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mulher segura sobre o ombro creme hidratante para cuidar da barreira cutânea danificada

Barreira cutânea danificada? Cuidados avançados

A higiene é importantíssima para a nossa saúde e bem-estar, contudo, tomar duches repetidos e lavar a pele com frequência pode causar lesões. A água quente, os sabonetes alcalinos e a fricção podem remover lípidos da superfície da pele, aumentar a perda de água e provocar secura, ardor, vermelhidão ou descamação.

Limitar a fricção, usar um syndet (produto de limpeza sem sabão), aplicar um hidratante com ceramidas e aplicar uma película lubrificante nas zonas que roçam na roupa ou entre si pode ajudar a reduzir danos.

Se já tiveres a pele danificada, com dor ou sinais de infeção, deves procurar a ajuda de umx especialista em dermatologia.

Porque a barreira cutânea fica danificada com duches repetidos?

A barreira cutânea é a camada mais externa da pele e é responsável por manter a água no interior, proteger contra irritantes e contribuir para o equilíbrio do ambiente cutâneo. Os lípidos, como as ceramidas, o colesterol e os ácidos gordos, ajudam a manter a estrutura da pele.

Cada lavagem pode remover parte dos óleos naturais da pele e, quando as lavagens são repetidas, além de não permitir a acumulação desses óleos, ao usar-se sabonete tradicional (principalmente o alcalino ou muito desengordurante), pode alterar a estrutura da pele.

Ao esfregar com as mãos, uma esponja, uma luva ou uma toalha pode, ainda, criar pequenas lesões. A pele pode ficar sensível, áspera e mais reativa, mesmo quando não se veem feridas.

A probabilidade de criar lesões na pele é maior com o sabonete do que com syndet.

Sinais de uma barreira da pele danificada

Alguns sinais de alerta durante o banho, ou logo após, podem revelar uma barreira cutânea danificada, entre eles:

  • Ardor quando a água ou um produto toca na pele;
  • Sensação de repuxamento;
  • Secura intensa ou textura áspera;
  • Vermelhidão persistente;
  • Descamação;
  • Comichão ou maior sensibilidade;
  • Reação a produtos que antes eram bem tolerados.
A presença destes sinais, por si só, não confirma uma doença de pele. Procura avaliação clínica para diagnóstico e tratamento corretos.

Cuidados com a barreira cuidado quando os duches são repetidos

Se não podes reduzir o número de duches, ainda consegues reduzir o impacto que cada um deles tem na tua barreira cutânea ao adotar algumas medidas:

1 — Escolhe um syndet em vez de um sabonete tradicional

Os syndets são produtos de limpeza feitos com tensioativos sintéticos e, geralmente, são formulados com um pH mais próximo do da pele. Portanto, esta é uma escolha mais suave para a pele, ideal para quem toma banho várias vezes por dia.

Procura na embalagem indicações como “sem sabão”, “pH equilibrado”, “pele sensível” ou “sem perfume”. Embora estas indicações não garantam que a fórmula seja perfeita para a tua pele, com certeza são melhores do que os sabonetes tradicionais.

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Se um produto arder, deixar a pele repuxada, seca ou áspera, deixa de o usar.

Além da escolha do produto, quando tomares mais do que um duche por dia, deves:

  • Usar o syndet apenas nas zonas com sujidade, suor, secreções ou odor;
  • Passar água pelas restantes áreas, sem aplicar produto de limpeza no corpo todo;
  • Evitar ensaboar repetidamente uma zona que já está limpa;
  • Não usar esponjas, escovas ou luvas ásperas.
Se lavas as mãos muitas vezes, aplica um hidratante sem perfume depois das lavagens, sempre que possível.

2 — Reduz a temperatura e a pressão da água

A água muito quente pode retirar lípidos da superfície da pele e agravar a sensação de secura. Assim, opta por tomar banho com água morna.

Reduz, também, a pressão da água. Quando não tiveres essa possibilidade, evita dirigir jatos de água muito fortes para a mesma área durante muito tempo.

Deves, ainda, tomar banhos breves (apenas o necessário para limpar a sujidade).

3 — Seca a pele com cuidado e reduz a fricção

O contacto repetido entre pele e pele, assim como pele e roupa (incluindo a tolha de banho), pode também causar irritação, erosões e dor.

Não deves esfregar a toalha, mesmo que a pele pareça húmida. Seca com pequenos toques. Escolhe uma toalha macia, como aquelas que se usam na natação, pois causam menor fricção.

Para zonas sujeitas a maior atrito, usa barreiras cutâneas com:

  • Petrolato;
  • Dimeticona;
  • Silicones próprios para uso cutâneo;
  • Ceras ou outros similares.

Como recuperar uma barreira cutânea danificada?

Se tens a barreira cutânea danificada, precisas de repor água e lípidos. Aplica um hidratante reparador após o banho, com a pele ainda ligeiramente húmida.

Opta por um hidratante que:

  • Inclua ceramidas (fazem parte dos lípidos naturais da pele), uma vez que melhoram a retenção de água e a função de barreira. Fórmulas que combinam ceramidas, colesterol e ácidos gordos são preferíveis;
  • Não tenha perfume (principalmente se a tua pele já estiver bastante sensibilizada);
  • Contenha humectantes, como glicerina;
  • Inclua ingredientes calmantes, como pantenol.

O uso de oclusivos, como o petrolato, reduz a evaporação da água, ou seja, ajuda a reter a água na pele. Podes aplicar uma pequena quantidade sobre a pele húmida, principalmente nas zonas mais secas, gretadas ou mais sujeitas a fricção.

Deves aplicar primeiro o creme hidratante, esperar alguns instantes e depois passar uma camada fina de petrolato ou outro bálsamo oclusivo nas zonas mais secas.

Evita passar produtos oclusivos em feridas profundas, secreções ou zonas com suspeita de infeção.

Enquanto a pele está a recuperar, deves evitar:

  • Esfregar a pele para “remover melhor” a sujidade;
  • Usar água muito quente;
  • Testar vários produtos novos ao mesmo tempo;
  • Insistir num produto que arde ou causa desconforto;
  • Aplicar álcool, limão ou receitas caseiras;
  • Esfoliantes, ácidos, retinoides, produtos perfumados.

Para anotar:

  • Durante o duche: água morne, pouca pressão, syndet apenas onde está sujo e movimentos suaves;
  • Depois do duche: seca a pele com toques, aplica hidratante com ceramidas na pele húmida e aplica uma camada fina de oclusivo nas áreas mais secas;
  • Antes da fricção previsível: aplica película fina de petrolato, dimeticona ou outro lubrificante cutâneo;
  • Ao longo do dia: reaplica hidratante nas áreas que repuxam e observa sinais de piora. Aplica protetor solar no rosto e áreas expostas.

Procura ajuda médica se a pele não melhora ou se houver fissuras profundas, sangramento, crostas, pus, dor intensa, comichão, calor local, ou vermelhidão que se espalha.