro mantém a calma e respira fundo, quanto mais tensa estiveres mais apertados ficarão os músculos vaginais.
  • De cócoras no chão ou na sanita relaxa as costas e inclina-as suavemente para trás. Nesta posição empurra a pélvis para a frente. Desta forma o canal da vagina fica mais direito em vez de curvado. Empurra o tronco para a frente e faz força com os músculos pélvicos para expulsar a esponja.
  • Se não resultar retira a esponja em várias posições diferentes, com uma perna para cima, ou com o tronco mais para a frente.
  • Caso não resulte, tenta relaxar numa banheira com água, isto faz com que a esponja absorva água ficando mais pesada. Com alguma ajuda da gravidade e fazendo força com os músculos pélvicos, a esponja acabará por sair. Se não tens uma banheira, tenta fazer o mesmo num bidé ou numa bacia. Evita inserir o chuveiro na vagina porque pode causar feridas e infeções.

Se mesmo tentando estas técnicas a esponja não sair, deves recorrer a um serviço de urgência para que seja retirada por umx ginecologista. Manter a esponja no interior da vagina por longas horas ou dias, aumenta o risco de infeções ou até de síndrome de choque tóxico.

A síndrome de choque tóxico é um grupo de sintomas graves e que evoluem rapidamente, que inclui febre, erupção cutânea, pressão arterial muito baixa e insuficiência de vários órgãos. É causada por toxinas produzidas por bactérias. Usar tampões ou outros absorventes íntimos ou ter uma infecção causada por Staphylococcus aureus ou estreptococos do grupo A aumenta o risco de síndrome de choque tóxico.

Diafragma

O diafragma é um método anticoncecional de barreira, não hormonal, que consiste num disco de silicone que se introduz no canal vaginal de forma a cobrir o colo do útero.

Este pequeno disco pode ser adaptado para que consigas reter o fluxo menstrual enquanto trabalhas. Contacta x  ginecologista para adquirires o diafragma e perceber qual o tamanho que melhor se adapta a ti.

Com a prática vais conhecendo melhor o teu corpo e será cada vez mais fácil introduzir e retirar o diafragma.

Esta opção é mais segura do que as esponja porque:

  • Não absorve os fluidos naturais da vagina e por isso causa menos irritação e infeções.
  • Não fica preso no interior da vagina e é mais fácil de retirar quando apanhas o jeito.

Tal como a esponja, deves inserir o diafragma antes da relação sexual e retirar logo após para que o sangue não fique retido no útero. Após cada utilização deve ser limpo com água e sabão e guardado na caixinha de transporte.

O diafragma pode durar até 3 anos.

Outras estratégias

Durante o período menstrual, muitas pessoas trabalhadoras do sexo tentam usar preservativos de cor preta ou vermelha para esconder melhor qualquer perda de sangue. Quando o cliente retira o pénis, deves utilizar um lenço de papel ou toalhete para limpar rapidamente qualquer sangue que tenha escapado.

O uso do preservativo interno também pode ser uma boa alternativa, uma vez que funciona um pouco como um tampão ao impedir que o sangue desça. Deves apenas ter em mente que ao tirares o preservativo interno ele deixa de conter o sangue, por isso deves estar num local onde possas fazer a tua higiene.

Uma forma de não menstruar consiste na toma continua de contracetivos hormonais como a pílula, anel ou adesivo. Este método é eficaz se o objetivo for interromper a menstruação por períodos de poucos meses. As pílulas utilizadas devem ser monofásicas caso contrário, alguns comprimidos podem não ter estrogénio ou progesterona e isso pode levar a perdas de sangue.

Em qualquer dos casos deve ser feita uma avaliação dos riscos, para perceber qual é a melhor opção.

Trabalhar sob o efeito de drogas

O uso de álcool ou outras drogas tem efeito no nosso comportamento e, por isso, aconselha-se que xs trabalhadorxs do sexo não o façam nas horas de trabalho. 

No entanto, sabemos também que muitxs trabalhadorxs do sexo optam por fazê-lo para não perderem dinheiro com certos clientes. Por isso mesmo, consideramos importante deixar-te algumas dicas relativamente ao consumo de certas substâncias. Se necessitares de mais informações acerca disto, não hesites em contactar-nos.

homem a usar objeto para fazer efeito de luz representando assim o efeito de drogas

Alguns riscos do consumo de álcool e outras drogas no teu trabalho

Tal como as outras pessoas, e por diferentes razões, alguns/algumas trabalhadorxs do sexo também usam álcool e outras drogas. O importante é que saibas os riscos do consumo durante o teu trabalho:

  • Pode dar-te a falsa sensação de que torna o teu trabalho mais fácil e tornar-se um hábito frequente, como, por exemplo, sentires que tens que beber sempre que vais trabalhar.
  • Pode deixar-te menos alerta para a adoção de práticas de sexo seguras.
  • Pode expor-te mais a algum tipo de abuso por parte dos clientes. Num caso como esse procura ajuda para denunciares, seja connosco ou com outra equipa. A violência não tem de fazer parte do teu trabalho!

