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Mãos de cores diferentes de punho cerrado, colocadas lado a lado para representar a justiça social.
| Susana Valente | Direitos

Justiça social: o que é e como o Plano AproXima luta por ela

A expressão “justiça social” tornou‑se central em debates sobre desenvolvimento, direitos humanos e políticas públicas. Mas, apesar de ser amplamente utilizada, continua a ser um conceito que suscita dúvidas e daí a pergunta: "justiça social, o que é"? 

A par disso, questiona-se qual o verdadeiro alcance da justiça social e como se aplica no quotidiano. E, sobretudo, como podemos promovê‑la de forma concreta, especialmente num país como Portugal, onde persistem desigualdades estruturais.

Neste artigo, exploramos o significado de justiça social, os seus princípios fundamentais, a importância para a construção de uma sociedade mais equitativa e a forma como o Plano AproXima contribui diariamente para a sua promoção.

Aproveitamos também para refletir sobre o Dia Mundial da Justiça Social, celebrado a 20 de fevereiro, e sobre os desafios globais e nacionais que continuam a exigir ação.

Justiça social: significado e origem do conceito

A justiça social pode ser definida como o princípio que defende que todas as pessoas devem ter acesso às condições necessárias para viver com dignidade, independentemente da sua origem, género, etnia, idade, orientação sexual, condição socioeconómica ou ocupação.

É, portanto, um conceito que vai muito além da igualdade formal perante a lei.

Justiça social implica equidade, redistribuição de oportunidades, proteção dos direitos humanos e participação plena na vida social, económica e política.

Então, justiça social: o que é, afinal?

De forma resumida, podemos dizer que quando falamos de justiça social, falamos de:

  • Acesso a educação de qualidade;
  • Acesso a cuidados de saúde;
  • Condições de trabalho dignas;
  • Igualdade de oportunidades;
  • Proteção social;
  • Combate à pobreza e à exclusão;
  • Respeito pelos direitos humanos;
  • Participação cívica e política.
Justiça social é o direito de todxs  sem exceção  a uma vida digna.

Uma construção histórica

O conceito de justiça social ganhou força no século XIX, associado a movimentos que denunciavam desigualdades criadas pela industrialização.

No século XX, tornou‑se um pilar das Nações Unidas e de várias constituições democráticas, incluindo a portuguesa.

Hoje, continua a ser um dos grandes desafios globais, especialmente num mundo marcado por desigualdades económicas, crises ambientais, conflitos e migrações forçadas.

Princípios fundamentais da justiça social

A justiça social assenta em quatro pilares essenciais, dos quais vamos falar de seguida.

Equidade

A equidade reconhece que tratar todas as pessoas da mesma forma não é suficiente.

Cada pessoa tem necessidades diferentes, e a justiça social exige que essas diferenças sejam consideradas para garantir que todxs têm acesso real às mesmas oportunidades.

Direitos humanos

A justiça social não existe sem o respeito integral pelos direitos humanos.

Isto inclui direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais, desde a liberdade de expressão ao direito à habitação.

Acesso a oportunidades

Não basta garantir direitos no papel. É preciso assegurar que as pessoas conseguem exercê‑los.

Isso implica remover barreiras económicas, sociais, culturais ou institucionais que limitam o acesso a educação, emprego, saúde ou participação cívica.

Participação e inclusão

Uma sociedade justa é aquela em que todxs têm voz e podem participar nas decisões que afetam as suas vidas.

Isto inclui grupos frequentemente marginalizados, designadamente, trabalhadorxs do sexo, pessoas migrantes, pessoas em situação de pobreza, minorias étnicas, pessoas com deficiência, jovens, idosxs, entre outrxs.

Justiça social: exemplos concretos no dia a dia

Para compreender melhor o conceito, vale a pena olhar para exemplos de justiça social que se manifestam no quotidiano, tais como:

  • Escola que oferece apoio adicional a alunos de meios desfavorecidos;
  • Município que cria programas de habitação acessível;
  • Empresa que garante igualdade salarial entre homens e mulheres;
  • Centro comunitário que promove atividades interculturais;
  • Política pública que assegura acesso universal ao Serviço Nacional de Saúde (SNS);
  • Projeto social que apoia pessoas migrantes na integração laboral.

Estes exemplos de justiça social mostram que este não é um conceito meramente abstrato, mas uma prática diária que transforma vidas.

Porque existe o Dia Mundial da Justiça Social?

O Dia Mundial da Justiça Social, que se celebra a 20 de fevereiro, foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) para lembrar que a justiça social é essencial para a paz, o desenvolvimento sustentável e a convivência entre povos.

É um momento para refletir sobre desigualdades persistentes e para reforçar o compromisso global com a equidade e os direitos humanos.

Assim, todos os anos, este dia destaca temas como:

  • Erradicação da pobreza;
  • Trabalho digno;
  • Igualdade de género;
  • Inclusão de pessoas migrantes;
  • Acesso à educação;
  • Justiça climática.

