
DIU e SIU: que são e quais as vantagens e desvantagens?
Escolher o método contracetivo mais adequado é fundamental para a tua saúde e bem-estar. O DIU (dispositivo intrauterino) e o SIU (sistema intrauternino) são opções interessantes pela sua grande eficácia e longa duração.
Apesar da comodidade e eficácia destes métodos contracetivos, eles não protegem contra IST, o que obriga a outros métodos de barreira, especialmente para aquelas pessoas que fazem Trabalho Sexual.
Aqui, vamos mostrar-te o que são o DIU e o SIU, como funcionam, as vantagens e desvantagens de cada um dos métodos e as possíveis complicações que podem ter.
O que é o DIU
O DIU (dispositivo intrauterino) é um dispositivo revestido de cobre, em forma de “T”, o qual é inserido no interior da cavidade uterina com o objetivo de prevenir a gravidez. Ele é um método contracetivo reversível e, por não ter libertação hormonal, não prejudica uma tentativa de gravidez quando retirado do útero.
É um método contracetivo cómodo, pois, uma vez inserido, oferece proteção até 10 anos. É, portanto, muito eficaz para aquelas pessoas que costumam esquecer-se de tomar a pílula diariamente, trocar o anel vaginal ou o adesivo contracetivo, ou para aquelas que não querem tomar hormonas.
Como funciona o DIU (dispositivo intrauterino)?
O DIU de cobre atua de forma contínua para evitar a fecundação e a gravidez. O metal liberta iões de cobre no útero, criando um ambiente tóxico para os espermatozoides (imobiliza-os ou mata-os, impedindo que cheguem às trompas de Falópio para fertilizar o óvulo).
O cobre também desencadeia uma resposta inflamatória local no endométrio (revestimento interno do útero), dificultando a implantação do óvulo (caso o espermatozoide o consiga fecundar).
Tipos de DIU
É comum usarmos o termo “DIU” para englobar todas as opções de dispositivos intrauterinos. Na prática clínica, contudo, existem dois termos usados distintamente:
- DIU de cobre — dispositivo em forma de “T”, revestido em cobre. Imobiliza e mata os espermatozoides pela ação tóxica do cobre. Causa uma reação inflamatória no endométrio que impede a implantação do óvulo. Não contém hormonas. Dura de 5 a 10 anos.
- SIU (sistema intrauterino hormonal) — dispositivo em forma de "T" com pequeno reservatório que contém levonorgestrel (hormona progestativa). Espessa o muco cervical e afina o revestimento do útero. Em alguns casos, inibe a ovulação. Dura de 3 a 8 anos.
SIU (sistema intrauterino hormonal): como atua?
O SIU é um dispositivo de plástico em forma de “T”, o qual é inserido no interior da cavidade uterina, com levonorgestrel. Ele previne a gravidez de três formas:
- Espessa o muco cervical — a hormona altera a consistência do muco cervical, tornando-o mais espesso e viscoso (criando uma barreira física que dificulta a passagem dos espermatozoides);
- Afina o endométrio — o levonorgestrel torna o revestimento do útero mais fino, fazendo com que seja menos recetivo a uma implantação de um óvulo fecundado;
- Inibe a ovulação — em alguns casos, a quantidade de hormona em circulação pode inibir a libertação do óvulo. No entanto, o ciclo hormonal natural não é afetado de forma drástica.
Qual a diferença entre DIU e SIU?
O DIU e o SIU têm o mesmo formato e são inseridos da mesma forma. O que os diferencia é a presença ou ausência de hormonas, assim como a forma como eles alteram o ambiente uterino.
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Diferenças entre DIU e SIU |
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DIU |
SIU |
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Não contém hormonas |
Contém hormonas (levonorgestrel) |
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Iões de cobre imobilizam ou matam espermatozoides |
Libertação contínua da hormona espessa o muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides |
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Cobre desencadeia resposta inflamatória local no endométrio, dificultando a implantação do óvulo |
Hormona afina o endométrio, tornando-o menos recetivo a uma implantação do óvulo e, em alguns casos, inibe a ovulação |
DIU ou SIU: qual escolher?
A escolha do método contracetivo é individual, mas deve sempre ser discutida com umx médicx. Devemos ter em conta o historial clínico, as preferências e as características do ciclo menstrual.
👉 O DIU de cobre pode ser uma escolha acertada se:
- Queres um método contracetivo de longa duração;
- Queres um método isento de hormonas;
- Não queres interferência no teu ciclo hormonal natural;
- Tens efeitos secundários associados aos estrogénios e/ou progestativos;
- Não te importas com a possibilidade de ter menstruações mais longas, abundantes e com mais cólicas.