Diminuir os riscos do uso de álcool e outras drogas no teu trabalho

Há sempre algumas estratégias que podes adotar para diminuíres os riscos dos teus consumos no trabalho:

  • Coloca o mínimo possível de bebida alcoólica e mais sumo, caso sejas tu a preparar.
  • Certifica-te de que estás a beber de uma garrafa que estava fechada ou de que estás a beber a mesma substância que x cliente, caso seja elx a preparar.
  • Não mistures bebidas alcoólicas diferentes ou outras drogas, porque normalmente aumentam o efeito umas das outras.
  • Não partilhes material de consumo de outras drogas, porque pode ser uma forma de transmissão de infeções como o VIH, as hepatites, entre outras.
  • Monitoriza os teus consumos para perceberes se estão a crescer de dia para dia. No caso de sentires que os teus consumos estão a tornar-se bastante recorrentes e/ou problemáticos, não hesites em
    contactar-nos.
  • Se estiveres demasiado embriagadx ou sob o efeito forte de outra substância pára o trabalho até te sentires melhor.

Algumas dicas são mais direcionadas para as diferentes substâncias em específico e é isso que te iremos explicar nos seguintes pontos.

Consumir álcool com menos riscos

  • Alimenta-te bem quando sabes que vais beber.
  • Durante o consumo tenta alternar o álcool com água ou outras bebidas softs e hidratantes.
  • Tenta não misturar diferentes tipos de bebidas.
  • Tenta não misturar álcool com outros tipos de substâncias, sejam elas depressoras como o haxixe ou a canábis, ou sejam elas estimulantes como a cocaína ou estimulantes sexuais.
  • Tenta não misturar álcool com antidepressivos ou ansiolíticos.

Consumir cocaína com menos riscos

  • Tenta certificar-te de que estás realmente a consumir cocaína, porque a alteração desta substância é muito comum, muitas vezes com adulterantes tóxicos e perigosos.
  • Se snifares tenta alternar entre as duas narinas, porque o snife danifica as tuas mucosas nasais.
  • Depois de snifares lava bem as narinas.
  • Doses grandes e muito repetidas podem provocar ataques cardíacos, derrames ou convulsões.
  • Evita usar se tens problemas do foro cardiovascular.
  • Evita misturar com álcool ou outras drogas.
  • Usa sempre o teu material de consumo. Ao partilhares tubos de snife ficas vulnerável à transmissão de infeções como o VIH, hepatites, e outras.

Consumir GHB com menos riscos

  • Usa uma seringa ou uma colher para medires as doses que consomes, para não correres o risco de uma overdose. Começa com uma dose pequena e espera pelo menos duas horas para a próxima.
  • Evita misturar GHB com outras substâncias depressoras, como o álcool, a heroína ou outros opiáceos e ansiolíticos. Esta mistura pode ser fatal.

Continuar a ler

Dicas para clientes

Reduzir Riscos

Dicas para clientes

És cliente de sexo pago? Xs trabalhadorxs do sexo a quem recorres estão a prestar um serviço e devem ser respeitadxs.

Podes encontrar aqui algumas dicas sobre como agir de forma a facilitar o negócio e fazer com que o momento seja agradável.

Se tiveres dúvidas contacta a Equipa do Plano AproXima através do nosso telefone ou formulário de contacto.

jogo de jenga

Como cliente, sempre que recorreres a um serviço de sexo pago, tem em conta algumas sugestões.

Estás a usufruir de um serviço profissional e não és, em momento algum, proprietárix do corpo da pessoa que presta o serviço sexual, assim como não estás a viver uma história de amor. 

Lembra-te: se fores educadx e respeitares x trabalhadorx do sexo, serás melhor atendidx! Todos os serviços devem ser acordados por ambas as partes.

  • Tal como em qualquer profissão x trabalhadorx não deve ser vítima de assédio, discriminação ou preconceito e está protegidx pela legislação. Segundo a Constituição portuguesa: “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei”.
  • Não, é não! Cada trabalhadorx do sexo tem os seus limites. estes devem ser respeitados. Muitxs trabalhadorxs do sexo, por exemplo, não beijam xs clientes porque existem infeções como o herpes, gripe, sífilis e outras, que podem ser transmitidas. Deves respeitar a opção de cada trabalhadorx sem pressionar.
  • Aplica-te na higiene, é essencial tomar banho antes e depois da relação. Se x trabalhadorx do sexo se sentir mais à vontade após uma inspeção ao teu corpo e genitais, não te ofendas. Pode até ajudar-te a ver infeções que desconhecias.
  • Mesmo que tenhas os teus preservativos ou lubrificantes, não insistas se x trabalhadorx quiser usar o seu próprio material. Por norma cada profissional tem o seu próprio material preventivo para as diferentes relações (oral, vaginal ou anal). Desta forma asseguram a sua segurança e a tua.
  • Se o material dx trabalhadorx do sexo não se adaptar à tua fisionomia, por exemplo, se precisas de preservativos para pénis muito grande ou muito pequeno, e tens os teus próprios preservativos, negoceia a situação com x trabalhadorx.
  • Se houver algum acidente com o preservativo, isto é, caso este rebente ou saia durante a penetração, mantém a calma. Há técnicas que podem reduzir o risco e medidas como a PPE.
  • Tenta ser discretx e respeitar o espaço de trabalho. Pode haver vizinhos e a discrição e tranquilidade são importantes.
  • A confiança é essencial por isso se tiveres dúvidas pergunta. Xs trabalhadorxs do sexo são por norma pessoas informadas sobre os riscos, as infeções e qual a melhor forma de proteger a relação sexual.
  • Como cliente podes ser uma ajuda na identificação de casos de tráfico, exploração sexual ou outro tipo de violência. Em Portugal ser cliente de sexo pago não é crime, por isso não deves ter receio de recorrer às entidades competentes e denunciar situações de violência ou outras.

