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profissional faz ecografia para verificar gravidez

Gravidez ectópica: tipos, sintomas iniciais e como agir?

A gravidez ectópica acontece quando o óvulo fecundado se implanta fora da cavidade uterina. Esta é uma situação pouco frequente, mas que exige cuidados médicos precoces.

Assim que tens um teste de gravidez com resultado positivo, é importante que marques uma consulta médica. O acompanhamento médico desde o início da gestação permite detetar qualquer problema antes que este se torne mais grave.

Aqui, vamos mostrar-te o que é a gravidez ectópica, como identificar os primeiros sintomas e como deves agir.

O que é uma gravidez ectópica

Uma gestação normal caracteriza-se pela fixação do óvulo fecundado na parede interna do útero (endométrio). Contudo, por vezes, o óvulo implanta-se fora da cavidade uterina (pode fixar-se nas trompas de Falópio, nos ovários, no colo do útero ou na cavidade abdominal). Quando isto acontece, estamos perante uma gravidez ectópica.

A gravidez ectópica ocorre entre 1 e 2% de todas as gestações.

Só a parede uterina é capaz de oferecer boas condições para o desenvolvimento do feto. Ovários, trompas de Falópio, colo do útero e cavidade abdominal não têm espaço para o crescimento do feto, tão-pouco fornecem os nutrientes necessários para que o embrião se desenvolva.

Ora, uma gestação fora da cavidade uterina é inviável e requer acompanhamento médico precoce.

Apesar de pouco frequente, a gravidez ectópica é responsável por 3 a 4% da mortalidade associada à gravidez.

Quais os tipos de gravidez ectópica?

O tipo de gravidez ectópica depende do local onde o embrião se fixa. Temos:

  • Tubária — é a gravidez ectópica mais comum, representando, aproximadamente, 95% dos casos. Caracteriza-se pela fixação do embrião nas trompas de Falópio;
  • Ovariana — quando o embrião se fixa em um dos ovários. Representa 3 a 4% dos casos de gravidez ectópica;
  • Cervical — quando o embrião se implanta no colo do útero. Este tipo de gravidez ectópica é muito raro;
  • Intersticial / intramural — este tipo também é raro e caracterização pela implantação do óvulo fecundado na porção da trompa que atravessa a parede uterina;
  • Cicatriz de cesarina — em alguns casos, muito raros, o embrião pode fixar-se na cicatriz de uma cesariana anterior;
  • Abdominal — acontece quando o embrião se fixa na cavidade abdominal. Este tipo é o mais raro, representando menos de 1% dos casos de gravidez ectópica. É das mais difíceis de identificar, uma vez que o embrião pode fixar-se em órgãos como a bexiga ou o intestino.

IST, DIP e gravidez ectópica: porque o rastreio é tão importante?

Infeções sexualmente transmissíveis (IST) e a doença inflamatória pélvica (DIP) aumentam o risco de uma gravidez ectópica.

Infeções como a clamídia e a gonorreia, por exemplo, se não forem tratadas a tempo, podem desenvolver-se e atingir a parte superior do trato reprodutivo (DIP), causando inflamação nas trompas de Falópio. Esta inflamação provoca estreitamentos e cicatrizes que impedem ou dificultam a passagem do embrião até ao útero, resultando numa gravidez ectópica.

Por isso, a DIP é um dos principais fatores de risco para a gravidez ectópica, e basta apenas um episódio para aumentar significativamente o risco de complicações na gravidez.

Podes ler mais sobre esta condição no nosso artigo sobre doença inflamatória pélvica (DIP).

Nesse sentido, é essencial fazer-se o rastreio regular de IST como medida preventiva, principalmente porque muitas infeções são assintomáticas. Ao realizar-se o rastreio com frequência, consegue-se detetar e tratar uma IST antes de esta causar danos maiores.

Além do rastreio regular de IST, é possível reduzir o risco de gravidez ectópica:

  • Usando preservativo em todas as relações sexuais;
  • Não fumando (uma vez que o tabagismo aumenta o risco de gravidez ectópica);
  • Tendo uma consulta médica antes de planear uma gravidez, principalmente se tiveste episódio(s) de DIP, gravidez ectópica anterior ou cirurgia pélvica.

Sintomas iniciais de gravidez ectópica

Quando falamos de gravidez ectópica, a deteção precoce é essencial. Reconhecer os sintomas precocemente pode (mesmo!) fazer toda a diferença. Numa primeira fase, vais sentir os sintomas típicos de uma gestação:

  • Atraso menstrual;
  • Enjoos;
  • Cansaço;
  • Sensibilidade mamária.

Sintomas de gravidez ectópica entre as 4 e as 8 semanas

Os sintomas mais evidentes de uma gravidez ectópica surgem, normalmente, entre as 4 e as 8 semanas de gestação. Os mais comuns incluem:

  • Sangramento vaginal irregular (castanho-escuro, aguado ou diferente da menstruação);
  • Dor pélvica ou abdominal (na maioria dos casos, acomete só um lado da barriga);
  • Dor lombar;
  • Cólicas leves em um dos lados do abdómen inferior.

