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Campanha Invisíveis, mulher sentada numa cadeira, com um guarda-chuva vermelho na mão

Invisíveis: o filme que nos desafia a olhar para o Trabalho Sexual

| Sara Paiva | Trabalho Sexual

O Plano AproXima, em parceria com a Ser Mudança e diversas associações nacionais que lutam pelos direitos das pessoas trabalhadoras do sexo, arranca hoje, 2 de junho, Dia Internacional do Trabalhadorx do Sexo, uma campanha antiestigma com o filme Invisíveis.

Esta curta-metragem, de apenas um minuto, ilustra como a falta de direitos humanos e laborais "apaga" vidas diariamente, deixando quem faz Trabalho Sexual à margem da sociedade.

Por isso, convidamos-te a romper com o estigma e a fazer parte da mudança que as pessoas trabalhadoras do sexo tanto esperam.

Junta a tua voz à das pessoas que vivem sem direitos.

A invisibilidade das pessoas que fazem Trabalho Sexual

O Trabalho Sexual é ainda olhado como um tabu, como uma atividade que merece reprovação, e as pessoas que exercem esta atividade são alvos de estigma e discriminação, vivendo sem os direitos humanos fundamentais.

No filme Invisíveis, uma produção da Ser Mudança, assistimos à partilha das angústias que xs trabalhadorxs do sexo sentem sobre a total ausência de direitos, mostrando a necessidade de dar voz e espaço para que estas pessoas possam existir de forma plena na sociedade.

A lei e a sociedade fecham os olhos ao Trabalho Sexual. O estigma social e a falta de enquadramento legal empurram as pessoas trabalhadoras do sexo para a clandestinidade e a precariedade, privando-as de direitos básicos que consideras garantidos:

  • Proteção social e laboral — ausência de direitos sociais e laborais básicos, como subsídio de desemprego, baixa médica, licença de parentalidade ou reforma;
  • Segurança e integridade física — dificuldade em denunciar situações de violência ou abuso às autoridades por medo de represálias ou discriminação;
  • Acesso à saúde — barreiras no acesso a cuidados de saúde físicos e mentais;
  • Isolamento social — necessidade de esconder a profissão de pessoas amigas e familiares para evitar o julgamento.

Uma parceria para a acabar com o estigma: Plano AproXima e Ser Mudança

A campanha antiestigma, que arranca hoje, nasce de uma forte aliança entre o Plano AproXima, a associação Ser Mudança e outras entidades que lutam diariamente pelos direitos humanos das pessoas trabalhadoras do sexo em Portugal.

Ao unir forças com a Ser Mudança, o Plano AproXima pretende criar pontes de diálogo e desconstruir preconceitos que há muito estão enraizados.

Acreditamos que o Trabalho Sexual deve ser debatido sob a perspetiva dos direitos humanos, até porque os julgamentos morais apenas geram mais exclusão.

Esta campanha não é apenas sobre o lançamento de um filme. É um apelo coletivo para que a sociedade portuguesa reconheça as pessoas trabalhadoras do sexo, garantindo que ninguém fica para trás.

As associações que se juntam a nós nesta campanha incluem o Porto G (da APDES), a Associação Existências, o Movimentos dxs Trabalhadorxs do Sexo, o GAT, entre outras.

Como podes ajudar a combater o estigma?

Romper com o estigma e acabar com o preconceito começa em cada um de nós. Por isso, tu também tens um papel ativo nesta luta. Como podes ajudar? Adotando algumas ações simples a partir de hoje:

  • Partilha o filme Invisíveis — ajuda-nos a espalhar a mensagem e a iniciar conversas difíceis, mas necessárias, com quem te rodeia;
  • Usa a terminologia correta — prefere o termo "Trabalho Sexual" ou "trabalhadorx do sexo", que respeita a autonomia e autodeterminação das pessoas, em vez de vocábulos carregados de julgamento moral;
  • Procura informações em fontes seguras — lê estudos e artigos baseados em evidências científicas e nos direitos humanos, evitando mitos e preconceitos sensacionalistas;
  • Ouve as próprias pessoas — apoia movimentos e associações liderados por quem faz Trabalho Sexual.

Hoje é o dia de dar voz a quem sempre fica invisível na sociedade. Hoje é dia de levantar os braços e lutar por uma sociedade mais justa e inclusiva. O Trabalho Sexual é um trabalho como qualquer outro, e as pessoas trabalhadoras do sexo merecem ser ouvidas, reconhecidas e acolhidas por todxs nós.