Infeções Sexualmente Transmissíveis

Monkeypox

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A monkeypox é uma infeção transmitida por muitas vias, sendo a via sexual uma das mais reportadas no último surto de maio de 2022. Por esta razão, as pessoas que fazem Trabalho Sexual devem manter-se informadas sobre as medidas de proteção, para que possam trabalhar em segurança.

Conhecer bem os sinais e sintomas é essencial para evitar a transmissão.

O que é a Monkeypox

O vírus monkeypox tem ocorrido de forma endémica, isto é, afeta regularmente habitantes de certas regiões, sendo praticamente inexistente no resto do mundo. Os especialistas referem que esta varíola é menos contagiosa do que a versão humana da doença. A varíola, que tem uma taxa de mortalidade de cerca de 30%, foi erradicada há mais de 40 anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) certificou o fim da doença em 1980, após um grande esforço de vacinação global.

Apesar de menos grave, a monkeypox pode ter consequências mais severas em crianças, mulheres grávidas ou pessoas com supressão imunitária devido a outras condições de saúde como o VIH

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Esta infeção foi descoberta em 1958. O nome, varíola dos macacos surgiu porque este vírus foi isolado pela primeira vez, após ter atingido colónias de macacos. O primeiro caso registado em humanos ocorreu em 1970.

A monkeypox é, portanto, uma doença zoonótica, visto que é transmitida dos animais, para os seres humanos. As doenças zoonóticas podem ser causadas por vírus, bactérias, parasitas ou fungos. 

No caso da monkeypox, a doença é causada pelo vírus Ortopoxvírus, da família Poxviridae. As infeções causadas por poxvírus geralmente resultam na formação de lesões, nódulos na pele ou erupção cutânea disseminada por todo o corpo. Por esta razão surge o nome  poxviridae dado que a palavra pox, é a tradução de “vesícula” em inglês.

O novo surto que começou em 2022, está a afetar vários países em todo o mundo, em que a doença não é endémica, incluindo os Estados Unidos, Canadá, Austrália, para além de muitos países europeus, como o Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal.

Quais são os sintomas?

Esta doença é geralmente ligeira e autolimitada, isto é, na maior parte das vezes não é necessário um tratamento específico.  A doença resolve-se de forma espontânea e a maioria dos doentes recupera em poucas semanas.

Apesar de ser uma doença associada a lesões visíveis na pele, a OMS alerta para o facto de esta infeção surgir com um conjunto de sinais e sintomas pouco específicos (com duração de 1 a 5 dias), seguidos de sintomas mais característicos.

Os sintomas iniciais incluem:

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Dores musculares
  • Gânglios linfáticos aumentados
  • Cansaço

Cerca de 5 dias após o início dos primeiros sintomas, surgem na pele as lesões cutâneo-mucosas (exantemas), semelhantes a bolhas. Estas lesões surgem primeiro no rosto, espalhando-se depois por todo o corpo, incluindo as mãos, os pés e os genitais. 

Como são estas bolhas?

As bolhas surgem como um exantema (que aparece 1 a 3 dias após o início da febre), com cerca de 2 a 5 mm de diâmetro, uma área plana, não palpável na pele, acompanhadas de alteração de cor. Nas peles mais claras surge como uma cor avermelhada, em peles mais escuras é caracterizada por áreas descoloradas.

 Estas lesões evoluem para as fases de vesícula, pústula (geralmente dolorosa), seguida de lesão umbilicada antes de ulcerar e, por fim, crosta que acaba por cair, ao longo de 2 a 4 semanas. As lesões progridem geralmente todas no mesmo estádio.

Em resumo as fases para a formação de bolhas são:

  • Exantema (surgem manchas planas acompanhadas de prurido).
  • Vesícula (dá-se a formação de uma bolha com líquido).
  • Pústula (o líquido contido na bolha infeta e torna-se purulento).
  • Úlcera (quando se dá rutura da bolha, surgindo uma ferida com exposição de tecidos mais profundos).

Como podes prevenir esta infeção?