👉 O SIU pode ser uma escolha apropriada se:
- Sofres de menstruações muito abundantes (menorragia) ou dolorosas (dismenorreia);
- Tens anemia associada a perdas de sangue menstruais;
- Preferes ter menstruações muito ligeiras, infrequentes ou deixar de menstruar (amenorreia);
- Sofres de endometriose.
DIU: vantagens e desvantagens
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Vantagens |
Desvantagens |
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Grande eficácia (mais de 99%) |
Alterações menstruais (aumento da quantidade e duração do fluxo menstrual) |
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Longa duração (até 10 anos) |
Cólicas mais intensas (especialmente nos primeiros meses) |
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Reversível imediatamente |
Não protege contra IST |
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Sem hormonas (não altera o ciclo hormonal natural) |
Precisa de ser inserido e removido por umx médicx |
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Apto para pessoas que têm doença hepática grave, cancro ou risco de trombose |
Risco de expulsão (2 a 10%) e perfuração do útero (1 a 2 em cada 1000) |
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Eficaz como contraceção de emergência (se inserido nos primeiros 5 dias após a relação sexual desprotegida) |
Não pode ser usado por pessoas com alergia ao cobre |
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Comparticipado e inserido gratuitamente nos centros de saúde e hospitais do SNS |
Não pode ser usado por pessoas que sofrem de anomalias da cavidade uterina (como miomas que distorçam a cavidade), DIP ativa ou doença de Wilson. |
SIU: vantagens e desvantagens
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Vantagens |
Desvantagens |
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Eficácia superior a 99% |
Sangramento irregular (principalmente nos primeiros 3 a 6 meses) |
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Reversível |
Não protege contra IST |
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Reduz o fluxo menstrual |
Dores de cabeça (em algumas pessoas) |
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Reduz as cólicas menstruais |
Sensibilidade mamária e acne (em algumas mulheres) |
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Longa duração (3 a 8 anos) |
Alterações de humor (em algumas mulheres) |
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Libertação hormonal local, resultando em níveis hormonais no sangue muito baixos quando comparados com a pílula |
Risco de expulsão (2 a 10%) e perfuração do útero (1 a 2 em cada 1000) |
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Pode ser inserido 4 a 6 semanas após o parto |
Não pode ser usado por pessoas com cancro da mama (atual ou recente) |
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Seguro durante a amamentação |
Não pode ser usado por pessoas com doença hepática grave |
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Pode reduzir o risco de cancro do endométrio e do ovário |
Contraindicado a pessoas com doença tromboembólica ativa |
Qual a eficácia do DIU e do SIU?
O DIU e o SIU apresentam taxas de eficácia muito altas: superiores a 99%. Como estes métodos contracetivos não estão dependentes da adesão diária da pessoa, o risco de falha humana é nulo.
Não há esquecimentos ou anulação do efeito com vómitos, diarreias ou interação com outros medicamentos, como acontece com a pílula. São, portanto, os métodos contracetivos mais eficazes.
É possível engravidar com o DIU ou com o SIU?
Apesar da sua eficácia, nenhum método contracetivo é 100% infalível. Portanto, é possível engravidar com o DIU (taxa de falha inferior a 2%) ou com o SIU (inferior a 1,5%), embora seja raro.
Se ocorrer uma gravidez com o DIU ou SIU, há maior probabilidade de que esta seja ectópica (fora do útero). No entanto, vale dizer que o risco de ter uma gravidez ectópica é muito inferior para pessoas com DIU e SIU em comparação com aquelas que não usam nenhum método contracetivo.
Como é colocado o anticoncecional DIU ou o SIU?
A inserção do SIU e do DIU é igual e este é um processo muito simples e rápido.
- Exame ginecológico — médicx ou enfermeirx avalia a posição e tamanho do útero inserindo um espéculo na vagina para ver o colo do útero;
- Desinfeção — vagina e colo do útero são limpos com uma solução antissética;
- Medição — profissional de saúde mede a profundidade e direção da cavidade uterina com um histerómetro;
- Inserção — insere-se o DIU ou SIU com um tubo aplicador fino e flexível;
- Corte dos fios — retira-se o aplicador e cortam-se os fios ligados à base do DIU/SIU, deixando cerca de 2 a 3 cm visíveis no topo da vagina.
A inserção do DIU/SIU pode ser feita em qualquer altura, mas muitxs profissionais de saúde preferem fazê-lo durante a menstruação (altura em que o colo do útero está mais dilatado, facilitando a passagem do dispositivo).