Continuar a ler

Hepatite

Infeções Sexualmente Transmissíveis

Hepatite

A hepatite é uma inflamação do fígado, que representa um dos maiores desafios de saúde pública a nível mundial, uma vez que afeta centenas de milhões de pessoas. O termo “hepatite” abrange um conjunto de doenças que, embora partilhem o mesmo órgão-alvo, têm características, vias de transmissão e prognósticos diferentes.

De acordo com o Global Hepatitis Report 2024, da OMS, as hepatites virais causaram 1,3 milhões de mortes em 2022 em todo o mundo, sendo que 83% destas foram causadas pela hepatite B e 17% pela hepatite C.

O número de óbitos anuais devido às hepatites B e C é superior ao número de mortes provocadas pelo HIV e comparável à mortalidade por tuberculose.

cabeças de lego

O que é a hepatite e a hepatite viral?

A palavra hepatite deriva do grego hépar (fígado) e do sufixo -ite (inflamação). Assim, a hepatite designa uma inflamação das células do fígado (hepatócitos) em resposta a uma agressão, a qual pode ter diferentes origens. Falamos de uma hepatite viral quando esta tem origem numa infeção por vírus.

Uma inflamação no fígado não deve ser ignorada, até porque este é um dos órgãos mais importantes do nosso corpo, desempenhando mais de 500 funções vitais, entre as quais:

  • Regula o metabolismo dos hidratos de carbono, gorduras e proteínas;
  • Armazena glicose (glicogénio), libertando-a para a corrente sanguínea quando os níveis de açúcar no sangue baixam;
  • Metaboliza os ácidos gordos para produzir energia;
  • Sintetiza colesterol e triglicéridos;
  • Converte o excesso de aminoácidos em ureia (que depois é excretada pelos rins);
  • Sintetiza proteínas essenciais — o fígado produz: albumina (proteína essencial para manter a pressão oncótica e transportar substâncias), fatores de coagulação (sem os quais o sangue não coagula), protrombina, fibrinogénio e proteínas de transporte. Quando há falência hepática, ocorrem hemorragias incontroláveis e edemas, precisamente porque as proteínas deixam de ser produzidas;
  • Desintoxica o organismo — filtra mais de 1 400 litros de sangue por dia, removendo e neutralizando substâncias tóxicas (incluindo álcool, drogas recreativas, medicamentos, pesticidas, produtos do metabolismo bacteriano provenientes do intestino);
  • Produz bílis (fluido digestivo essencial para a emulsificação e absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis no intestino delgado);
  • Excreta substâncias que os rins não podem eliminar — como a bilirrubina. Um fígado inflamado não consegue processar a bilirrubina adequadamente, acumulando-se no sangue e nos tecidos, causando icterícia;
  • Armazena reservas de vitaminas e minerais (A, D, E, K, B12, ferro e cobre);
  • Atua na imunidade — é no fígado que se encontram as células de Kupffer, as maiores “destruidoras” de bactérias, vírus, células tumorais e outros agentes patogénicos.

Quando o fígado é agredido — seja por um vírus, por substâncias tóxicas, como o álcool, por medicamentos ou pelo próprio sistema imunitário — os hepatócitos sofrem danos celulares, os quais ativam uma resposta inflamatória. Perde progressivamente a sua capacidade de funcionar, podendo levar a complicações graves e potencialmente fatais, como cirrose, insuficiência hepática aguda e carcinoma hepatocelular.

Tipos e causas da hepatite

As causas mais comuns (e com maior impacto global) são as infeções por vírus, dando origem às hepatites virais (A, B, C, D, E e G). Contudo, a inflamação hepática pode ser desencadeada por causas não-infecciosas, incluindo:

  • Hepatite tóxica ou medicamentosa — causada pelo consumo de álcool em excesso, pela exposição a produtos químicos industriais, pelo uso de drogas recreativas ou pela toma prolongada (ou em doses excessivas) de certos medicamentos, como o paracetamol.
  • Esteatose hepática (doença do fígado gordo) — resulta da acumulação excessiva de gordura nas células hepáticas, intimamente ligada à obesidade, à diabetes tipo 2 e à síndrome metabólica. É uma das causas crescentes de cirrose nos países desenvolvidos.
  • Hepatite autoimune — condição crónica em que o próprio sistema imunitário perde a tolerância e ataca as células hepáticas saudáveis.
As hepatites A, B, C, D e G podem ser transmitidas pela via sexual.

Quantas hepatites virais existem?

Identificaram-se, até à data, 6 tipos principais de vírus que atingem o fígado, designados pelas letras A, B, C, D, E e G. Cada um dos vírus pertence a famílias virais diferentes e, por isso, com características epidemiológicas distintas. Vejamos:

  • Hepatite A — VHA (picornavírus), não apresenta risco de cronicidade;
  • Hepatite B — VHB (hepadnavírus), alto risco de cronicidade em recém-nascidos (apenas 5% em adultos);
  • Hepatite C — VHC (flavivírus), risco muito elevado de cronicidade (60 a 85%);
  • Hepatite D — VHD (deltavírus), risco de cronicidade, acelera a cirrose;
  • Hepatite E — VHE (hepevírus), cronicidade rara (exceto em pessoas imunossuprimidas);
  • Hepatite G — VHG, ou mais recentemente Human Pegivirus 1 (HPgV-1). O vírus infeta o fígado, mas não provoca inflamação hepática clinicamente significativa na grande maioria dos casos.