Ao contrário de outras infeções, os preservativos não podem oferecer proteção total contra a transmissão, visto que o contacto com lesões infetadas pode ser suficiente para a ocorrência de transmissão.

Existem várias medidas que deves adotar para prevenir a infeção pelo vírus monkeypox.

Se existe a possibilidade de estares infetadX deves:

  • Evitar o contacto próximo com outras pessoas até à resolução das lesões, incluindo a queda das crostas;
  • Alertar sobre possíveis sinais e sintomas, todas as pessoas com quem estiveste em contacto próximo desde o início dos sintomas;
  • Não partilhar objetos de uso pessoal, incluindo vestuário, roupas de cama e toalhas;
  • Lavar roupas e têxteis numa máquina de lavar com água quente (acima de 60 °C) e detergente, utilizando um ciclo de lavagem prolongado;
  • Limpar as superfícies duras com detergentes com cloro e deixar secar ao ar.

É importante estares atentX à existência de vesículas e outros sintomas, porque o contacto íntimo durante as relações sexuais incluindo beijos, toques, sexo oral e sexo penetrativo são vias de transmissão. Os brinquedos sexuais contaminados podem ser outro veículo de propagação, pelo que necessitam de ser utilizados de forma responsável e mantidos limpos.

Deves recorrer rapidamente a umX médicX para avaliação clínica, caso:

  • Surja alguma erupção cutânea sem outra explicação, em qualquer parte do corpo;
  • Tenhas um ou mais sinais/sintomas iniciais, relativamente à infeção humana por vírus monkeypox (febre >38 °C, dores de cabeça, dores musculares, ou nas costas, cansaço, gânglios linfáticos aumentados);
  • Tenhas tido nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas contacto com um caso confirmado ou caso provável de infeção pelo vírus monkeypox, ou tenhas viajado a países da África Ocidental ou Central;

Quais são as formas de transmissão?

Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS) o período de incubação, desde a exposição até ao início de sintomas, é geralmente de 6 a 16, mas pode variar de 5 a 21 dias. Não está reportada contagiosidade nos contactos assintomáticos. Pensa-se que a transmissão ocorre quando a pessoa infetada é sintomática.

Descobre mais aqui, no site da DGS.

A transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa, através do contacto direto com fluidos corporais e lesões em pele não íntegra ou mucosas (incluindo a ocular, nasal, oral e genital), ou contacto indireto através de objetos contaminados com material das lesões, como roupas e lençóis contaminados.

O vírus monkeypox pode ainda ser transmitido por gotículas respiratórias (que não percorrem longas distâncias, pelo que é necessário contacto próximo, face com face prolongado), ou quando um indivíduo tem lesões na boca ou garganta.

Apesar de não ser considerada uma infeção sexualmente transmissível no sentido típico, a transmissão entre parceiros sexuais pode ocorrer devido ao contacto íntimo com lesões cutâneo-mucosas infetadas. No entanto, este contacto próximo não é exclusivo de relações íntimas e pode ocorrer em locais com muitas pessoas, como bares, ou concertos.

É importante compreender que a transmissão ocorre até que todas as crostas tenham caído e haja pele íntegra por baixo. As crostas também podem conter material vírico contagioso.

Como é feito o tratamento?

Como referido, a maioria das pessoas infetadas, têm doença leve e autolimitada, por esta razão, não existe necessidade de terapia específica.  Os cuidados clínicos incluem principalmente o controlo e tratamento de todos os sintomas incluindo a febre, as feridas dolorosas ou lesões cutâneas, o desconforto relacionado com gânglios linfáticos inchados ou quaisquer outras afeções. A ingestão de líquidos é essencial para minimizar o desconforto da febre e evitar a desidratação.

As pessoas infetadas devem manter, sempre que possível, o repouso.

As pessoas que apresentam comorbilidades, doenças imunossupressoras ou outras, grávidas ou crianças com menos de 8 anos, estão em maior risco de doença grave e podem necessitar de um tratamento médico, que inclui, medicamentos antivirais específicos para a varíola, por exemplo.