Como os sintomas podem ser muito subtis e parecidos com o início de uma menstruação ou de uma gravidez normal, é importante que procures uma avaliação médica se tiveres um teste de gravidez positivo (especialmente se estiver associado à dor pélvica).

Gravidez ectópica: sinais de emergência

A gravidez ectópica pode ser uma emergência médica se a trompa de Falópio romper. Assim sendo, vai imediatamente para a urgência do hospital (ou liga o 112) se sentires:

  • Dor súbita, intensa e constante na parte inferior do abdómen;
  • Tonturas, fraqueza ou desmaios;
  • Dor no ombro (em caso de rotura, além de doer na barriga, também dói no ombro);
  • Vontade súbita (e com dor) de evacuar;
  • Palidez e queda de pressão arterial.

Como é feito o diagnóstico de gravidez ectópica?

Como os sintomas de gravidez ectópica podem confundir-se com outras condições (apendicite, aborto, torção ovárica, entre outras), é importante que se façam exames e análises complementares, entre os quais:

  • Ecografia transvaginal — este exame de imagem é fundamental para visualizar a localização do embrião e confirmar se está ou não fora do útero;
  • Análises sanguíneas (Beta-hCG seriado) — medem os níveis de hCG (hormona da gravidez) ao longo de vários dias. Numa gravidez normal, o hCG duplica a cada 48 horas. Já numa gravidez ectópica, a subida desta hormonal é mais lenta (podendo até descer) e irregular;
  • Laparoscopia diagnóstica — quando há dúvidas, faz-se um procedimento cirúrgico minimamente invasivo para visualizar os órgãos pélvicos diretamente.

Quais as opções de tratamento para gravidez ectópica?

Qualquer gravidez ectópica precisa de tratamento. A abordagem a seguir depende da estabilidade clínica da pessoa, dos valores de hCG, da presença (ou não) de rotura e do tamanho da massa ectópica.

Quando a pessoa está clinicamente estável e a gravidez ectópica é detetada precocemente, pode optar-se pelo tratamento medicamentoso (recorre-se a metotrexato injetável para interromper o crescimento do embrião, regredindo a gravidez). Este tratamento é preferível, pois preserva melhor a fertilidade.

Quando estamos perante uma gravidez ectópica mais avançada, quando há suspeita de rotura, ou quando o tratamento anterior não é possível, a cirurgia é a única opção. Geralmente, prefere-se a laparoscopia para a remoção do embrião (e, em alguns casos, remoção parcial ou total da trompa), por ser uma cirurgia minimamente invasiva e ter uma recuperação mais rápida. No entanto, em situações de hemorragia grave, pode ser feita uma laparotomia (cirurgia aberta).

Cirurgia de gravidez ectópica: recuperação

A recuperação de uma laparoscopia é sempre menos dolorosa e mais rápida. Regra geral, a pessoa pode retomar as atividades normais em poucos dias (quando muito, duas semanas)

Se a pessoa foi submetida a laparotomia de emergência, pode ficar de repouso por mais de duas semanas.

Gravidez ectópica: o que fazer depois do tratamento

Viver uma gravidez ectópica é sempre difícil. O físico e o emocional ficam debilitados e devemos olhar para eles com carinho e cuidado. Se passaste por esta situação, sabe que é normal sentires tristeza, confusão, medo e até revolta.

Procura apoio psicológico, pois este é um momento que precisas de pessoas capazes de te ajudar a ultrapassar a situação e a “digerires” os teus sentimentos.

FAQ’s

Engravidei logo após gravidez ectópica. É possível?

Sim. Não é incomum engravidar logo depois e ter uma gestação saudável (e muitas pessoas conseguem engravidar facilmente de forma espontânea). No entanto, devemos informar que o risco de uma nova gravidez ectópica é ligeiramente superior, principalmente se uma das trompas ficou danificada ou foi removida.

Para evitares problemas maiores, marca uma consulta médica assim que tiveres um teste de gravidez positivo.

A gravidez ectópica dá positivo no teste de farmácia?

Sim, porque o corpo produz a hormona hCG, mesmo quando o embrião se fixa fora do útero (embora os valores possam ser inferiores e irregulares).

Na gravidez ectópica, a barriga cresce normalmente?

Na gravidez ectópica, o embrião não se fixa no útero e, por isso, a gestação é interrompida (seja de forma espontânea ou por intervenção médica). Nesse sentido, a barriga não cresce como em uma gravidez normal.

Na gravidez ectópica, o feto sobrevive?

Não. O feto é incapaz de sobreviver fora do útero, pois não consegue ter tudo do que precisa para se desenvolver. Fazer o diagnóstico precoce não irá salvar o feto, mas é essencial para proteger a vida da pessoa grávida.

Quanto tempo dura uma gravidez ectópica?

Geralmente, os sintomas de uma gravidez ectópica surgem entre as 6 e as 8 semanas de gestação (momento em que o tratamento é feito). Caso não seja diagnosticada, a trompa de Falópio pode romper-se entre as 6 e as 16 semanas de gestação (esta é uma emergência médica e que pode pôr em risco a vida da pessoa grávida).