As hepatites B e C são aquelas que mais preocupam, uma vez que estes vírus têm a capacidade de estabelecer infeções crónicas assintomáticas que, ao longo de décadas, destroem o fígado.

De acordo com o relatório da OMS de 2024, estima-se que 254 milhões de pessoas vivam com hepatite B crónica e 50 milhões com hepatite C crónica.

A hepatite é contagiosa?

As hepatites virais são contagiosas e podem ser transmitidas de pessoa para pessoa, embora as vias de transmissão variem consoante o tipo de vírus:

  • Hepatite A — transmitida principalmente pela via fecal-oral, ingerindo comida ou água contaminada com fezes de uma pessoa infetada. Pode ser transmitida por via sexual, através de práticas de sexo oral-anal com uma pessoa infetada;
  • Hepatite B — transmitida pelo contacto com sangue ou fluidos (sémen e corrimento vaginal) de uma pessoa infetada;
  • Hepatite C — transmite-se pelo contacto com sangue infetado (mesmo que em pequenas quantidades). A transmissão sexual ocorre principalmente quando há exposição a sangue durante o ato sexual (práticas sexuais traumáticas, durante a menstruação, em pessoas com lesões genitais ou infeções sexualmente transmissíveis concomitantes, ou em homens que têm sexo com homens com práticas de maior risco);
  • Hepatite D — só ocorre em pessoas infetadas pelo vírus da hepatite B, uma vez que o vírus D é biologicamente incapaz de se replicar sem a presença do vírus B. É principalmente transmitido pelo contacto com sangue ou fluidos corporais infetados;
  • Hepatite E — transmite-se principalmente pela ingestão de água contaminada e carne malcozinhada (especialmente de porco, javali ou veado);
  • Hepatite G — transmite-se, sobretudo, pelo contacto com sangue infetado, embora também possa haver transmissão durante relações sexuais sem preservativo.
As hepatites tóxicas, metabólicas e autoimune não são contagiosas.

Resumindo:

 Hepatite

Agente viral

Principal via de transmissão

Risco de cronicidade

Profilaxia (vacina)

A

VHA (picornavírus)

Fecal-oral (alimentos/água contaminados), sexo oral-anal

Não

Sim (altamente eficaz)

B

VHB (hepadnavírus)

Sangue, fluidos sexuais, via perinatal (mãe-filho)

Sim (alto em recém-nascidos; ~5% em adultos)

Sim (incluída no PNV)

C

VHC (Flavivírus)

Exposição a sangue infetado (agulhas, transfusões, via sexual)

Sim (elevado, 60-85%)

Não

D

VHD (deltavírus)

Sangue, fluidos sexuais (requer a presença do VHB)

Sim (acelera a cirrose)

Sim (vacina do VHB previne o VHD)

E

VHE (hepevírus)

Fecal-oral (água contaminada, carne malcozinhada)

Rara (exceto em pessoas imunodeprimidas)

Sim (apenas na China)

G

VHG/GBV-C (Pegivírus)

Sanguínea, sexual, vertical

Viremia crónica frequente; doença hepática não estabelecida

Não

Hepatite aguda vs. crónica

A doença hepática é classificada de acordo com a sua duração e persistência:

  • Hepatite aguda — inflamação do fígado com duração inferior a 6 meses. Pode ser assintomática, apresentar sintomas ligeiros (semelhantes aos de uma gripe), ou evoluir para uma hepatite fulminante (insuficiência hepática aguda), uma emergência médica com elevada taxa de mortalidade (entre 40 e 80% dos casos);
  • Hepatite crónica — inflamação que persiste por mais de 6 meses, frequentemente sem sintomas. A inflamação persistente leva à morte dos hepatócitos e à sua substituição por tecido cicatricial (fibrose). Com o passar dos anos (ou até mesmo décadas), a fibrose severa evolui para cirrose (aumentando exponencialmente o risco de desenvolvimento de cancro do fígado). As causas mais comuns de hepatite crónica são os vírus da hepatite B e C, consumo de álcool em excesso, hepatite autoimune e esteatose hepática.

Sintomas de hepatite

Os principais sintomas de hepatite incluem:

  • Enjoos;
  • Perda de apetite;
  • Náuseas e vómitos;
  • Diarreia;
  • Urina escura e fezes claras;
  • Olhos e pele amarelados (icterícia);
  • Dores de cabeça;
  • Cansaço.

A gravidade da doença é muito variável e depende da causa, mas uma inflamação do fígado pode tornar-se crónica e evoluir para complicações mais graves como cirrose e insuficiência hepática. 

Por esta razão, um diagnóstico de hepatite deve sempre ser acompanhado por umx médicx para que a doença seja devidamente tratada.

Algumas hepatites resolvem-se com repouso e alimentação adequada, outras necessitam de tratamentos complexos que permitam controlar a sua evolução. 

Nos casos das hepatites B e A, é possível fazer a profilaxia (vacina da hepatite) em pessoas que tenham muitos contactos de risco e independentemente da idade.

Caso tenhas tido um contacto de risco que inclua relações sexuais desprotegidas, atos sexuais em que o preservativo rebentou, partilha de agulhas ou material para piercing e tatuagem não esterilizado, é importante realizar o rastreio às hepatites, principalmente se surgir algum dos sintomas típicos de hepatite, entre 15 a 45 dias após o contacto.