Em Portugal, este dia tem ganho relevância, sobretudo entre organizações da sociedade civil que trabalham diretamente com populações vulneráveis, como é o caso do Plano AproXima.

Desafios globais da justiça social

Apesar dos avanços que têm sido conquistados nos últimos anos quanto à justiça social, o mundo continua a enfrentar desafios profundos neste domínio. Eis alguns dos mais relevantes:

Desigualdade económica crescente

A concentração de riqueza continua a aumentar, enquanto milhões de pessoas vivem em pobreza extrema.

Deste modo, a justiça social exige políticas redistributivas e sistemas de proteção social robustos.

Crises ambientais e climáticas

As alterações climáticas afetam desproporcionalmente as populações mais vulneráveis. Portanto, a justiça climática é hoje uma dimensão incontornável da justiça social.

Migrações e deslocações forçadas

Conflitos, pobreza e crises ambientais levam milhões de pessoas a deslocarem‑se. Garantir direitos e integração digna é, então, essencial e um desafio global.

Discriminação e exclusão

Racismo, xenofobia, sexismo, capacitismo e outras formas de discriminação continuam a limitar oportunidades e a violar direitos. Importa, por isso, tomar medidas para combater estas realidades.

A realidade portuguesa: onde estamos na justiça social?

Portugal tem feito progressos importantes no que se refere à justiça social, mas ainda enfrenta desafios significativos. Vamos ver os principais…

  • Desigualdades territoriais  o acesso a serviços públicos, emprego e oportunidades varia muito entre regiões urbanas e rurais;
  • Pobreza e exclusão social  apesar das melhorias, a taxa de pobreza continua elevada, especialmente entre crianças, idosxs e famílias monoparentais;
  • Desafios na integração de pessoas migrantes — Portugal tem sido um país de acolhimento para muitos migrantes, mas persistem barreiras no acesso a habitação, emprego e serviços;
  • Precariedade laboral — a precariedade e os baixos salários continuam a afetar sobretudo jovens e trabalhadorxs de setores essenciais;
  • Acesso desigual à habitação  a crise habitacional tornou‑se um dos maiores obstáculos à justiça social no nosso país.

O papel do Plano AproXima na promoção da justiça social

O Plano AproXima nasceu, precisamente, da convicção de que a justiça social se constrói no terreno, com ações concretas, proximidade com as comunidades e trabalho colaborativo.

A missão do Plano AproXima

O Plano AproXima tem como população alvo trabalhadorxs do sexo e promove:

  • Inclusão social;
  • Igualdade de oportunidades;
  • Participação comunitária;
  • Integração de pessoas migrantes;
  • Acesso a serviços essenciais;
  • Capacitação e autonomia.

Tudo isto com uma abordagem centrada na dignidade humana e na equidade.

Como o Plano AproXima luta pela justiça social

O Plano AproXima trabalha diariamente com associações que prestam apoio a quem faz Trabalho Sexual no sentido de garantir respostas integradas em áreas como:

  • Acompanhamento social;
  • Apoio no acesso a serviços públicos;
  • Orientação para emprego e formação;
  • Mediação intercultural;
  • Apoio psicológico e emocional.

Promoção da participação comunitária

A justiça social exige que as pessoas tenham voz. Nesse sentido, o Plano AproXima tem criado espaços de participação, diálogo e construção coletiva.

Além disso, contribui para a autonomia das pessoas e para a igualdade de oportunidades através de sessões informativas e eventos de partilha de conhecimentos.

Promover justiça social implica também transformar mentalidades. E, por isso, o Plano AproXima desenvolve ações de sensibilização sobre diversidade, inclusão, igualdade e direitos humanos.

Porque a justiça social é essencial para o futuro?

A justiça social não é apenas um ideal ético  é uma condição para sociedades mais seguras, mais saudáveis e mais sustentáveis.

Quando as pessoas têm acesso a oportunidades e direitos, a coesão social aumenta e os conflitos diminuem.

As desigualdades também limitam o crescimento económico. Pelo contrário, a justiça social promove produtividade, inovação e desenvolvimento sustentável.

Democracias mais robustas, comunidades mais resilientes

Quando há participação plena das pessoas, é a democracia que fica mais forte, e isso ajuda a combater a exclusão política.

A equidade e a inclusão também tornam as comunidades mais capazes de enfrentar crises, sejam elas económicas, sociais ou ambientais.

Conclusão: a justiça social deve ser um compromisso diário

A justiça social é, no fundo, o compromisso de garantir que todxs têm a possibilidade real de viver com dignidade. E, portanto, é um trabalho contínuo, que exige políticas públicas eficazes, participação cidadã e ação concreta no terreno.

O Plano AproXima assume esse compromisso todos os dias, aproximando pessoas, serviços e oportunidades, e contribuindo para uma sociedade mais justa, inclusiva e humana.

No Dia Mundial da Justiça Social, e em todos os outros dias do ano, é fundamental lembrar que a justiça social não é apenas um objetivo, mas uma responsabilidade coletiva.