Qual o preço do DIU e do SIU?
O preço do DIU e do SIU varia consoante o local onde o procedimento é feito. Se a inserção for feita no centro de saúde ou num hospital do SNS, no âmbito das consultas de Planeamento Familiar, não pagas nada (nem pelo dispositivo nem pelo procedimento).
Caso faças a inserção no setor privado, os custos variam bastante. Tens de pagar o valor do dispositivo numa farmácia (o SIU é mais caro que o DIU) e o valor do ato médico.
Cuidados a ter depois de colocar o DIU ou SIU
Se inseriste o DIU ou SIU, deves ter alguns cuidados nas próximas 48 horas para garantires uma boa adaptação e para minimizares os riscos:
- Evita relações sexuais com penetração;
- Não uses tampões;
- Não tomes banho de imersão.
👉 Podes retomar a tua rotina após as 48 horas após a inserção do DIU ou SIU.
Deves, ainda:
- Marcar uma consulta de seguimento após a primeira menstruação ou cerca de 3 a 6 semanas após a inserção;
- Manter consultas anuais de planeamento familiar ou de ginecologia.
Sintomas de rejeição do DIU/SIU e complicações
Embora o DIU e o SIU sejam muito seguros, podem ocorrer complicações. Deves estar atentx aos sintomas de rejeição do DIU/SIU (expulsão) e a outros sinais de alerta:
- Expulsão (parcial ou total) — ocorre entre 2 a 10% das pessoas que inserem estes dispositivos, mas é mais frequente nos primeiros meses após a inserção, em pessoas jovens, que nunca tiveram filhos ou no pós-parto recente. Os sintomas mais comuns de expulsão incluem dor abdominal, cólicas anormais, sangramento vaginal irregular, sensação de que a haste está na vagina (a haste é rígida);
- Perfuração uterina — complicação muito rara (1 a 2 em cada 1000 inserções). O dispositivo perfura a parede do útero durante a inserção. Pode não apresentar sintomas e só ser descoberta quando a pessoa não consegue encontrar os fios ou durante ecografia. Pode causar dor intensa quando o DIU/SIU passa para a cavidade abdominal. Nestes casos, pode precisar de remover cirurgicamente.
- Dor e sangramento excessivo — é mais comum com o DIU de cobre. Se o sangramento for muito intenso e/ou se a dor pélvica for persistente, consulta umx médicx.
Como verificar os fios?
- Lava as mãos com água e sabão;
- Encontra uma posição confortável (com uma perna levantada, agachadx, sentadx na sanita);
- Introduz um dedo na vagina até ao colo do útero;
- Sente os fios (devem sair do colo do útero).
Usa outro método de barreira, como o preservativo, e marca uma consulta médica.
Riscos de infeção e doença inflamatória pélvica (DIP)
Vale a nota que, ao inserir estes dispositivos, pode (teoricamente) transportar bactérias presentes na vagina ou no colo para a cavidade uterina. Por isso, o risco de desenvolver DIP é mais elevado nos primeiros 20 a 30 dias após a inserção do DIU ou do SIU.
Pessoas trabalhadoras do sexo nunca devem usar apenas o SIU ou o DIU, uma vez que estes métodos não protegem contra infeções sexualmente transmissíveis (principais responsáveis pela DIP).
Devido a estes riscos, pessoas trabalhadoras do sexo que usam DIU/SIU devem:
- Fazer rastreio prévio — o rastreio completo de IST deve ser feito antes da inserção do DIU ou do SIU. Caso tenhas alguma infeção ativa, não dever inserir estes dispositivos até que a infeção esteja completamente tratada e curada;
- Usar preservativo — no contexto do Trabalho Sexual, o uso do DIU ou SIU serve apenas para prevenir a gravidez. Portanto, o uso consistente e correto do preservativo em todos os contactos sexuais é inegociável. Só o preservativo (masculino ou feminino) te protegem de IST, como HIV, sífilis, HPV, gonorreia ou clamídia;
- Fazer rastreios regulares — manter uma rotina de rastreios regulares de IST permite detetar e tratar precocemente uma infeção.
👉Procura cuidados médicos imediatos se apresentares os seguintes sintomas de infeção ou DIP:
- Febre ou arrepios;
- Dor pélvica ou abdominal contínua e/ou intensa;
- Corrimento vaginal anormal;
- Dor ou sangramento durante o ato sexual;
- Sangramento vaginal intenso ou fora do período menstrual.
O DIU e o SIU são muito eficazes na prevenção de uma gravidez, mas deves sempre usar um método de barreira que te proteja de IST. Lembra-te de que a tua saúde depende disso.