Hepatite A

A hepatite A é uma infeção viral, causada pelo VHA, um vírus do qual existem 7 genótipos. Este vírus é particularmente resistente ao calor e tem a capacidade de se manter infeccioso após meses à temperatura ambiente e por 30 minutos à temperatura de 60ºC. Resiste ao congelamento, bem como a muitos desinfetantes comuns.

É uma doença endémica em países de baixo e médio rendimento, com infraestruturas precárias de saneamento básico e acesso limitado a água potável.

Sendo um vírus cuja principal forma de transmissão é a oral-fecal, estas características fazem que com seja importante uma correta esterilização de certos alimentos e água — por exemplo, pela ação de raios UV, formaldeído ou cloro. 

Segundo estimativas da OMS, a hepatite A causou cerca de 35 569 mortes em 2023 a nível global.

Embora a mortalidade seja relativamente baixa quando comparada com as hepatites B e C, os surtos de hepatite A podem paralisar comunidades inteiras e causar perdas económicas significativas.

Hepatite A: como se transmite?

O VHA é transmitido, principalmente, pela via fecal-oral. Entra no organismo primeiramente pela boca, podendo a infeção ocorrer através de:

  • Relação sexual em que há contacto desprotegido ânus-boca; 
  • Consumo de alimentos e água contaminados, principalmente em locais em que o saneamento básico é precário — incluem-se aqui água não tratada, gelo contaminado, marisco cru (criado em águas com esgotos), frutas e vegetais lavados com água contaminada;
  • Contacto pessoal (mais comum dentro da família), pela confeção de alimentos por parte de uma pessoa infetadas com as mãos mal lavadas, por exemplo.

Após a entrada pela boca e desenvolvimento no fígado, o vírus é excretado pelas fezes do indivíduo infetado, mesmo que este não apresente sintomas. A partir daí, pode contaminar água, alimentos ou superfícies e ser ingerido por outras pessoas, perpetuando o ciclo de transmissão.

Sintomas de hepatite A

O período de incubação do VHA varia entre 14 e 28 dias. Em crianças com menos de 6 anos, a infeção é geralmente assintomática (em 90% dos casos). No entanto, em adolescentes e pessoas adultas, a doença manifesta-se de forma muito mais severa.

Os sintomas hepatite A surgem, na maior parte dos casos, de forma abrupta e incluem:

  • Fase prodrómica (pré-ictérica) — febre, mal-estar profundo, fadiga, náuseas, vómitos, diarreia e dor abdominal (especialmente na parte superior direita).
  • Fase ictérica — icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos), colúria (urina muito escura) e acolia (fezes claras ou acinzentadas, devido à ausência de pigmentos biliares).

A hepatite A não causa doença crónica. A recuperação dos sintomas pode ser lenta (semanas ou meses), contudo, a maior parte das pessoas recupera da hepatite A e ganha imunidade para toda a vida.

Em casos raros (especialmente em pessoas idosas ou com doença hepática prévia), pode desencadear uma hepatite fulminante fatal.

Vacina da hepatite A e outras medidas de prevenção

A vacina da hepatite A é a forma de prevenção mais eficaz. É administrada em duas doses, conferindo proteção a longo prazo.

Em Portugal, esta vacina não faz parte do esquema universal do Programa Nacional de Vacinação, mas é fortemente recomendada para grupos de risco:

  • Viajantes para áreas endémicas (África, Ásia, América Central e do Sul);
  • Pessoas com práticas sexuais oral-anal desprotegidas;
  • Pessoas que utilizam drogas injetáveis ou não injetáveis;
  • Doentes com doença hepática crónica (como os portadores de hepatite B ou C).

Além da vacinação, é aconselhado:

  • Manter a higiene pessoal, familiar e doméstica;
  • Higienização de alimentos suscetíveis;
  • Lavagem frequente das mãos, da região perianal e genital antes e após o contacto sexual. 

Hepatite B

A hepatite B é causada pelo VHB, um vírus de ADN resistente e extremamente infeccioso (até 100 vezes mais do que o vírus do HIV). O VHB pode sobreviver fora do corpo humano por, pelo menos, 7 dias, mantendo a sua capacidade de causar infeção.

Transmissão do VHB

A transmissão do VHB ocorre através da exposição a sangue, sémen ou fluidos vaginais infetados. As principais vias incluem:

  • Transmissão vertical (perinatal) — de uma mãe infetada para x recém-nascidx durante o parto. Esta é a via mais comum em áreas de alta endemicidade (como a Ásia e África Subsaariana);
  • Transmissão horizontal (infância) — contacto próximo entre crianças infetadas e não infetadas, através de pequenas feridas ou arranhões;
  • Transmissão sexual — relações sexuais desprotegidas com umx parceirx infetadx;
  • Exposição percutânea — partilha de agulhas e seringas no consumo de drogas, procedimentos médicos invasivos sem esterilização adequada, tatuagens, piercings e partilha de objetos cortantes e outros que possam conter sangue (lâminas de barbear, alicates de cutículas, escova de dentes, entre outros).

A hepatite B não é transmitida através de:

  • Partilha de comida;
  • Água;
  • Partilha de talheres;
  • Amamentação (de acordo com a OMS o risco de transmissão da hepatite B pela amamentação é praticamente inexistente quando os bebés de mães com hepatite B recebem a vacinação adequada);
  • Beijo ou abraço;
  • Tosse ou espirro.

Sintomas da hepatite B e evolução clínica

A fase aguda da hepatite B é frequentemente assintomática. Quando existem sintomas, estes são semelhantes aos da hepatite A:

  • Febre;
  • Fadiga;
  • Perda de apetite;
  • Vómitos e náuseas;
  • Dor abdominal;
  • Urina escura e fezes claras;
  • Icterícia.
Estes sintomas podem ser moderados ou fortes e, em alguns casos, pode ocorrer hepatite fulminante com insuficiência hepática e falência do funcionamento do fígado.

Muitas pessoas conseguem resolver a infeção nesta fase naturalmente, outras desenvolvem doença crónica, cirrose ou cancro do fígado. O risco de desenvolver hepatite B crónica é inversamente proporcional à idade em que a infeção ocorre:

  • Infeção na infância (até 5 anos): 95% evoluem para cronicidade;
  • Infeção em adultos saudáveis: menos de 5% evoluem para cronicidade.

A infeção crónica pode levar décadas até manifestar sintomas, que geralmente só surgem quando já existe cirrose ou insuficiência hepática (ascite, encefalopatia, hemorragias digestivas).

Tratamento da hepatite B

As infeções agudas podem não precisar de tratamento específico e o sistema imunitário consegue controlar a infeção, eliminando o vírus em cerca de 6 meses. A medicação deve ser administrada quando há sintomas, para diminuir a sua gravidade e o seu impacto na vida do doente.

Nas infeções crónicas, a pessoa infetada é medicada com antivirais para controlar a infeção. Esta medicação não cura a infeção, mas é altamente eficaz na redução das lesões no fígado e na diminuição das complicações que decorrem da mesma. O tratamento é, geralmente, contínuo e para toda a vida.

A profilaxia pós-exposição é uma medicação que atua como a PPE, isto é, deve ser tomada após um contacto de risco para evitar a infeção por VHB.

Esta profilaxia é mais eficaz nas primeiras 12 horas após a infeção e consiste em duas etapas:

  1. Administrar a imunoglobulina endovenosa de forma a estimular a produção de anticorpos anti-VHB;
  2. Iniciar o esquema de vacinação (3 tomas) nas pessoas não vacinadas.

Vacina contra a hepatite B

A vacina contra a hepatite B é bastante eficaz (entre 80% a 100%) na prevenção. Já se encontra no Plano Nacional de Vacinação de forma universal desde 1995. Desde essa altura, todos os bebés recebem a primeira dose da vacina quando nascem e, depois, aos 2 e 6 meses de idade, num esquema de 3 doses. Quando tomada na infância, esta vacina tem uma taxa de eficácia elevada (de 95 a 99%).

Todos os adolescentes que ainda não tenham feito a vacinação devem iniciar o esquema vacinal o quanto antes, cumprindo o mesmo sistema de 0, 2 e 6 meses após a primeira dose.

A vacina contra a hepatite B é recomendada e gratuita também para alguns grupos de risco, tais como:

  • Profissionais de saúde;
  • Pessoas hemodialisadas;
  • Pessoas hemofílicas;
  • Pessoas que moram com portadorxs de hepatite B;
  • Estudantes e docentes de faculdades de Medicina e Medicina Dentária, Enfermagem e Tecnologias da Saúde.

Para evitar a hepatite B, para além da vacina, deves ter os seguintes cuidados:

  • Usar o preservativo em todas as práticas sexuais;
  • Evitar o contacto com sangue ou outros fluidos corporais;
  • Praticar sempre sexo seguro;
  • Utilizar apenas agulhas esterilizadas e descartáveis (seja no consumo de substâncias ou em tratamentos estéticos);
  • Evitar a partilha de escovas de dentes, lâminas de barbear e/ou outros objetos perfurantes ou cortantes (como os utilizados na manicura ou outros procedimentos estéticos);
  • Fazer tatuagens, piercings ou acupuntura apenas com material descartável ou devidamente esterilizado.

Hepatite C

A hepatite C é causada pelo Vírus da Hepatite C (VHC). É uma infeção diferente da hepatite C, tanto na sua evolução como no seu tratamento.

Transmissão do VHC

Esta infeção pode ser transmitida pela via sexual, no entanto esta não é a via preferencial, exceto no caso de relações anais (que têm maior risco de transmissão) e em pessoas portadoras de HIV.

O maior risco de transmissão ocorre em situações em que há entrada de sangue diretamente no organismo, como acontece na partilha de material não esterilizado para consumo de drogas injetáveis.

O risco de transmissão de mãe para filhx durante a gravidez é bastante baixo (cerca de 6%), e a amamentação, por norma, é segura, uma vez que, para existir transmissão do vírus, teria de haver troca direta de sangue através de cortes no mamilo e na boca da criança.

Assim sendo, as vias de transmissão incluem:

  • Partilha de material injetável — atualmente, é a principal via de novas infeções em países desenvolvidos (uso de drogas intravenosas);
  • Transfusões de sangue e produtos sanguíneos — historicamente a via mais comum antes da introdução do rastreio do sangue obrigatório em 1992;
  • Procedimentos médicos e estéticos — equipamento médico, odontológico ou de tatuagem mal esterilizado;
  • Transmissão sexual e vertical — ocorrem, mas são vias muito menos eficientes do que na hepatite B (risco de transmissão sexual é baixo, exceto em práticas com exposição a sangue, ou em pessoas coinfetadas com HIV).

Sintomas da hepatite C

A infeção aguda por VHC é assintomática em 75 a 85% dos casos, de acordo com o CDC (Centers for Disease Control and Prevention). Segundo a OMS, dos indivíduos infetados, 30% (com intervalo de 15–45%) conseguem eliminar o vírus espontaneamente. Os restantes 70 a 85% desenvolvem hepatite C crónica.

A progressão da doença é muito lenta, ocorrendo durante décadas, muitas vezes sem sintomas. Sem diagnóstico, cerca de 15 a 30% destes doentes desenvolverão cirrose.

A infeção pode ser aguda e surgir entre 2 e 12 semanas após a infeção. Os sintomas são geralmente leves:

  • Fadiga;
  • Náusea, vómitos;
  • Febre;
  • Dores nos músculos ou articulações;
  • Perda de apetite;
  • Perda de peso;
  • Icterícia;
  • Urina escura e fezes claras.

A infeção crónica é a mais comum e define-se pela replicação ativa do vírus durante, pelo menos, 6 meses. Os sintomas podem ser leves e pouco específicos durante os primeiros anos:

  • Fadiga extrema;
  • Problemas cognitivos ligeiros.

Quando não é tratada, a hepatite C pode resultar em cirrose e cancro do fígado.

Por ser uma doença frequentemente assintomática, muitas pessoas desconhecem que estão infetadas e que são transmissoras do vírus.

Para saber se estás infetadx pelo vírus da hepatite C, deves fazer o teste caso tenhas tido algum comportamento de risco e/ou surjam sintomas característicos da infeção.

O principal exame para diagnóstico da hepatite C é a pesquisa de anticorpos contra o vírus VHC, o anti-VHC. Para se chegar a um diagnóstico definitivo, devem ser feitos exames complementares em meio hospitalar.

Podes fazer o teste em vários locais, como centros de saúde, farmácias ou laboratórios, mas muitas pessoas preferem realizá-lo nas diferentes entidades não governamentais e associações. Pesquisa as que se encontram na tua localidade utilizando o nosso mapeamento.

Como tratar a hepatite C? Antivirais de ação direta (DAA)

Ao contrário da hepatite B, já existe cura para a hepatite C. Cerca de 95% dos casos de hepatite crónica desaparecem com o tratamento, que é feito com os antivirais de ação direta (DAA), os quais são tomados sob vigilância durante o tempo estipulado pelx médicx, que pode durar várias semanas.

Quando os efeitos colaterais do tratamento são muito severos, pode haver necessidade de suspender o tratamento.

Nos casos em que não ocorre a cura total, o tratamento permite, pelo menos, diminuir a severidade dos sintomas e evitar a doença hepática grave. Quando a doença danifica de forma extensa o fígado, causando cirrose, x paciente pode ter de recorrer a um transplante de fígado.

As pessoas infetadas com VHC devem evitar o álcool e medicamentos tóxicos para o fígado, para potenciar a cura e evitar mais danos.

Como prevenir?

O vírus da hepatite C possui muitas variações e mutações, chamadas de subtipos ou genótipos. Por esta razão, não existe vacina para a hepatite C, acabando a prevenção por ser a de evitar o contacto com sangue infetado.

A partilha de agulhas e seringas contaminadas é ainda a principal via de infeção.

O que deves evitar:

  • Consumo de substâncias injetáveis com material não esterilizado;
  • Partilha de escovas de dentes, lâminas e outros objetos que possam conter sangue;
  • Fazer tatuagens e piercings com material não esterilizado;
  • Praticar sexo sem proteção.

Hepatite D

A hepatite D (VHD) é um vírus que necessita obrigatoriamente da presença do vírus da hepatite B (VHB) para se replicar e infetar as células. A coinfeção (adquirir ambos em simultâneo) ou a superinfeção (adquirir o VHD quando já se tem hepatite B crónica) resulta na forma mais grave de hepatite viral.

De acordo com a OMS, a superinfeção acelera drasticamente a progressão da doença (70-90% dos casos), levando à cirrose num curto espaço de tempo.

Como prevenir e tratar?

Uma vez que a hepatite D só infeta quem tem o VHB, a prevenção dá-se através da vacina contra a hepatite B.

Recentemente, a Agência Europeia do Medicamento aprovou o Bulevirtide, um novo fármaco que inibe a entrada do VHD nas células, para o tratamento de hepatite D crónica.

Hepatite E

O vírus da hepatite E (VHE) é muito similar à hepatite A. Transmite-se pela via fecal-oral, principalmente através do consumo de água contaminada ou pelo consumo de carne de porco ou javali malcozinhada.

O VHE geralmente causa uma doença aguda e autolimitada (resolve-se por si própria). No entanto, a hepatite E, de acordo com a OMS, é particularmente perigosa para mulheres grávidas, podendo causar insuficiência hepática fulminante no terceiro trimestre de gestação, com taxas de mortalidade materna a atingir os 20-25%.

Como prevenir e tratar?

Não existe um tratamento antiviral específico para a hepatite E aguda, contudo, como a doença é geralmente autolimitada, recomenda-se apenas:

  • Repouso, hidratação e alimentação ligeira;
  • Evitar medicamentos que possam agravar a função hepática, como o paracetamol.

A hospitalização só se dá nos casos de hepatite fulminante ou em grávidas sintomáticas (pelo risco de mortalidade no terceiro trimestre de gravidez).

A OMS identifica as seguintes ações de prevenção:

  • Garantir a qualidade e segurança do abastecimento público de água potável;
  • Implementar sistemas adequados de tratamento e eliminação de fezes humanas (saneamento básico);
  • Manter práticas rigorosas de higiene pessoal, incluindo lavagem das mãos;
  • Evitar o consumo de água e gelo de origem desconhecida ou não tratada;
  • Cozinhar bem a carne de porco, javali e veado, uma vez que estes animais são reservatórios do vírus.

Na China, é usada uma vacina contra o VHE (HEV 239 — Hecolin), contudo, o seu uso comercial generalizado não está disponível fora do país, sendo usada, principalmente, como resposta a surtos em contextos humanitários.

Hepatite G

O vírus da hepatite G (VHG), ou, pela nomenclatura mais recente, Human Pegivirus 1 (HPgV-1), foi identificado em 1995 e pertence à família flaviviridae, o mesmo grupo taxonómico do vírus da hepatite C.

A hepatite G não se encontra nas tabelas padrão da OMS nem nos programas de saúde pública, pois, ao contrário dos vírus A, B, C, D e E, a infeção pelo VHG não está associada a inflamação hepática clinicamente relevante, como revela o estudo de Kleinman et al. (2001), publicado na revista Transfusion.

Alguns estudos, como o de Xiang et al. (2001), publicado no New England Journal of Medicine, sugerem ainda que a coinfecção com VHG pode ter um efeito protetor em doentes com HIV, retardando a progressão para SIDA.

Transmissão da Hepatite G

O VHG transmite-se, principalmente, pelo contacto com sangue contaminado. Por isso, encontra-se mais frequentemente este vírus em pessoas que usam drogas injetáveis, doentes em hemodiálise, recetores de transfusão de sangue e pessoas coinfetadas com VHC ou HIV,

A transmissão sexual e a transmissão vertical (de mãe para filho) estão documentadas, mas em números muito baixos.

Tratamento e prevenção da Hepatite G

Não existe tratamento antiviral específico aprovado para a hepatite G, até porque a infeção não provoca inflamação hepática significativa. Também não existe vacina contra este vírus.

A prevenção baseia-se em:

  • Não partilhar seringas, agulhas ou qualquer material de injeção;
  • Exigir material esterilizado em procedimentos médicos, odontológicos, de tatuagem ou piercing;
  • Praticar sexo seguro com uso de preservativo;
  • Garantir o rastreio do sangue em transfusões e produtos sanguíneos.

Hepatite autoimune

A hepatite autoimune é uma doença crónica de causa desconhecida, na qual o sistema imunitário do organismo ataca e destrói as próprias células hepáticas. Afeta, principalmente, pessoas do sexo feminino e, especialmente, na adolescência/início da idade adulta e após os 40 anos.

Sintomas da hepatite autoimune

Os sintomas iniciais são, frequentemente, ligeiros ou inexistentes. Quando há sintomas, os mais comuns são:

  • Fadiga;
  • Dores nas articulações;
  • Desconforto abdominal;
  • Comichão;
  • Náuseas;
  • Aumento do fígado;
  • Icterícia (ocasionalmente).

Em 10% a 20% dos casos, a doença apresenta-se de forma aguda e fulminante.

Como tratar a hepatite autoimune?

O tratamento deste tipo de hepatite tem como objetivo suprimir a resposta imunitária para induzir e manter a remissão da doença, geralmente pelo uso de corticosteroides associados a um imunossupressor.

O transplante de fígado é a única opção curativa quando a doença progride para cirrose descompensada.

Rastreio das hepatites

Uma vez que a maior parte dos casos de hepatite não apresenta sintomas, o rastreio torna-se essencial para detetar casos precocemente, evitando o evoluir para doenças hepáticas graves. O rastreio é feito através de análises clínicas para avaliar a função hepática.

A OMS e as autoridades de saúde recomendam o rastreio das hepatites B e C a todos os adultos pelo menos uma vez na vida, e testes regulares para populações com comportamentos de risco.

Se tens dúvidas sobre o teu estado de saúde ou se estiveste expostx a algum fator de risco, marca uma consulta médica para fazer o teu rastreio.

Continuar a ler

Infeções Sexualmente Transmissíveis

Saúde

Infeções Sexualmente Transmissíveis

As Doenças sexualmente transmissíveis como são vulgarmente conhecidas, são designadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) por Infeções Sexualmente transmissíveis (ISTs). A OMS alterou esta designação porque nem todas as infeções são doenças, apesar de muitas doenças iniciarem por uma infeção, para além disso, a alteração do termo diminui o estigma associado a estas infeções.

As ISTs incluem um leque de infeções causadas por bactérias, vírus e parasitas que são transmitidas de pessoa para pessoa pela via sexual. É importante conhecer os principais sintomas e sinais de alerta para atuar rapidamente e procurar ajuda especializada.

Aqui podes encontrar uma descrição das infeções mais comuns, saber como deves agir se estiveres infetadx e como podes trabalhar se tiveres uma infeção. 

Picos

HIV

Saber mais

Saber mais

Muitos buracos

Sífilis

Saber mais

Saber mais

Textura dourada com muito detalhe

Hepatite

Saber mais

Saber mais

imagem do ceu com neve a cair

Gonorreia

Saber mais

Saber mais

fogueira na gruta

Clamídia

Saber mais

Saber mais

textura preta como se fosse um camaleão

HPV

Saber mais

Saber mais

bolhas de sabão na floresta

Monkeypox

Saber mais

Saber mais

Corredor claustrofóbico com um quadrado e um ponto de interrogação desenhado na parede no fundo do corredor escuro

Como agir?

Saber mais

Saber mais

Continuar a ler